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sábado, 6 de abril de 2013

Adotando a Evangelização de Espíritos IV

Devidamente esclarecida a nova estrutura dos estudos de quarta-feira no Lar Espírita Chico Xavier que substitui o formato tradicional de palestras, vamos relatar hoje a experiência de um estudo específico desenvolvido à luz da Evangelização de Espíritos. Durante o mês de março, ao longo de três noites, diferentes expressões artísticas serviram como recurso para nos ajudar a refletir sobre a humildade, umas das construções íntimas fundamentais do Homem de Bem elencadas por Allan Kardec no Evangelho segundo o Espiritismo.

No primeiro encontro, os cerca de 30 participantes se dividiram em cinco grupos. O evangelizador de Espíritos responsável por cada um teve o papel de estimular o grupo à reflexão sobre o tema a partir de um trecho da canção Pedro. A letra foi segmentada em cinco partes, de forma que cada agrupamento se debruçou sobre uma parte distinta do belíssimo texto de Gladston Lage musicado por Tim, da dupla Tim e Vanessa. Dentro da proposta de garantir que os estudos sejam uma experiência evangelizadora não só para os participantes, mas, antes de tudo, para os próprios evangelizadores responsáveis, cada um deles assumiu um trecho da música em que sobressaía uma necessidade de aprendizado sua no campo do sentimento.



Após ricas reflexões, entremeadas por depoimentos emocionados e marcadas por grande adesão dos participantes à proposta de reconhecer em si dificuldades semelhantes às vivenciadas pelo líder dos apóstolos, foi hora de artefazer! Reunimo-nos mais uma vez no grande círculo para cantarmos juntos, cada grupo o seu trecho, a canção base dos estudos da noite, encerrando sob intensa vibração a primeira reunião centrada na questão da humildade.

Uma semana depois, procurou-se retomar os mesmos grupos. Desta vez, os evangelizadores incumbiram-se de estimular os participantes a identificar em suas próprias vidas situações recorrentes em que sentiam dificuldade de vivenciar a humildade. Apesar da grande diversidade nos graus de maturidade e facilidade reflexivas entre os participantes, foi incontestável o valor da experiência. Quão poucas vezes somos estimulados, em um ambiente de acolhimento e confiança, a mergulhar em nós mesmos para reconhecer mais claramente as questões que urge trabalhar nesta oportunidade reencarnatória!

Ao fim dos relatos, a arte. Desta vez, o teatro. Cada grupo escolheu um dos depoimentos para representar diante dos demais na forma de uma "foto", uma cena estática. O plano original era que os observadores pudessem refletir e propor como cada cena poderia ser modificada, de forma a dar encaminhamentos ao problema retratado. Uma técnica semelhante ao Teatro do Oprimido, de Augusto Boal, enriquecida, porém, pela contribuição espírita. Como não havia mais tempo, porém, naquela noite as cenas foram apresentadas e modificadas de forma mais espontânea do que reflexiva, tendo funcionado como um exercício inicial a ser aprofundado no encontro seguinte.

E foi assim mesmo que teve início a última noite de estudos sobre a humildade. Um dos grupos refez a foto para que os demais pudessem observar detidamente a situação retratada. Pouco a pouco iam descortinando o que se passava e propondo mudanças. A orientação dos evangelizadores foi a de que os participantes mantivessem em mente o fato de que só é possível ter plena responsabilidade sobre a mudança a ser feita em nós mesmos. Os que nos cercam, nós podemos estimulá-los a mudar, porém nada garante que haverá uma transformação efetiva. Assim, as mudanças propostas na cena deveriam se centrar na figura da pessoa que havia relatado o caso,  que havia compartilhado a dificuldade. Em sua disposição, em sua postura em cena, em sua forma de se relacionar com os demais envolvidos no quadro...

Ao fim das intervenções, os participantes da cena relataram o que sentiram durante o processo, destacando a contribuição da experiência teatral diferenciada para abrir novos horizontes de enfrentamento dos problemas. E para o encerramento dos estudos sobre o tema, todos foram convidados a uma nova vivência com arte. Os participantes foram divididos em dois grupos. Um foi para fora do salão e o outro permaneceu no local.

Para os que ficaram, a instrução foi a de que mentalizassem uma pessoa com quem tinham dificuldade de se relacionar. Em especial, um relacionamento que fosse entravado pelo orgulho. E que imaginassem como seria receber naquele momento especial, naquele ambiente espiritualmente preparado, essa pessoa, disposta a uma reconciliação. Para os que saíram, as orientações foram as mesmas, com a diferença de que eles foram estimulados a se permitir experimentar a iniciativa da reconciliação, repetindo um dos gestos mais marcantes do Cristo... O resultado foi um fechamento impactante, difícil para muitos, mas renovador para todos os que se permitiram vivenciar, por meio da arte, uma nova postura diante de um velho problema... 






quarta-feira, 27 de março de 2013

Adotando a Evangelização de Espíritos III

Prosseguindo com nossos relatos sobre a experiência de renovar a metodologia de trabalho do Lar Espírita Chico Xavier, por meio da Evangelização de Espíritos, falaremos hoje sobre como exatamente as antigas palestras públicas têm sido substituídas por reuniões em roda, participativas e entremeadas pelos recursos da Arte e da Natureza.

Inicialmente, convém lembrar que nosso programa de estudos que começou em janeiro e deverá se estender até maio se baseia num olhar analítico, reflexivo e, em alguns momentos, vivencial sobre o item 3, capítulo 17, do Evangelho segundo o Espiritismo. O texto, escrito por Kardec, enumera as características do "verdadeiro homem de bem".

O que fizemos foi agrupar essas características em categorias (Benevolência, Indulgência, Autocrítica, Desapego etc), convidando cada trabalhador da casa a identificar qual destas construções íntimas do homem de bem era mais desafiadora para si, mais difícil de ser vivenciada. Feita a escolha, aqueles que selecionaram a mesma virtude foram agrupados em duplas ou trios e estimulados a conduzirem juntos os estudos sobe o tema, às quartas à noite, no Lar Espírita Chico Xavier.

Observe-se a preocupação de que os estudos fossem, antes de tudo, oportunidades-estímulos para que os trabalhadores da casa aprofundassem as reflexões sobre a dificuldade pessoal identificada, procurassem subsídios para aclarar as ideias sobre a questão na literatura espírita e dedicassem mais atenção ao enfrentamento do problema, de forma a poderem compartilhar a experiência com os demais participantes durante o estudo.

Ou seja: mesmo que não houvesse público nenhum durante a reunião, o processo em si de reflexão, estudo e vivência já teria sido suficientemente valioso para os expositores. Afinal, longe de nos pretendermos grande oradores ou profundos estudiosos do tema - ainda que todos sejamos espíritas atuantes há muitos anos -, todos os participantes deste projeto somos Espíritos que tiveram a coragem de reconhecer uma dificuldade íntima e aceitaram o desafio de tentar crescer com a ajuda de um novo estímulo!

Porém, se dentro dessa proposta o trabalho de evangelização já estaria sendo feito mesmo sem público, o que temos visto em nossos estudos é uma notável regularidade na quantidade de frequentadores desta reunião. Se no tempo das palestras havia uma enorme variação no número de participantes, que muitas vezes giravam em torno de 10, desde que a reunião passou a adotar o formato circular, em caráter participativo e com ênfase na partilha de experiências mediada pelo conhecimento espírita, dificilmente temos menos de 30 pessoas na casa.

