terça-feira, 23 de novembro de 2010

Nosso Encontro com Jesus

Faz uma semana que saímos de uma das mais profundas imersões na presença de Jesus que pudemos vivenciar na presente existência. Foram pouco mais de 24 horas, entre a noite de sábado, dia 13, e a de domingo, dia 14,  em que nos permitimos aproximar como poucas vezes do Rabi, para que pudéssemos estar aptos a ajudar outros Espíritos a vivenciarem essa mesma experiência. De encontro com as próprias potencialidades, com o Eu profundo, consigo, com o Cristo...


Foi durante o II Encontro de Jovens do Grupo Espírita Paz e Harmonia, no Alto dos Pinheiros, em Belo Horizonte (MG). Evento que também marcou o I Encontro de Jovens da Evangelização de Espíritos, um movimento que desde 1990 busca resgatar a metodologia pedagógica desenvolvida entre 1905 e 1918 pelo educador espírita Eurípedes Barsanulfo, em Sacramento (MG).

Como já falamos antes aqui, a Evangelização de Espíritos é uma ferramenta metodológica desenvolvida sob a inspiração do próprio missionário sacramentano e sua equipe de trabalho espiritual, que se propõe a auxiliar o Espírito encarnado a se perceber cada vez como Ser Espiritual que veio à Terra com propósitos específicos dentro do campo da educação do pensamento, do sentimento e da vontade.

E, se como afirma o Assistente Calderaro a André Luiz, em No Mundo Maior, ninguém pode ensinar caminhos que não haja percorrido, o Espírito que assume o papel de evangelizador de Espíritos assume, antes de tudo, um compromisso consigo mesmo de aperfeiçoamento cotidiano dos pensamentos doentes, da vontade frágil e dos sentimentos nublados pelas sensações materiais.

No caso específico do encontro, cada dupla de evangelizadores ficou responsável por apresentar aos jovens uma história exemplar de Espíritos que vivenciaram difíceis, mas profundas, transformações diante do encontro com Jesus. Os selecionados foram: Pedro, Paulo, Bartolomeu, Joana de Cusa, Maria de Nazaré e Maria Madalena.

O objetivo não era fazer relato histórico, nem ler textos biográficos sobre esses Espíritos, mas conduzir os participantes a perceberem os sentimentos envolvidos no processo de transformação de cada um desses seguidores do Cristo, de forma a que pudessem perceber também em si a necessidade de mudanças, bem como possíveis caminhos para levá-las a efeito.

Enquanto a Bruna ficou responsável pela imersão na figura de Pedro, eu optei por Maria Madalena. Vimos filmes, devoramos os Evangelhos, esmiuçamos obras como Boa Nova e Paulo e Estevão... Nos munimos de todas as informações possíveis sobre essas figuras extraordinárias, como meios para chegarmos ao fim de nos aproximar espiritualmente delas, procurando vivenciar o desafio árduo de trazer a transformação por que passaram, de alguma forma, para as nossas vidas.

O que posso dizer, sem entrar nos detalhes que só são compreensíveis por quem vivencia a experiência, é que foi um processo extremamente enriquecedor para nós! Como forma de oferecer pelo menos uma pálida impressão do que pudemos experimentar, trazemos um clip da canção A História de Madalena, letra e música do grande compositor espírita mineiro Willi de Barros, aqui interpretada de forma impressionante pela artista espírita Cacau. Foi a canção-prece com que encerramos esse que foi apenas um, dos vários momentos especialíssimos que compuseram o Encontro de Jovens...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Cia. Laboro leva a Boa Nova ao Ceará!

A companhia teatral mais tradicional do movimento espírita mineiro tem um fim de semana intensivo de trabalho pela frente. Longe das paisagens montanhosas escolhidas para receber Espíritos do quilate de Eurípedes Barsanulfo e Chico Xavier, a Laboro vai desenvolver, pela primeira vez, sua missão de difundir a Mensagem do Cristo no Nordeste do Brasil. Mais especificamente, na terra quente e banhada pelo mar que acolheu o não menos notável Bezerra de Menezes quase 170 anos atrás.

Em dois dias, sábado (13) e domingo (14), serão cinco apresentações em quatro casas espíritas de Fortaleza e Caucaia. No primeiro dia, o grupo apresenta o belíssimo musical infantil Porto Amor (cuja música-título pode ser ouvida no site da dupla Tim e Vanessa), às 16h, no Lar de Clara, localizado em Iparana, Caucaia. Às 20h, é a vez do Grupo Espírita Paulo e Estevão, sede Água Fria, acolher a Laboro para a encenação do espetáculo As mesas girantes.

