segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

E Eurípedes fincou raízes no Ceará...

Houve um tempo em que um grupo de Espíritos, encarnados e comprometidos com o projeto pedagógico-espiritual de Eurípedes Barsanulfo, lutava por implementar seu próprio núcleo de trabalho evangelizador de almas em um bairro afastado da capital mineira. Em meio às orientações que lhes chegavam por via mediúnica, uma permaneceu indecifrável por quase sete anos. Diziam os orientadores espirituais que aquele grupo, o Grupo Espírita Paz e Harmonia, teria um "compromisso com o Nordeste".

Supunham os trabalhadores que um tal compromisso viesse a se realizar por meio do eventual retorno de um deles, pernambucano então radicado há mais de 30 anos no Sudeste, à terra natal. Mas, como não houvesse qualquer perspectiva de que isso pudesse acontecer, e diante do surgimento das inúmeras demandas próprias de uma casa espírita nascente, a orientação permaneceu guardada num canto das memórias desses trabalhadores.

Seis anos se passaram, a casa cresceu, o trabalho se consolidou e eis que numa bela sexta-feira de primavera uma dupla de Espíritos encarnados nas longínquas terras do Ceará se vê atraída, por meios improváveis aos olhos humanos, até aquele núcleo de trabalho. Sem qualquer contato prévio com os trabalhos nem com os trabalhadores da casa, à exceção de dois telefonemas para um deles, o casal cearense embarca no ônibus que levaria o coral da casa para o Encontro de Artes que se realizaria na noite seguinte a 450 quilômetros dali, no município de Sacramento.

"Se pudésseis apanhar num golpe de vista a imensidade das relações que ligam uns aos outros os seres, para o efeito de um progresso mútuo, admiraríeis muito mais a sabedoria e a bondade do Criador...", diria o Espírito que assina como Guia Protetor em mensagem de 1862 registrada no Evangelho segundo o Espiritismo. E é justamente uma profunda e agradecida admiração por Deus o que não poderíamos deixar de sentir ao olhar para trás e recordar aquele encontro tão inusitado quanto decisivo para nossas existências.

Se naquele fim de semana as relações que nos ligavam àqueles trabalhadores do Cristo ainda não haviam ficado claras, o véu que permanecia sobre elas viria a se tornar cada vez menos espesso ao longo dos meses seguintes. Até o dia em que Eurípedes, o querido Professor, nos reuniu a todos num momento inesquecível em plena Pedro Leopoldo de Chico Xavier, durante o 7º Fórum Nacional de Arte Espírita.

Dali em diante, a certeza de que nosso lugar era ao lado dos alunos do missionário sacramentano criou bases sólidas em nossas almas. À medida que nos envolvíamos no trabalho, procurando vivenciar intensamente em nossa intimidade a metodologia da Evangelização de Espíritos - pois intensa era a nossa necessidade de educação do pensamento, do sentimento e da vontade - um outro véu ia se dissipando.

O sentido da antiga orientação mediúnica ganhava clareza. Pouco a pouco, com a proximidade da hora de retornarmos ao Ceará, o compromisso do Paz e Harmonia com o Nordeste se materializava diante de todos nós. Para aqueles trabalhadores, era mais uma evidência inabalável do amparo sábio e providencial da Equipe Espiritual Eurípedes Barsanulfo. Para nós, era um propósito firme a nos alimentar o ânimo diante da tristeza pelo afastamento do convívio com almas que tanto nos ensinaram a amar e a servir com Jesus.

As evidências desse amparo foram se mostrando com a mesma concretude para nós também no retorno à ambientação onde aceitamos reencarnar. Tudo aquilo que procuramos fazer - no sentido de compartilhar os processos de renovação íntima que Eurípedes nos tem facultado - fluiu e continua a fluir como se não passasse da execução de um plano minuciosamente arquitetado. Mesmo quando a vontade enfraquece e o pensamento embota, a sinfonia providencial orquestrada pelo Professor não deixa de produzir acordes notáveis, que nos estimulam o restabelecimento para melhor servir aos propósitos que nos trascendem e fazem crescer.