E assim, juntos, com uma adesão inédita de trabalhadores e frequentadores, temos tido noites de grande vibração e profundas reflexões no Lar Espírita Chico Xavier. Nos próximos textos, nós vamos contar em detalhes como foram alguns estudos movidos a arte que foram desenvolvidos dentro desse projeto! Por ora, ficamos com uma singela canção do vasto repertório de Sacramento, quase todo composto por letras mediúnicas recebidas pela querida Alzira Bessa e melodias extremamente inspiradas escritas pelo não menos querido amigo Moacyr Camargo.

A canção que tocamos pela primeira vez na casa no dia em que decidimos adotar a metodologia em todas as atividades da casa, e que tem embalado boa parte das nossas reuniões desde então se chama Encontro. Com ela concluímos mais este relato sobre a bendita experiência de descoberta do Ser Espiritual que somos que o Professor Eurípedes tem nos ajudado a vivenciar!

   

sexta-feira, 8 de março de 2013

Ave, cheia de Graça!

"Ave, cheia de Graça, o Senhor é contigo!", disse o mensageiro de Deus a Maria antes de anunciar-lhe que era chegado o momento de assumir os compromissos espirituais assumidos muito tempo antes... Compromissos que exigiriam fé, humildade, coragem, resignação e muita força de vontade. Que demandariam esforço e desacomodação. Mas que poderiam ser plenamente cumpridos se Maria se conservasse aberta à Graça, que nada mais é do que a Mão que Deus estende gratuita e permanentemente a cada um de nós. Para nos lembrar de que cada desafio do caminho foi colocado providencialmente em nosso percurso, tanto porque temos capacidade de experimentá-lo, quanto porque temos necessidade de superá-lo.

Que o exemplo daquela que aceitou enfrentar as próprias limitações humanas para atender plenamente ao voto de confiança do Alto nos inspire a refletir: qual tem sido a minha reação ao chamado de Deus? Possa a inspirada composição Ave, interpretada por Tim e Vanessa, nos ajudar a encontrar nossa própria resposta...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

E quando vem a culpa?

E quando surge a culpa, durante o processo de reconhecimento das grossas camadas de ilusão que se sedimentaram em nossa intimidade ao longo dos milênios? O que fazer com a incômoda sensação de que somos indignos, imprestáveis, desprezíveis até? Sim, porque é muito natural sentir-nos culpados, quando começamos a permitir que a Luz da Verdade evidencie as sombras que há tanto tempo cultivamos em nossa alma.

Depois de um longo tempo de ignorância espiritual, caminhando à base do automatismo, da fuga da dor, da busca pelo prazer, da necessidade de ser reconhecido e admirado pelos outros, não é fácil começar a caminhar de olhos abertos. A cegueira temporária de Saulo após o encontro com o Cristo ilustra fielmente a dificuldade de adaptação do nosso olhar às Claridades Celestes, tão fortemente habituados que estamos à escuridão e à penumbra do nosso mundo.

Ora, a culpa, ao lado do medo, são estados de espírito que nos paralisam. Eles nos impedem de caminhar e,  em especial no caso da culpa, de aproveitar tudo de Belo que a Verdade põe ao alcance da nossa vista. Porque o propósito de ganharmos gradualmente consciência de nossa condição espiritual, com tudo de bom e de ruim que ela possui hoje, é acelerar nosso crescimento, jamais retardá-lo.

Poderíamos falar de processos íntimos, modificação de ideias, renovação do pensamento... Mas o que nos parece estar na base disso tudo, sendo o passo primeiro e mais importante para evitar a culpa em meio ao reconhecimento das próprias dificuldades íntimas, é a companhia do outro. Não de qualquer um, mas daqueles Espíritos que, como nós, decidiram trilhar o Caminho.

Enfrentar a dura jornada do autoconhecimento ao lado de irmãos igualmente comprometidos com esse propósito torna o processo mais rico e a caminhada menos árdua. Evita tanto a ilusão da superioridade quanto a da inferioridade. E nos permite crescer apoiados uns nos outros, como nosso querido Mestre recomendou aos primeiros cristãos. Reconhecendo em nós e no outro a dor, reconhecendo em nós e no outro a capacidade de superação...

O ambiente propício para a vivência deste processo é o que temos procurado desenvolver em nossa casa espírita sob a orientação do professor Eurípedes!

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Adotando a Evangelização de Espíritos II

Quais os efeitos das mudanças implementadas no Lar Espírita Chico Xavier, sob inspiração da Evangelização de Espíritos? Com essa pergunta encerramos o texto anterior e com ela começamos este. As consequências têm sido muitas e profundas, na medida em que se trata de um processo gradual que se desenvolve desde meados de 2011.

Após um ano e meio de estudos e reflexões em torno da proposta de Eurípedes para a educação do Ser Espiritual, de pequenas experiências realizadas em todos os setores da casa com base na metodologia, o que mais mudou foi a percepção de cada trabalhador do Lar envolvido com a Evangelização sobre si mesmo.

Depois de reiterados estímulos para nos habituarmos a uma percepção mais clara sobre nós mesmos, não se poderia esperar menos do que um razoável amadurecimento da capacidade de refletir sobre si, por parte dos participantes dos encontros.

Ora, quem reflete mais e melhor sobre si não demora a compreender mais claramente suas necessidades e seus compromissos espirituais. E, mais dia, menos dia, parte da compreensão para a ação comprometida com seus propósitos reencarnatórios.

Assim é que temos visto, com indescritível alegria, tímidos trabalhadores da casa fazendo e compartilhando reflexões maduras sobre suas próprias dificuldades, em nossos círculos de estudos evangélicos, revelando firme compromisso de trabalhar esses entraves sob a condução amorosa de Eurípedes. Mais do que isso, esses trabalhadores vêm se revelando dedicados evangelizadores de Espíritos à frente dos nossos estudos de quarta-feira, que têm substituído a antiga atividade no formato de palestra.

Dessa forma, nas duas últimas quartas-feiras, a dupla responsável pelo estudo sobre Tolerância, além de partilhar com franqueza e maturidade suas dificuldades e conquistas na busca por vivenciar a tolerância, se serviu de dois importantes recursos propostos pela Evangelização de Espíritos para estimular os participantes a refletir acerca do tema. No primeiro dia, fomos todos convidados a sair do salão para nos sentarmos em círculo ao ar livre, ao lado de uma aceroleira e de uma espirradeira que cresceram juntas - melhor ainda, entrelaçadas - em nosso jardim.