Domingo, a Laboro enfrenta uma pequena maratona: a primeira apresentação acontece às 9h30, com Porto Amor, no Centro Espírita Francisco de Assis (CEFA), à Rua Senador Catunda, no bairro Benfica. Às 16h o infantil ganha o palco do Lar Espírita Chico Xavier, à Rua Bom Jesus, no bairro Bom Jardim. E finalmente, às 20h, a trupe encerra as atividades em solo cearense com nova apresentação de As mesas girantes no CEFA.

Ingressos e informações na Livraria Espírita Sinal Verde (3212.1092 / 3212.4268) e no Grupo Espírita Paulo e Estevão (3253.2297 / 3253.5216)

As peças

Porto Amor
Utilizando a linguagem do clown e do circo como base para o desenvolvimento da encenação, os corações infantis são levados aos bastidores e ensaios de um grupo de atores adolescentes que preparam uma peça teatral. Durante o ensaio muitas surpresas vão acontecendo e o público vai tornando-se parte fundamental no processo de construção. Com música, cor, alegria os ensinamentos evangélicos e doutrinários penetram nos corações infantis reiterando o pedido do Cristo "deixai vir a mim as criancinhas".

As mesas girantes
Primeiro espetáculo produzido pela Companhia. Em cena uma trupe que relata as manifestações das mesas girantes, ocorridas no século XIX e que constituem, como se refere Allan Kardec, no ponto de partida da Doutrina Espírita. A música cantada ao vivo vem embelezar as histórias narradas em composições dos próprios atores e outras já conhecidas dentro do movimento espírita. Com leveza e muito bom humor, o espetáculo busca despertar o interesse sobre fatos que marcaram o início de uma nova fase para a humanidade: os desencarnados comunicando-se com os encarnados.

Abaixo, você confere um vídeo do 7º Fórum Nacional de Arte Espírita com pequenos trechos do aplaudidíssimo espetáculo As mesas girantes.

domingo, 7 de novembro de 2010

Que tal começar em nós?

Depois de quase dois meses de silêncio, voltamos ao trabalho!

A nova cara do blog diz muito do que queremos que esse espaço seja daqui para a frente: um ambiente virtual de reflexões, cujos textos, vídeos e imagens sejam capazes de estimular no Espírito a elevação do pensamento e o desabrochar do sentimento. A Arte já não é mais fim e sim meio para se chegar a novas experiências e percepções sobre nosso papel diante da Vida.

Para coroar esse recomeço, trazemos uma canção gravada em 2007 pelos integrantes do antigo grupo Estradas, à época já extinto, de Belo Horizonte (MG). O Estradas marcou época no meio espírita mineiro pela qualidade técnica e, principalmente, pela riqueza espiritual de seu trabalho, que acabou sendo interrompido antes de ser registrado em CD próprio.

Por isso, as gravações presentes no Comebh 25 Anos, primeiro DVD de música espírita produzido no país, têm um caráter especial de resgate, pelo menos parcial, desse trabalho extraordinário. A canção que se segue abaixo chama-se Nova Era. Como todas as composições que conhecemos de Willi de Barros (Uma Prece, Para sempre em meu coração, A História de Madalena, Encontro etc), é de uma beleza e de uma profundidade marcantes!

Um convite a aceitarmos plenamente o chamado que Jesus nos faz há milênios para uma Vida Nova, baseada na Fraternidade, na Caridade e na Abnegação. Assumamos o compromisso de edificar em nós mesmos uma Era Nova e a Nova Era há de surgir irremediavelmente no mundo...



PS: Agradecimentos especialíssimos ao nosso irmão Denis Soares por disponibilizar essa canção no YouTube e indicá-la no seu blog Viajante do Universo!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Um filme que fala ao Espírito...

E finalmente saiu Nosso Lar, o Filme, longa-metragem que criou tanta expectativa quanto (ou até mais do que) a película sobre Chico Xavier! Isso porque, além de ser baseado em uma das obras basilares do espiritismo no Brasil, a obra de Wagner de Assis tinha pela frente o desafio de traduzir em som e imagem um mundo espiritual rico em detalhes e difícil de se visualizar ainda hoje, mesmo para muitos espíritas.


Para tanto, o projeto contou com o orçamento mais caro da história do cinema nacional - R$20 milhões - e efeitos especiais desenvolvidos no Canadá, por uma equipe experiente, com filmes holywoodianos no currículo.