E eis que finalmente, numa bela sexta-feira de primavera, dois anos após aquela outra, quatro duplas de Espíritos encarnados que servem com o Cristo no Grupo Espírita Paz e Harmonia se vêem atraídas pelo compromisso e pela saudade que queima no peito destes que agora escrevem até o Lar Espírita Chico Xavier, o núcleo de trabalho evangelizador de almas localizado em um bairro afastado da capital cearense que Eurípedes escolheu como ponto de partida para o desenvolvimento de seu projeto no Nordeste do Brasil.

De forma clara, envolvente e notavelmente inspirada, aqueles oito jovens e adultos partilharam conosco, ao longo de três dias, o banquete de sua própria renovação íntima sob a orientação do Professor. Falaram sobre o compromisso do Espírito Eurípedes Barsanulfo com a Educação do Espírito, esclareceram a natureza metodológica espírita da Evangelização de Espíritos, explicitaram quais os recursos que ela propõe para a realização da tarefa evangelizadora, abordaram a importância da compreensão sobre o Ser Espiritual que somos e destacaram aspectos fundamentais do entendimento do planejamento reencarnatório para o Espírito.

Para além disso, nos ofereceram a oportunidade de vivenciar a aplicação em nós mesmos de dois recursos particularmente importantes para o processo de evangelização da alma: a Arte e a Natureza. O primeiro em uma sequencia envolvente de estímulos à reflexão sobre nossa trajetória espiritual passada, presente e futura, recorrendo à dança, ao teatro e ao desenho para melhor expressar e compreender os sentimentos que trazemos.

O segundo em uma oportunidade inédita para a maior parte dos cearenses participantes de lidar com a Natureza como meio para a percepção sobre si. Revolvemos a terra da casa espírita e adubamos os canteiros para plantar e regar ixoras (ou mini-lacres) vermelhas e amarelas, de cores quentes como é o Ceará, e também jasmins, espécies do mesmo gênero das flores mais apreciadas por Eurípedes e que até hoje adornam o prédio do Colégio Allan Kardec...

Ao fim do trabalho, aqueles oito pioneiros tiveram que retornar para a ambientação e para os compromissos que assumiram para esta existência. Mas deixaram no Lar Espírita Chico Xavier um belo jardim de plantas e almas embebidas nas vibrações de Esperança que o poderoso Sol da Verdade há de fazer crescer e florir sob as bênçãos de Jesus e a orientação de Eurípedes!

Bruna e João Romário

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Girassóis Azuis e Girassóis Eletrônicos...

Enquanto trabalha na gravação de seu terceiro CD, o Alma Sonora, de Curitiba (PR) se prepara para inaugurar nova formação no próximo dia 29 de outubro, às 20h, num Ensaio ao Vivo com participações da Banda Self e do Arpejos da Alma. A apresentação acontece na Comunhão Espírita Cristã de Curitiba à Rua Major Fabriciano do Rego Barros, 1152, Vila Hauer, na capital paranaense. Entradas a R$ 5,00 + 1 kg de alimento, que será doado ao Encontro Espirita de Verão 2012.

Paralelamente, Ale Azuma, que integrou o grupo desde sua formação como percussionista e vocalista, inicia novo trabalho ao lado de Fabrício Cantoni, compositor, produtor e arranjador com valorosos serviços prestados no projeto Cancioneiro Espírita, e de Rafael Bronislawski, guitarrista e compositor que já colaborou tanto nas atividades da Banda Self quanto do próprio Alma Sonora.

A primeira gravação da banda Conecta é uma curiosa releitura eletrônica do clássico instrumental do Alma, Girassóis Azuis. Não por acaso, a canção foi batizada de Girassóis Eletrônicos, e nos aguçou a vontade de ouvir em breve os próximos trabalhos da banda!

sábado, 30 de abril de 2011

Vídeo-aulas para tocar Tim e Vanessa!