Toda a reflexão da noite, feita de forma gradual e participativa, foi suscitada pela observação detida dessas árvores, tão diferentes entre si, que, apesar das diferenças, se desenvolveram tolerando-se e apoiando-se mutuamente. Já no segundo dia, que transcorreu da mesma forma, o estímulo foi a música. Em particular, uma extraordinária canção de Rodrigo Marçal e Tarcízio Francisco, intitulada Eu e o Outro, que você confere abaixo:



Será que essa canção, em especial sua belíssima letra, tem algo a nos dizer sobre Tolerância? Durante o estudo da última quarta-feira, sob a condução de nossas evangelizadoras, Eu e o Outro serviu de fio condutor para pensarmos a tolerância a partir da nossa dificuldade de enxergar com clareza o outro e o mundo à nossa volta, fechados que estamos há milênios no egoísmo doente. Cada um, é claro, refletindo sobre a (in)tolerância que há em si, e compartilhando com os demais o que se sentia à vontade para exteriorizar. Para saber mais sobre como está estruturado este trabalho que desenvolvemos às quartas no Lar Espírita Chico Xavier, clique aqui.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Áquila, Prisca e as sinalizações de Deus em nossas vidas

Se toda mudança exige esforço, a verdadeira renovação em Cristo jamais deixará de nos cobrar o preço do suor e das lágrimas. Suor do trabalho, do serviço, do empenho e da superação. Lágrimas da solidão, da incompreensão e da dor. Mas, amoroso que é o nosso Pai, nunca faltarão pontos de apoio e nem sinalizações providencialmente dispostas nos caminhos daquele que se entrega à edificação íntima da Verdade.

Para Saulo, o ex-perseguidor recém-convertido ao Evangelho, tudo era confusão, depois que deparara a Luz do Cristo. Ao lado da firme disposição de mudar, havia ainda toda uma carga doente de hábitos mentais, condicionamentos emocionais e apegos sentimentais a serem superados. O futuro apóstolo queria ser novo, mas não sabia ao certo o que fazer com o homem velho.

Para dar à vontade de mudar de Saulo impulso e direcionamento, Deus põe em seu caminho a dupla Áquila e Prisca. O exemplar casal cristão que vivia em meio ao deserto acolheu de braços abertos o antigo algoz e, com afeto e simplicidade, deu ao jovem de Tarso novo alento para caminhar e novos horizontes para almejar...

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O Saulo que somos e o Paulo que podemos ser

Orgulho, vaidade, prepotência, arrogância, vontade de dominar, desejo de impor, necessidade de ser reconhecido... Construções doentes de nossa alma que nos causam dor, sofrimento, medo, insegurança... Que chegam até a nos deixar a impressão de sermos indignos do Amor Incondicional que Jesus devota a cada um de nós. Mas, como os evangelhos deixam bem claro, foi para nós, ovelhas perdidas, doentes espirituais, que Ele declarou ter vindo a este mundo. Para nos amparar, orientar e conduzir novamente a Deus. Mais do que isso, dando provas da confiança profunda que reservava mesmo à criatura mais perdida nas ilusões do mundo, Ele não apenas envolveu, como convocou expressamente para servir ao Seu lado um Saulo de Tarso. Um homem detentor de todas as dificuldades enumeradas no início deste texto, perseguidor de cristãos, completamente desnorteado em seus propósitos existenciais. Mas também um homem que, sob o Amor do Cristo, conseguiu converter o erro em Verdade, a cegueira em Visão e o ódio em Amor. Como cada um de nós também é amorosamente convidado a fazer...

domingo, 27 de janeiro de 2013

Reencarnação e Confiança

Que o retorno à vida corpórea é uma dádiva que Deus nos concede, por amor, para a nossa realização espiritual, o Evangelho Redivivo nos esclarece e faz lembrar regularmente. Mas já paramos para meditar sobre o quanto a encarnação exige de nós? De coragem, de comprometimento, de confiança...? O despretensioso vídeo abaixo, que gira em torno dessa reflexão, foi feito para nos introduzir ao estudo da música Geração Nova, de Moacyr Camargo, dentro do estudo da Evangelização de Espíritos que desenvolvemos aos sábados no Lar Espírita Chico Xavier. A letra da canção você encontra aqui.



terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Adotando a Evangelização de Espíritos

É com muita alegria que anunciamos a intenção de utilizar este espaço para um novo projeto: compartilhar os primeiros passos dados pelos trabalhadores do Lar Espírita Chico Xavier, de Fortaleza, dentro do propósito, assumido no final de 2012, de alinhar metodologicamente todas as atividades da casa à Evangelização de Espíritos.

Como já tratamos muitas outras vezes aqui, a Evangelização de Espíritos é a proposta de Eurípedes Barsanulfo para a educação do Ser Espiritual. Por um lado, trata-se de um resgate do trabalho desenvolvido pelo mais significativo educador espírita da história, durante sua última existência terrena. Por outro, é um desdobramento desse trabalho orientado pela Equipe Espiritual Eurípedes Barsanulfo, comprometida em contribuir para o atendimento das necessidades do Espírito neste momento de transição por que passa a Terra.

Perfeitamente assentada nos princípios contidos nas obras de Allan Kardec, Chico Xavier e demais autores espíritas consagrados, a Evangelização de Espíritos se diferencia antes de tudo pelo foco: mais do que ensinar teoria doutrinária, a proposta de Eurípedes é a de orientar o Ser Espiritual a vivenciar o Evangelho e a Doutrina Espírita em sua intimidade.

Afinal, de que adianta acreditar em reencarnação, acreditar em mediunidade, acreditar que Jesus é um modelo moral ou que fora da caridade não há salvação, se essas crenças não forem capazes de produzir mudanças concretas em nossa trajetória espiritual? Se essas novas ideias - aliás, nem tão novas assim - não tiverem impactos significativos em nossa postura diante da vida, diante do outro?

Atento ao fato de que a adesão racional às ideias espíritas não é suficiente para nos tornar Espíritos conscientes, renovados, evangelizados, Eurípedes nos propõe recursos simples, mas extremamente eficientes, para nos auxiliar nos processos de autoconhecimento, de compreensão de nosso planejamento reencarnatório e de reconhecimento dos próprios compromissos assumidos para esta existência terrena.

Assim é que todo aquele que chega a uma casa espírita que adota a Evangelização de Espíritos é convidado não apenas a reconhecer-se como um Espírito, mas também a conhecer melhor o Ser Espiritual que é, o que implica aprender a identificar os pensamentos que o caracterizam, os sentimentos que se ligam a esses pensamentos e as necessidades espirituais de que é portador.


Nesse sentido, uma das primeiras mudanças implementadas no Lar Espírita Chico Xavier foi a transformação da tradicional palestra pública de quarta-feira, às 19h30. Em lugar de preleção, com palco, púlpito e plateia enfileirada, estudo com cadeiras em círculo. Em lugar de palestrantes externos, trabalhadores da casa assumem a responsabilidade pelo estudo. Em lugar de temas escolhidos com base em roteiros genéricos pré-estabelecidos, tópicos nascidos da própria identificação de necessidades dos trabalhadores da casa. Em lugar de um único expositor por noite, escolhido em função de seu "domínio" sobre o tema, duplas ou trios de trabalhadores voluntariados em função de sua disposição de se aprimorar intimamente no assunto a ser abordado. Por fim, em lugar de exposição verbal do tema, abordagem participativa, entremeada pelos recursos da Arte e da Natureza.

Qual terá sido o efeito de tantas mudanças...? É do que tratamos no segundo texto desta série.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Muita procura pelo Encontro da Evangelização de Espíritos!

A procura pelo 1º Encontro Regional da Evangelização de Espíritos tem sido surpreendente em todo o país! Só em Santos (SP), há um mês da data do evento, quase 350 pessoas já se inscreveram, preenchendo quase todas as 400 vagas oferecidas inicialmente pela organização do Encontro para aquela cidade.