Mas, na minha modesta opinião, o maior desafio de Nosso Lar, o Filme, era transformar o enredo extramemente didático e expositivo de Nosso Lar, o livro, em uma história envolvente, capaz de prender a atenção de um espectador mais interessado em assisitr a um bom filme do que em aprender espiritismo.


Nesse sentido, fiquei satisfeito com o trabalho que assisti ontem no cinema. Nada de arrebatador, extasiante ou especialmente emocionante. Mas uma história verossímil, com personagens humanos, cheios de conflitos e dispostos a superarem as próprias limitações.

Se a proposta da obra literária é "conheça o mundo espiritual pelos olhos de um recém-desencarnado", a versão audiovisual põe em primeiro plano o drama da queda e da redenção de um Espírito que, como a maior parte de nós, viveu no mundo segundo as regras do mundo. Um Filho de Deus que ainda tem uma longa estrada pela frente até ser capaz de deixar que o próprio ego seja ofuscado pela Luz Imperecível da Divindade. E que enfrentou, no retorno à Vida Real, as dificuldades próprias de quem transita nessa condição.


À Direção de Arte e de Fotografia coube o papel de emoldurar com magia e beleza essa história tão espiritual quanto humana. E não posso negar minha satisfação com o resultado obtido. Um filme de belas imagens, de cenários caprichados, capazes de transportar nosso pensamento, ao longo de quase horas, para esferas mais amplas, mais altas do que aquelas a que nos acostumamos, e a que a grande maioria dos filmes produzidos hoje parecem fazer questão de nos manter presos...

Merecem ainda referência: a boa adaptação das falas originais para a boca dos personagens, capaz de manter os sentidos originais sem incorrer no típico erro da transcrição literal de textos que caem bem em livros, mas ficam morosos e cansativos na tela; o desempenho do ator Fernando Alves Pinto, que deu vida a um Lísias mais profundo do que quase todos os outros personagens do filme; e a opção do diretor/roteirista por inserir novos conflitos e aprofundar outros já existentes na trama original, de forma a dar mais vigor e consistência dramática ao longa.


Como disse antes, é possível que Nosso Lar, o Filme não entre para o hall da fama das obras-primas do cinema nacional. Mas, mesmo que não faça jus a estatueta dourada nenhuma, ele cumpre com maestria a função de falar ao Espírito com clareza talvez inédita no cinema. Sem metáforas, duplos sentidos ou mensagens subliminares. Atinge a alma em trânsito na Terra pela via racional, através do texto, e pela via sensorial, através da imagem e do som. Ajuda, por fim, o Espírito reencarnado a se aproximar como nunca da realidade de onde veio e que o aguarda irremediavelmente para colher a safra da colheita que realizou por aqui...

João Romário

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Kardec e o autor d'O Mundo de Sofia

O escritor norueguês Jostein Gaarder é um velho conhecido do mercado internacional de best-sellers. Desde o início dos anos 90, quando lançou o clássico Sofies verden (ou O Mundo de Sofia), Gaarder tem se especializado em desenvolver narrativas profundamente humanas com forte influência da Filosofia. Histórias reflexivas, introspectivas, mas capazes de conquistar dezenas de milhões de leitores em todo o mundo.
Em 2008, veio a público o trabalho mais recente, Slottet i Pyreneene, que está sendo lançado agora em agosto no Brasil sob o título O Castelo dos Pirineus. O enredo trata de um ex-casal de namorados que se "reencontra" virtualmente 30 anos após o rompimento, dando início a uma troca de e-mails que revela uma incrível divergência entre as percepções de cada um sobre o antigo relacionamento e os motivos da separação.

Até aí, nada de novo. O que nos chamou a atenção foi o fato de os personagens terem sido escolhidos para representar o eterno embate entre razão e fé, ciência e espiritualidade. Isso porque Steinn, físico e meteorologista, é um racionalista de carteirinha, enquanto Solrun, professora e tradutora, uma espiritualista convicta. O detalhe é que Solrun, mais especificamente, é espírita, leitora assídua do Livro dos Espíritos.

Em uma série de entrevistas concedidas a jornais e TVs brasileiros, Gaarder revela que se debruçou detidamente sobre a obra fundamental da Doutrina Espírita para compor a personagem. E garante que ao longo do trabalho de elaboração d'O Castelo dos Pirineus, reviu seu próprio ceticismo pessoal sob a influência do diálogo com o trabalho de Allan Kardec, como se vê nesse vídeo gravado no último fim de semana durante a 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.