Olha a tecnologia chegando com tudo à seara do Cristo! O Tim acaba de publicar no Youtube quatro vídeos de alta qualidade para ajudar quem sempre quis tocar as inspiradíssimas canções cantadas por ele e pela Vanessa. Com áudio extraído do CD/DVD Espiritismo em Canção, último trabalho da dupla, é possível vê-lo tocando em detalhes, com close no violão. E, se ainda ficar alguma dúvida, uma sequência de imagens no alto do vídeo esclarece em tempo real o desenho de cada acorde que está sendo executado. É pegar o violão, sentar na frente do computador e aprender essas obras-primas do cancioneiro espírita, para que elas cheguem cada vez mais longe geograficamente, tocando profundamente cada Espírito que se permite envolver por sua vibração que transporta para mais perto do Cristo...







terça-feira, 5 de abril de 2011

Chico, as mães e a igualdade para a dor

Deus criou todos os homens iguais para a dor; pequenos ou grandes, ignorantes ou instruídos, sofrem todos pelos mesmos motivos, a fim de que cada um pese judiciosamente o mal que pode fazer.

A mensagem do Espírito de Lázaro, psicografada em 1863 na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, nos faz lembrar dessa característica fundamental que irmana e iguala cada uma das almas encarnadas sobre a Terra. A dor é o recurso sagrado de que se serve a Providência Divina para nos orientar com segurança pelo caminho da Verdade. Cada passo dado fora dele nos conduz mais cedo ou mais tarde à dor e, em nosso estado de apego à ilusão, ao sofrimento e também à culpa.

Na película cearense que estreou nesse fim de semana, encerrando a sequência cinematográfica relacionada ao centenário de nascimento de Chico Xavier, é exatamente a igualdade para a dor que move e dá substância à trama. São três histórias de mães que sofreram perdas dolorosas por natureza e que encontraram no mandato mediúnico de Chico o consolo e o estímulo de que necessitavam para seguir em frente.

Sem pretensões à condição de crítico cinematográfico, que não sou, apesar de já ter estudado cinema, falo como Espírito em experiência terrena que vivenciou 108 minutos de beleza, consolação e transcendência em som e imagem ao sentar na poltrona do cinema para assistir ao longa As Mães de Chico Xavier.

Um início um tanto lento, que me exigiu bastante atenção para não perder o fio da meada. A exigência, talvez um pouco cansativa, acabou surtindo um efeito alternativo: eu me vi pouco a pouco familiarizado e então envolvido pelas histórias retratadas. Ao cativar meu interesse desde o princípio, pela própria temática, e gradualmente mais pelo quebra-cabeças de linhas narrativas, o filme criou a empatia necessária para que eu me emocionasse a cada ponto de virada dos dramas familiares apresentados.

Senti a dor culpada de Elisa, o sofrimento arrependido de Ruth e o vazio não compreendido de Lara. Me vi surpreendido ao descobrir a exatidão cruel da experiência por que passaram os pais de Raul e também ao me deparar com a revelação clara da Providência a envolver Santiago no momento da incompreensão.

E, conectando todos esses contextos aparentemente isolados, vi a figura exemplar, paciente e ativa, de Chico Xavier a esclarecer, trabalhar e consolar, como fez na maior parte de seus 75 anos de mediunato.

Sem buscar o preciosismo técnico, habitualmente embebido na alegria superficial, na violência gratuita ou no pessimismo doente que dominam os Espíritos e, por extensão, o cinema contemporâneo, saí da sala de exibição com a alma sensibilizada, pela dor e pela superação, e com a vontade renovada para prosseguir nas lutas que me comprometi a enfrentar nesta experiência carnal. E é disto, mais do que da opinião "especializada" ou do reconhecimento da Academia, que este Espírito aqui precisa.