Pessoas de várias cidades do país têm procurado a equipe de Fortaleza em busca de se inscrever. Para o Encontro aqui, já estão confirmadas caravanas de Belo Horizonte (MG) e Campina Grande (PB). Grupos do Rio Grande do Norte, da Bahia, do Piauí e do Maranhão estão se organizando, bem como da capital e do interior do estado!

Neste breve vídeo, a evangelizadora e atriz Elaine de Carvalho, de Santos (SP), explica o que vai acontecer nos próximos dias 12 e 13 de outubro, sob os cuidados de Eurípedes Barsanulfo!



Saiba como se inscrever para Fortaleza enviando e-mail para: joaoromariofilho@gmail.com!

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

I Encontro Regional da Evangelização de Espíritos

É com muita alegria que gostaríamos de convidá-lo, Espírito comprometido com o serviço na seara do Cristo, a participar do I Encontro Regional da Evangelização de Espíritos nos próximos dias 12 e 13 de outubro!

O evento acontece simultaneamente em Fortaleza (CE), Londrina (PR), Santos (SP) e Rondonópolis (MT), sob a coordenação do Grupo Espírita Esperança e Caridade, de Sacramento (MG), fundado em 1905 por Eurípedes Barsanulfo.

O objetivo é oferecer a evangelizadores, educadores e trabalhadores espíritas em geral a oportunidade de conhecer melhor a proposta de Educação do Espírito desenvolvida por Barsanulfo, o mais significativo educador espírita de todos os tempos.

Em Fortaleza, o Encontro acontece no Lar Fabiano de Cristo da Maraponga. Começa às 20h, na sexta, dia 12, e às 8h no sábado, dia 13.

As inscrições podem ser feitas pelo e-mail joaoromariofilho@gmail.com. Basta preencher uma pequena ficha de identificação e depositar/transferir o valor de 20 reais, para quem não for dormir no local do evento, ou de 40 reais, para quem precisar de hospedagem. A inscrição inclui alimentação e material didático.

Para maiores informações sobre o evento em Santos (SP), acesse: http://www.searadoamor.org.br/

Para maiores informações sobre o evento em Rondonópolis (MT), acesse: http://www.casadocaminhomt.com.br/

Para maiores informações sobre o evento em Londrina (PR), envie e-mail para:
casadocaminho@sercomtel.com.br
 
Sinta-se convidado a compartilhar conosco essa experiência transformadora!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

E Eurípedes fincou raízes no Ceará...

Houve um tempo em que um grupo de Espíritos, encarnados e comprometidos com o projeto pedagógico-espiritual de Eurípedes Barsanulfo, lutava por implementar seu próprio núcleo de trabalho evangelizador de almas em um bairro afastado da capital mineira. Em meio às orientações que lhes chegavam por via mediúnica, uma permaneceu indecifrável por quase sete anos. Diziam os orientadores espirituais que aquele grupo, o Grupo Espírita Paz e Harmonia, teria um "compromisso com o Nordeste".

Supunham os trabalhadores que um tal compromisso viesse a se realizar por meio do eventual retorno de um deles, pernambucano então radicado há mais de 30 anos no Sudeste, à terra natal. Mas, como não houvesse qualquer perspectiva de que isso pudesse acontecer, e diante do surgimento das inúmeras demandas próprias de uma casa espírita nascente, a orientação permaneceu guardada num canto das memórias desses trabalhadores.

Seis anos se passaram, a casa cresceu, o trabalho se consolidou e eis que numa bela sexta-feira de primavera uma dupla de Espíritos encarnados nas longínquas terras do Ceará se vê atraída, por meios improváveis aos olhos humanos, até aquele núcleo de trabalho. Sem qualquer contato prévio com os trabalhos nem com os trabalhadores da casa, à exceção de dois telefonemas para um deles, o casal cearense embarca no ônibus que levaria o coral da casa para o Encontro de Artes que se realizaria na noite seguinte a 450 quilômetros dali, no município de Sacramento.

"Se pudésseis apanhar num golpe de vista a imensidade das relações que ligam uns aos outros os seres, para o efeito de um progresso mútuo, admiraríeis muito mais a sabedoria e a bondade do Criador...", diria o Espírito que assina como Guia Protetor em mensagem de 1862 registrada no Evangelho segundo o Espiritismo. E é justamente uma profunda e agradecida admiração por Deus o que não poderíamos deixar de sentir ao olhar para trás e recordar aquele encontro tão inusitado quanto decisivo para nossas existências.

Se naquele fim de semana as relações que nos ligavam àqueles trabalhadores do Cristo ainda não haviam ficado claras, o véu que permanecia sobre elas viria a se tornar cada vez menos espesso ao longo dos meses seguintes. Até o dia em que Eurípedes, o querido Professor, nos reuniu a todos num momento inesquecível em plena Pedro Leopoldo de Chico Xavier, durante o 7º Fórum Nacional de Arte Espírita.

Dali em diante, a certeza de que nosso lugar era ao lado dos alunos do missionário sacramentano criou bases sólidas em nossas almas. À medida que nos envolvíamos no trabalho, procurando vivenciar intensamente em nossa intimidade a metodologia da Evangelização de Espíritos - pois intensa era a nossa necessidade de educação do pensamento, do sentimento e da vontade - um outro véu ia se dissipando.

O sentido da antiga orientação mediúnica ganhava clareza. Pouco a pouco, com a proximidade da hora de retornarmos ao Ceará, o compromisso do Paz e Harmonia com o Nordeste se materializava diante de todos nós. Para aqueles trabalhadores, era mais uma evidência inabalável do amparo sábio e providencial da Equipe Espiritual Eurípedes Barsanulfo. Para nós, era um propósito firme a nos alimentar o ânimo diante da tristeza pelo afastamento do convívio com almas que tanto nos ensinaram a amar e a servir com Jesus.

As evidências desse amparo foram se mostrando com a mesma concretude para nós também no retorno à ambientação onde aceitamos reencarnar. Tudo aquilo que procuramos fazer - no sentido de compartilhar os processos de renovação íntima que Eurípedes nos tem facultado - fluiu e continua a fluir como se não passasse da execução de um plano minuciosamente arquitetado. Mesmo quando a vontade enfraquece e o pensamento embota, a sinfonia providencial orquestrada pelo Professor não deixa de produzir acordes notáveis, que nos estimulam o restabelecimento para melhor servir aos propósitos que nos trascendem e fazem crescer.

E eis que finalmente, numa bela sexta-feira de primavera, dois anos após aquela outra, quatro duplas de Espíritos encarnados que servem com o Cristo no Grupo Espírita Paz e Harmonia se vêem atraídas pelo compromisso e pela saudade que queima no peito destes que agora escrevem até o Lar Espírita Chico Xavier, o núcleo de trabalho evangelizador de almas localizado em um bairro afastado da capital cearense que Eurípedes escolheu como ponto de partida para o desenvolvimento de seu projeto no Nordeste do Brasil.

De forma clara, envolvente e notavelmente inspirada, aqueles oito jovens e adultos partilharam conosco, ao longo de três dias, o banquete de sua própria renovação íntima sob a orientação do Professor. Falaram sobre o compromisso do Espírito Eurípedes Barsanulfo com a Educação do Espírito, esclareceram a natureza metodológica espírita da Evangelização de Espíritos, explicitaram quais os recursos que ela propõe para a realização da tarefa evangelizadora, abordaram a importância da compreensão sobre o Ser Espiritual que somos e destacaram aspectos fundamentais do entendimento do planejamento reencarnatório para o Espírito.

Para além disso, nos ofereceram a oportunidade de vivenciar a aplicação em nós mesmos de dois recursos particularmente importantes para o processo de evangelização da alma: a Arte e a Natureza. O primeiro em uma sequencia envolvente de estímulos à reflexão sobre nossa trajetória espiritual passada, presente e futura, recorrendo à dança, ao teatro e ao desenho para melhor expressar e compreender os sentimentos que trazemos.

O segundo em uma oportunidade inédita para a maior parte dos cearenses participantes de lidar com a Natureza como meio para a percepção sobre si. Revolvemos a terra da casa espírita e adubamos os canteiros para plantar e regar ixoras (ou mini-lacres) vermelhas e amarelas, de cores quentes como é o Ceará, e também jasmins, espécies do mesmo gênero das flores mais apreciadas por Eurípedes e que até hoje adornam o prédio do Colégio Allan Kardec...

Ao fim do trabalho, aqueles oito pioneiros tiveram que retornar para a ambientação e para os compromissos que assumiram para esta existência. Mas deixaram no Lar Espírita Chico Xavier um belo jardim de plantas e almas embebidas nas vibrações de Esperança que o poderoso Sol da Verdade há de fazer crescer e florir sob as bênçãos de Jesus e a orientação de Eurípedes!

Bruna e João Romário

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

E o pensamento, o que tem criado?

Numa das passagens dos Evangelhos mais desafiadoras à nossa pequenez espiritual, Mateus nos dá a conhecer o ensino de Jesus a respeito da milenar proibição ao adultério contida no Decálogo judaico:

Ouvistes o que foi dito: "Não adulterarás". Eu, porém, vos digo que todo aquele que olha uma mulher para desejá-la, já adulterou com ela em seu coração. (Mt 5, 27 e 28, tradução de Haroldo Dutra Dias)

Se o domínio sobre as próprias ações - externas, visíveis e passíveis do julgamento do outro - já é um grande desafio para muitos de nós, que dizer da disciplina do pensamento? Essa esfera de ação interior que normalmente encaramos como só nossa, como o espaço mais íntimo e pessoal de que dispomos para sermos nós mesmos?

Se há uma parcela da Verdade nessa forma de enxergar as coisas, ela está no fato de que o pensamento realmente revela sem erro aquilo que somos. Sem máscaras, sem pudores ou maquiagens. O erro, porém, começa na suposição de que ela seja realmente "íntima e pessoal".

Aquilo em que pensamos nos põe sempre em determinada zona mental, compartilhada por milhões de outros seres espirituais, irmãos na jornada de aprimoramento de si. Esses pensamentos, somados, entram em ressonância uns com os outros, potencializando efeitos, frequentemente negativos, e aprisionando o Espírito, quando ele não tem o hábito de cultivar a própria Vontade no terreno da Verdade.

Porém, o efeito só costuma ser negativo, inferior, materializado porque assim também costumam ser os nossos pensamentos. Onde colocamos o pensamento, aí se nos desenvolverá a própria vida, explicará o Instrutor Gúbio a André Luiz, numa das obras-primas da psicografia de Chico Xavier, Libertação.

Por isso mesmo, o Espírito que se esforça sinceramente por transformar o pensamento característico que traz, e esse  não é um esforço pequeno para nenhum de nós, conta também com o mesmo fenômeno de ressonância mental a seu favor. 

Nesse caso, porém, é com os pensamentos superiores que a sua mente vibrará. E as vibrações do Alto, ao contrário daquelas a que estamos mais condicionados, alimentam o Espírito de Esperança, uma Esperança Verdadeira e Progressiva que nos impulsiona para o Caminho da Verdade!

Manter-se sob a influência desse Impulso Superior é um desafio ainda maior, diante da nossa inconstância e do pensamento viciado em certas emoções doentias que ainda carregamos. E aí se faz necessário, ainda e sempre, o desenvolvimento de um "pensamento reflexivo, criando um movimento mental que assegure ao Espírito a capacidade de averiguar como se encontra seu pensamento e qual é a força que a Vontade exerce sobre ele", como propõe a Equipe Eurípedes Barsanulfo na obra mais recente ligada ao trabalho da Evangelização de Espíritos, A Libertação do Espírito.

Temos que aprender a refletir diariamente sobre o que o pensamento tem criado. De forma a não nos iludirmos com o brilho aparente de certas criações mentais, nem nos conformarmos com a estreiteza cinzenta de horizontes em que nossa mente às vezes estaciona e se demora por longos períodos... Assim, seremos pouco a pouco mais capazes de identificar com clareza o que está por trás de nossos pensamentos e a que eles têm dado origem. Pautando-nos mais e mais no exemplo incondicional dAquele que, Antes de Criar, amou com Infinito Amor a Criação...

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Ele nasceu para Amar. E você?

Cada Espírito que vem a este mundo tem um propósito específico. Não falo simplesmente da necessidade de "expiação" e "melhoramento progressivo" que se aponta em O Livro dos Espíritos, questão 167. Se é certo que todos os que habitamos a Terra voltamos a ela porque precisávamos expiar faltas e nos melhorar, não podemos nos contentar com essa certeza. O aproveitamento pleno dessa oportunidade na carne pede mais de nós.

Quando Santo Agostinho, respondendo à pergunta 919 do livro-base, nos remete ao clássico preceito grego conhece-te a ti mesmo, ele não está apenas demonstrando erudição, nem deduzindo obviedades espirituais. Ele está nos chamando a atenção para a chave mais segura de que dispõe o Espírito encarnado para cumprir seu propósito específico neste retorno ao mundo material.

É que antes de vir, nós planejamos. Escolhemos, com maior ou menor interferência dos Bons Espíritos, quais os pontos mais urgentes a serem trabalhados dentro da vasta anterioridade composta pelos quadros de memória e pelas referências energéticas que acumulamos ao longo dos milênios*. Determinamos sexo, família, local de nascimento, filiação religiosa, área de atuação profissional, possíveis reencontros com Espíritos afinizados pelo amor e também pela dor...

Reencarnamos dentro de um planejamento feito sob medida para que tenhamos de lidar frequentemente com os sentimentos doentes. Para que, nos deparando com eles, tenhamos a oportunidade reiterada de tratá-los, de reorganizar energeticamente o perispírito e, então, partir para outros passos na jornada espiritual.

Porém, se eu não me conheço, tudo se torna mais difícil. Vêm as ilusões, os velhos vícios, os relacionamentos doentios... E, se eu não reflito sistematicamente sobre mim mesmo, como Espírito que está em processo de reparação específica de determinados erros do passado, a tendência é a de ficar desnorteado quando a luta pede mais esforço, mais disposição, mais vontade de superação.

Se eu me dedico seriamente a entender o que vim fazer aqui, ganho em objetividade na hora das escolhas, em serenidade diante da prova e em fortaleza espiritual para superar obstáculos. E, nesse processo, a despeito das quedas que invariavelmente surgirão, poderei galgar com cada vez mais decisão o caminho da Vida Eterna, a vida do Espírito que já superou o ego e a ilusão material.

Poderei, como um dia Jesus, ser um Mensageiro do Pai que desce à matéria não mais para ajustar-se com a própria consciência, mas para ajudar outras almas a despertarem as suas para a Verdade. Poderei ser alguém simplesmente Nascido para Amar, como propõe esta belíssima composição do Cancioneiro Espírita 1, que celebra com poesia inspirada e melodia encantadora o nascimento do Cristo!



* Para compreender melhor esse processo, sugiro O Que É Evangelização de Espíritos, capítulo "O Entendimento do Ser Espiritual", páginas 49 e seguintes. Autoria da Equipe Eurípedes Barsanulfo, pela médium Alzira Bessa França Amui.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Vamos Semear um Ano Novo?

Nesse mês de dezembro tivemos a abençoada oportunidade de conduzir dois estudos sobre a Parábola do Semeador em Fortaleza. A primeira, na Mocidade Espírita Paulo e Estevão da Piedade, que por tantos anos nos acolheu, como jovem e trabalhador, e ainda hoje abriga afetuosamente quase metade do Espírito de Arte. A segunda, no Lar Espírita Chico Xavier, no Bom Jardim, a casa que, esperamos, venha a nos acolher quando chegar a hora do retorno à terra em que escolhemos renascer.

A conhecida lição do Rabi nos convida, como sempre, à reflexão. Mais do que isso, ela nos convoca a lançar um novo olhar sobre nós mesmos a partir de uma percepção mais apurada sobre a Natureza e alguns de seus infindáveis exemplos para o Espírito em trânsito sobre a Terra.

Que terreno temos sido nós? - é a pergunta que ecoa nos nossos ouvidos na voz amorosa, mas desacomodadora, do Mestre. Teremos sido daqueles que vivem tão imersos no cotidiano terreno que preferem fazer ouvido de mercador ao Chamado milenar da Verdade - ou, na linguagem parabólica, o terreno da estrada, do caminho, ainda absolutamente despreparado para receber a Semente?

Teremos permanecido entre os que recebem entusiasmados a Boa Nova para, no momento seguinte, voltar à "normalidade" da ilusão terrena, com seus cuidados, suas facilidades e conveniências sociais - ou, nos dizeres do Cristo, o terreno pedregoso, carente de profundidade, de experiências no Bem capazes de serem acionadas, de ressoarem ao contato com a Verdade?

Talvez já possamos ser contados em meio aos que compreendem a necessidade da renovação íntima, que entendem a essencialidade de se caminhar no Bem para se chegar à Verdade, mas que ainda têm tantos vícios, tantas enfermidades acumuladas na própria alma, que vêem a vontade de mudar frequentemente abafada pelas construções equivocadas feitas ao longo dos milênios - ou, na expressão do Senhor, o terreno espinhoso, que sufoca sistematicamente a planta que tenta germinar.

O terreno fértil é aquele em que a Eterna Mensagem produz abundantemente frutos de Transformação Espiritual, Renovação do Pensamento, Edificação do Sentimento, Fortalecimento da Vontade e de Desprendimento do ego em prol do Bem de todos... Bom, é a nossa meta! E seria um tanto pretensioso aquele que já se julgasse um terreno realmente fértil, habitando um mundo próprio para Espíritos em reedificação interior como é a nossa Terra.

Em todo caso, se a Perfeição é para daqui a muitos milhares de milênios, a decisão de trilhar o Caminho da Verdade é para, no mínimo, dois mil anos atrás... Portanto, como propõe esta belíssima composição espírita de Ana Maria Soares Pereira e Moacyr Camargo, comecemos a Semear agora e os Frutos do Bem virão irremediavelmente e num futuro bem próximo! Feliz Ano Novo com o Cristo de Deus sempre à nossa frente!



PS: Confira a letra da música aqui.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Pedro e o desafio de renascer em Cristo...

Nada mais cristão, na profundidade da expressão, do que pensar no nascimento de Jesus em nós. Nada mais espírita, na essência da proposta, do que meditar sobre a necessidade constante e crescente de renascermos em Cristo.

E foi essa mesma a reflexão que nos inspirou a obra Os Apóstolos e os primeiros discípulos de Cristo, que líamos hoje pela manhã, assinada por ninguém mais, ninguém menos, que Joseph Ratzinger, Sua Santidade, o papa Bento XVI, atual líder da Igreja Católica Romana.

Ao dissertar sobre Pedro, o autor fala sobre o caráter extremamente humano, comum a todos nós, da personalidade do notável líder dos primeiros cristãos. Um pescador simples que um dia exercia o ofício corriqueiro, quando recebeu o chamado da Verdade: Não tenha medo! De hoje em diante, serás um pescador de homens!

A esse respeito, pondera Bento XVI: "(Pedro) Aceita o convite surpreendente a envolver-se nesta grande aventura: é generoso, reconhece os seus limites, mas acredita naquele que o chama e segue o sonho do seu coração. Diz que sim (...) e converte-se num discípulo de Jesus".

Mas entre aceitar o chamado do Rabi e permanecer nele, sabemos muito bem, pode haver um abismo. Um abismo preenchido pela nossa falta de fé, pela nossa falta de construções íntimas no Bem e pela nossa absoluta falta de hábito no exercício regular da Virtude. Falta tanto, que o abismo se instala quase com a mesma espontaneidade com que a alegria de seguir Jesus nos havia preenchido.

E então? Então vem a hora de enfrentar face a face nossa pequenez. De encarar sem máscaras, nem pudores, o nosso pensamento viciado na ilusão, nosso sentimento condicionado aos ditames do ego e nossa vontade profundamente rasa.

É hora de lidar com nossa pretensão, com a audácia que não raras vezes nos leva a julgarmo-nos aptos a aconselhar a própria Verdade sobre como ela deveria ser. Exatamente como o fez, a certa altura, o próprio Pedro ao, acredite, repreender Jesus! Dizia o Mestre que importava que o Filho do homem padecesse muito, e que fosse rejeitado pelos anciãos e príncipes dos sacerdotes, e pelos escribas, e que fosse morto, mas que depois de três dias ressuscitaria.

O pescador de homens, por sua vez, "escandaliza-se e protesta", nos dizeres de Bento XVI, com o anúncio do Calvário Redentor, chama o Cristo para conversar reservadamente e pretende aconselhá-lo a ponderar melhor sobre o tema, talvez a propor algum "jeitinho" mais cômodo de resolver a questão... A resposta do Messias não poderia ser mais contundente: Retira-te de diante de mim, Satanás; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas as que são dos homens.

Compreendendo novamente, e com maior profundidade, o que significa se tornar um discípulo de Jesus, não sem melindre, nem contrariedade, Pedro reassume o compromisso anteriormente selado e nos lega mais um exemplo de empenho na edificação íntima da humildade e de perseverança na fé.

Exemplo que, em nossa modesta avaliação, jamais ganhou forma tão expressiva, contundente e comovente quanto na inspirada composição de Gladston Lage e Tim que leva o nome do apóstolo e pode ser vista abaixo. Uma canção que, se não arrebata a alma propriamente aos céus, arrasta-a irresistivelmente ao Caminho por meio do qual se pode chegar à Vida plena: o da entrega total do Espírito ao serviço com o Cristo, para além de todo o personalismo e de todo o interesse próprio, com a Verdade e pelo Bem de todos.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Por que Jesus educava pela Natureza?

Vós sois o sal da Terra... Vós sois a luz do mundo... Olhai para as aves do céu... Como é que vedes um argueiro no olho de vosso irmão e não vedes uma trave no vosso? Cuidado com os falsos profetas que vêm a vós sob a aparência de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes... Árvores boas só podem produzir bons frutos e árvores más só podem produzir maus frutos... Eis que o semeador saiu a semear... O Reino dos Céus é semelhante ao homem que semeia boa semente no seu campo... O Reino é como uma semente de mostarda, que é a menor de todas as sementes...

Se há um recurso marcante em todo o processo educativo utilizado por Jesus, este recurso é a Natureza. Se Sua palavra era a expressão da Verdade, se ela era imantada pela força que só o Amor Puro detém, ainda assim era preciso mais para mobilizar Espíritos endurecidos, como nós mesmo, tantas vezes, ainda hoje. E a Apostila Viva do Criador é precisamente esse algo mais.

Jesus tinha plena consciência de que "através da educação pela Natureza, o Espírito é estimulado a descobrir Deus em toda a Criação, passando a compreender sua natureza, finalidade e destinação". Sabia como ninguém que "a Natureza estimula o Espírito a observar, sentir, comparar e analisar, para depois refletir e concluir". Compreendia magistralmente, enfim, que "nesse processo, o Espírito percebe que os princípios divinos presentes em sua intimidade também compõem todo o laboratório da Natureza".

Por isso mesmo se serviu tantas e tantas vezes desse recurso tão encantador quanto subutilizado no nosso dia-a-dia.O clipe que se segue abaixo se baseia na canção A Amiga das Flores, de Ana Maria Soares Pereira e Moacyr Camargo, e é parte do projeto Amor pela Terra, do Centro Espírita Terra de Ismael, em Jurucê, distrito de Jardinópolis (SP).

Como já relatamos antes aqui, essa casa espírita desenvolve um trabalho excepcional de educação do Espírito pelo contato com a Natureza. E a bela composição que você confere abaixo é, na nossa avaliação, um dos mais saborosos fruto dessa proposta no campo musical, acrescido de nossa modesta contribuição no sentido de encontrar as mais belas imagens do Laboratório Divino para dialogar com letra e música tão bem inspiradas!



PS: Confira a letra da música aqui.
PS 2: As citações utilizadas no terceiro parágrafo do texto são todas da obra O que é a Evangelização de Espíritos, obra mediúnica inspirada pela equipe de Eurípedes Barsanulfo, por Alzira Bessa França Amui, páginas 37 e 38.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Nosso Encontro com Jesus

Faz uma semana que saímos de uma das mais profundas imersões na presença de Jesus que pudemos vivenciar na presente existência. Foram pouco mais de 24 horas, entre a noite de sábado, dia 13, e a de domingo, dia 14,  em que nos permitimos aproximar como poucas vezes do Rabi, para que pudéssemos estar aptos a ajudar outros Espíritos a vivenciarem essa mesma experiência. De encontro com as próprias potencialidades, com o Eu profundo, consigo, com o Cristo...


Foi durante o II Encontro de Jovens do Grupo Espírita Paz e Harmonia, no Alto dos Pinheiros, em Belo Horizonte (MG). Evento que também marcou o I Encontro de Jovens da Evangelização de Espíritos, um movimento que desde 1990 busca resgatar a metodologia pedagógica desenvolvida entre 1905 e 1918 pelo educador espírita Eurípedes Barsanulfo, em Sacramento (MG).

Como já falamos antes aqui, a Evangelização de Espíritos é uma ferramenta metodológica desenvolvida sob a inspiração do próprio missionário sacramentano e sua equipe de trabalho espiritual, que se propõe a auxiliar o Espírito encarnado a se perceber cada vez como Ser Espiritual que veio à Terra com propósitos específicos dentro do campo da educação do pensamento, do sentimento e da vontade.

E, se como afirma o Assistente Calderaro a André Luiz, em No Mundo Maior, ninguém pode ensinar caminhos que não haja percorrido, o Espírito que assume o papel de evangelizador de Espíritos assume, antes de tudo, um compromisso consigo mesmo de aperfeiçoamento cotidiano dos pensamentos doentes, da vontade frágil e dos sentimentos nublados pelas sensações materiais.

No caso específico do encontro, cada dupla de evangelizadores ficou responsável por apresentar aos jovens uma história exemplar de Espíritos que vivenciaram difíceis, mas profundas, transformações diante do encontro com Jesus. Os selecionados foram: Pedro, Paulo, Bartolomeu, Joana de Cusa, Maria de Nazaré e Maria Madalena.

O objetivo não era fazer relato histórico, nem ler textos biográficos sobre esses Espíritos, mas conduzir os participantes a perceberem os sentimentos envolvidos no processo de transformação de cada um desses seguidores do Cristo, de forma a que pudessem perceber também em si a necessidade de mudanças, bem como possíveis caminhos para levá-las a efeito.

Enquanto a Bruna ficou responsável pela imersão na figura de Pedro, eu optei por Maria Madalena. Vimos filmes, devoramos os Evangelhos, esmiuçamos obras como Boa Nova e Paulo e Estevão... Nos munimos de todas as informações possíveis sobre essas figuras extraordinárias, como meios para chegarmos ao fim de nos aproximar espiritualmente delas, procurando vivenciar o desafio árduo de trazer a transformação por que passaram, de alguma forma, para as nossas vidas.

O que posso dizer, sem entrar nos detalhes que só são compreensíveis por quem vivencia a experiência, é que foi um processo extremamente enriquecedor para nós! Como forma de oferecer pelo menos uma pálida impressão do que pudemos experimentar, trazemos um clip da canção A História de Madalena, letra e música do grande compositor espírita mineiro Willi de Barros, aqui interpretada de forma impressionante pela artista espírita Cacau. Foi a canção-prece com que encerramos esse que foi apenas um, dos vários momentos especialíssimos que compuseram o Encontro de Jovens...

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A Evangelização de Espíritos


Falávamos na semana passada sobre nossa vivência na Terra de Ismael, instituição espírita paulista dedicada à Evangelização de Espíritos, com foco na educação pelo contato com a natureza. Acreditamos que esta última parte, a da natureza, tenha ficado razoavelmente clara. Ou, pelo menos, tão clara quanto possível para quem não viveu pessoalmente o processo.

Mas, o que é exatamente a Evangelização de Espíritos? Aqui, mais uma vez, vamos falar de nossas próprias experiências. Afinal, sobre o que podemos falar com propriedade senão sobre aquilo que vivemos? 

Pois bem: se no domingo (18)  à noite retornávamos a Belo Horizonte, vindos de Jardinópolis (SP), na sexta-feira seguinte (23) tomávamos novamente a estrada para outros quase 500 quilômetros de viagem. Desta vez, o destino era o município de Sacramento, no Triângulo Mineiro, célebre berço do educador espírita Eurípedes Barsanulfo e do Colégio Allan Kardec, a primeira escola espírita do Brasil, onde já havíamos estado em novembro do ano passado.

Chegamos à antiga sede do Colégio, que hoje abriga o Grupo Espírita Esperança e Caridade, a tempo de assistir à palestra de abertura do 42º Encontro de Evangelização de Espíritos promovido pela instituição. Tanto o evento, que acontece a cada 6 meses, quanto a exposição inicial tiveram como tema Evangelização de Espíritos: um método profilático para combater os males do Espírito.

Ao longo de pouco mais de uma hora, Alzira Bessa Amui falou para mais de 300 evangelizadores e interessados sobre o caráter essencialmente auto-educativo dessa metodologia, que tem na percepção permanente de si como Espírito em trânsito na Escola da Terra a base de sua proposta. Em suma, ser evangelizador exige do Espírito, antes de tudo, viver como um evangelizando, sempre disposto a aprender e servir.

No dia seguinte, passamos o dia inteiro na turma dos iniciantes, já que era nossa primeira participação nesse encontro. Foram quatro módulos de estudo: 1) A Evangelização de Espíritos; 2) os Recursos utilizados na Evangelização; 3) os Atributos do Espírito; e 4) Planejamento Reencarnatório.

O primeiro módulo nos ofereceu uma visão geral da Evangelização como uma metodologia absolutamente calcada na Codificação Kardequiana e nas obras de André Luiz e Emmanuel, que dá continuidade ao trabalho revolucionário desenvolvido por Eurípedes Barsanulfo no início do século XX e se desenvolve hoje sob a orientação espiritual do próprio educador mineiro

Como proposta metodológica, ela procura instrumentalizar o espírita com recursos específicos capazes de estimulá-lo a, mais do que acreditar que é um Espírito, permitir-se viver como um, atento às próprias criações mentais e aos sentimentos que experimenta. Sempre focado no autoconhecimento e na importância de refletir sobre o conhecimento que adquire, de forma a traduzi-lo sistematicamente em alimento para a alma, em base sólida para a elevação do pensamento e para a depuração dos sentimentos.

Os recursos para isso? De modo geral, velhos conhecidos de todos nós: a palavra, a reflexão, a arte, a assistência fraterna e o contato com a natureza. A diferença está na percepção de si e dos educandos como Espíritos dotados de uma bagagem inestimável de experiências pessoais que demandam mais o estímulo para o Bem do que a tradicional doutrinação verbal.

Assim, cabe ao evangelizador falar com clareza e simplicidade dos conteúdos a que se propõe, sempre procurando estimular a reflexão, a apropriação do conhecimento pelos evangelizandos em prol de seu crescimento como Espíritos. A meta de toda informação compartilhada é suscitar reflexão capaz de fomentar a renovação dos sentimentos que vibram na alma. Para tanto, o uso refletido e sentido dos recursos de que falamos é determinante.

Naturalmente, para que o evangelizador possa desenvolver um processo educativo eficiente ele precisa saber reconhecer em si, em suas tendências profundas e seus anseios mais íntimos, as pistas para a compreensão do próprio planejamento reencarnatório. Uma vez experimentado nesse processo, que tende a ser longo, mas extremamente enriquecedor, ele pode se entregar à tarefa de sondar quais as lições mais prementes que os seus Espíritos evangelizandos vieram aprender neste mundo e, por tabela, qual a melhor contribuição que tem a oferecer para para a realização dos objetivos existenciais deles.

Bom, o texto já tá enorme pros padrões do nosso blog, então, ficamos por aqui! E olha que isso é apenas um breve resumo do que temos aprendido ao longo desse últimos dez meses de engajamento crescente no Grupo Espírita Paz e Harmonia, em Belo Horizonte, casa criada há 7 anos com o objetivo de aplicar em todas as suas atividades a Evangelização de Espíritos. A visita a Sacramento só nos ajudou a sistematizar na mente a lógica por trás das mudanças profundas que temos sentido na alma graças a essa oportunidade bendita de rever conceitos e repensar posturas que Jesus nos tem oferecido por aqui...



Daqui para a frente, tem muito mais sobre o tema no blog Espírito de Arte!

Romário

terça-feira, 27 de julho de 2010

A Natureza na Educação do Espírito

Nesse mês de julho, enquanto a ala cearense do Espírito de Arte investiu nos encontros do IAP!, a ala mineira se concentrou na busca por aperfeiçoamento no campo da Educação do Espírito. Ação de lá, capacitação de cá, sempre convergindo para os mesmos objetivos pedagógicos e espirituais.


No último dia 16, pegamos a estrada para o município paulista de Jardinópolis, vizinho a Ribeirão Preto. Nosso destino foi um sítio encantador no distrito de Jurecê, onde funciona a Casa Espírita Terra de Ismael. Hospedados na casa da Vó Carmem, trabalhadora espírita com décadas de serviço à causa do Bem, pudemos passar por uma imersão total na atmosfera abençoada daquele local.

A Terra de Ismael se materializou neste lado da Vida em 1996 com o objetivo de promover entre seus integrantes e divulgar para os interessados uma metodologia pedagógica conhecida como Evangelização de Espíritos. Como uma proposta pertencente ao domínio da Pedagogia Espírita, a Evangelização tem na educação pelo contato com a natureza um de seus recursos mais importantes.

E foi justamente para nos aprofundar nas possibilidades educativas deste recurso que nós fomos até lá. É que a cada quatro meses, a casa promove um encontro conhecido como Xarope, no qual trabalhadores espíritas de várias cidades se reúnem para ajudar na produção de remédios fitoterápicos, multimisturas, temperos aromáticos e outros compostos produzidos regularmente pela Terra de Ismael.

Olhando de fora, o trabalho dos voluntários consiste basicamente em despetalar flores, picar folhas, separar ramos e lavar raízes até que se atinjam as quantidade exigidas para cada componente, dentro da respectiva receita. Mas o trabalho verdadeiro - aquele em que o contato com a natureza se revela um poderoso recurso pedagógico - é o de concentração, reflexão e elevação do pensamento a que somos todos estimulados durante todo o procedimento.

Produzir xaropes e compostos terapêuticos que serão receitados por médicos voluntários a centenas de pessoas carentes é de uma relevância que não poderia ser posta em dúvida. Porém, esse propósito nada mais é do que o resultado mensurável de um processo muito mais rico, sutil e espiritualmente transformador.

Afinal, é sob a proteção dos Bons Espíritos invocados pela prece sincera que o trabalho se desenvolve. Uma influência que potencializa a capacidade de sensibilização da música espírita executada ao vivo nos locais de trabalho. Com isso, cria-se o estímulo ideal para que os Espírito encarnados envolvidos por horas a fio com a manipulação de vegetais possam se transformar à medida que elaboram compostos naturais capazes de restaurar a vitalidade aos doentes.

A prova de que funciona? Além do estado de espírito sereno que nos dominou por muitos dias, a Bruna, que sempre foi de apartamento e chão limpinho já está sonhando com uma casinha com horta e jardim para os próximos anos! As plantinhas aqui do nosso apartamento já ganharam cuidados redobrados e nós estamos pesquisando as melhores soluções para criar uma horta em apartamento...


Além disso, o PH2, projeto do Grupo Espírita Paz e Harmonia (nossa segunda casa!) dedicado à educação pela natureza, ganhou definitivamente dois novos trabalhadores convictos e dispostos a servir! Em setembro, voltamos à Terra de Ismael para continuar a aprender e nos reabastecer.

Romário Fernandes