Chico Xavier em prosa e verso
Vai poesia aí? Se preferir tem prosa também. Tudo da melhor qualidade. Inspirado na vivência espírita de Merlânio Maia e enriquecido pela forte ligação desse cantador com a cultura popular nordestina. O resultado são belas páginas de homenagem a uma das figuras mais marcantes da espiritualidade nacional. O livro Contos, Causos e Poesia de Chico Amor Xavier foi lançado no último dia 11, durante o Intermédium, Fórum de Debates sobre Mediunidade realizado anualmente em Recife. Eis a obra, nas palavras do próprio autor:
Este é um presente para palestrantes ilustrarem suas falas e conferências, complemento importante para as aulas de evangelização infanto-juvenil e para Estudos Sistematizados. Excelente leitura para os cultos de Evangelho no Lar, além de diversão e lazer sublime para iluminar nossas mentes com o bom humor de "Chico Amor Xavier" e seu amor incondicional.
Ficou curioso? Pois segue abaixo um aperitivo para "degustação poética", como gosta de dizer Merlânio. Detalhes de compra e outras informações, e-mail para merlanio@gmail.com.
Vai, Chico Amor Xavier!
Desprendeu-se a imensa estrela
Que nas terras do Cruzeiro
Iluminava os caídos
E brilhava o tempo inteiro
Quantos sob as suas luzes
Deitavam ásperas cruzes!?
E no sagrado mister
Quanto pranto ele enxugava
Enquanto a luz espalhava?!
Foi Chico Amor Xavier
Duma casa tosca e simples
Bem no coração do mundo
Essa estrela iluminava
Brilho de Deus oriundo
Quantas páginas do além
Que semeavam o bem?!
Quantos momentos na história
Disseminou-se tal paz?
E em quantos momentos mais
A Terra teve tal glória?!
Segue Chico Xavier
Pelos espaços azuis
Qual astro luminescente
Deixando um rastro de luz
Rastro dum amor tão profundo
Sai do Coração do Mundo
E a Terra inteira alcança
Nos teus noventa e dois anos
Vividos entre os dois planos
Sempre levando esperança
Vai seguindo Chico Amor
Sob os aplausos e as glórias
Do mundo espiritual
Levando as tuas vitórias
Pois ao mundo tu venceste
Na missão que escolheste
Num mundo de expiação
A retirar tanto espinho
Iluminando o caminho
Com imensa devoção
Santa mediunidade
Com que desvelaste a vida
Livros, livros e mais livros
Qual cascata incontida
Muito mais de quatrocentos
Nos teus íntimos momentos
A produzir sem parar
Uns de inconteste poesia,
Romances, filosofia,
Sempre a psicografar
E os autores mais sublimes
Emmanuel, André Luis
Maria João de Deus
Irmão Jacob, Irmão X,
Cornélio Pires, Meimei,
Tantos poetas achei
No Parnaso de Além Túmulo
Além de outros não citados
De jovens desencarnados
Fazendo de livro acúmulo
A Terra entende o recado
Da tua missão sublime
Muitos atendem ao chamado
Que o teu viver imprime
Apóstolo da caridade
A viver a Cristandade
Que tal Doutrina traduz
De quem serviu e amou
Viveu e exemplificou
Allan Kardec e Jesus
Avante Estrela Sublime
Rumo as Esferas Celestes
Pois que tens merecimento
Pelo exemplo que nos destes
Mesmo em grande sofrimento
Não paravas um momento
Consolando em teu mister
Socorrendo, amparando,
Estancando choro e amando
Chico de Luz Xavier
Leva os nossos sentimentos
De amor e de gratidão
Pois te somos gratos, Chico
Por tuas sagradas mãos
Sempre a espalhar mensagens
Trazidas das outras margens
Provando que há vida além
Fazendo a diferença
De quem se vestiu de crença
Pra o mundo encontrar o BEM!
Vai, Chico, leva a alegria
De quem só espalhou luz
Como apóstolo devotado
Vai te encontrar com Jesus
Vai receber as medalhas
De quem venceu as batalhas
Aureolado na Fé
Vai beber da água pura
Do carinho e da ternura
Do Mestre de Nazaré
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sábado, 24 de abril de 2010
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Mais
Um poema, duas homenagens
Fazemos aqui uma homenagem simples aos dois homens mais lembrados desse país no dia de hoje: Chico Xavier e, é claro, Jesus. O primeiro pelo centenário de retorno às provas e lições deste mundo. O segundo, pelos quase 2000 anos de retorno ao Mundo Real, que nos aguarda a todos, mais cedo ou mais tarde. E como o primeiro se considerasse um simples servidor e discípulo do segundo, aproveitamos um dos mais belos poemas que brotaram até hoje das mãos do médium mineiro, intitulado Jesus ou Barrabás? para ilustrar essa dupla homenagem, mais do que merecida, a dois homens que nos trouxeram um contributo inestimável, cada qual a seu modo e na medida de sua realização espiritual.
No link que segue abaixo: http://espiritodearte.blogspot.com/2008/07/contedo-extra_07.html!
Fazemos aqui uma homenagem simples aos dois homens mais lembrados desse país no dia de hoje: Chico Xavier e, é claro, Jesus. O primeiro pelo centenário de retorno às provas e lições deste mundo. O segundo, pelos quase 2000 anos de retorno ao Mundo Real, que nos aguarda a todos, mais cedo ou mais tarde. E como o primeiro se considerasse um simples servidor e discípulo do segundo, aproveitamos um dos mais belos poemas que brotaram até hoje das mãos do médium mineiro, intitulado Jesus ou Barrabás? para ilustrar essa dupla homenagem, mais do que merecida, a dois homens que nos trouxeram um contributo inestimável, cada qual a seu modo e na medida de sua realização espiritual.No link que segue abaixo: http://espiritodearte.blogspot.com/2008/07/contedo-extra_07.html!
segunda-feira, 1 de março de 2010
Idéias
E a literatura dos espíritas, cadê?
Vamos pensar um pouco sobre literatura espírita... Quantos romancistas espíritas você conhece? E cronistas? E contistas? Supondo que conheça algum, ele possui livros publicados com trabalhos literários de cunho espírita? Novamente supondo que sim, você já comprou, leu ou pelo menos ouviu comentários sobre alguma das obras desse autor?



É até possível, ainda que altamente improvável, encontrar alguém capaz de responder "sim" a todas essas perguntas. Certamente, não por falta de quem leia, já que a literatura espírita movimenta anualmente milhões de reais só no Brasil. São centenas de novos títulos lançados todos os anos, fora os relançamentos e as reedições de obras consagradas.
O problema é que as obras literárias propriamente ditas (nem de doutrinação, nem de estudo, nem de pesquisa) parecem ficar a cargo exclusivo dos Espíritos. Livros com textos atribuídos a escritores desencarnados, com contos, crônicas e romances, chegam a rodo às livrarias espíritas e não-espíritas!
Mas quando se trata de publicar uma bela narrativa vazada da sensibilidade de um Espírito encarnado, recheada de sua vivência como adepto do espiritismo e capaz de sensibilizar outras almas, aí parece que o processo trava. Será na inspiração dos escritores espíritas? Será no estímulo para escrever? Ou será no interesse das editoras...?
Seja como for, tivemos oportunidade de encontrar ontem mesmo um bela evidência de que há quem escreva - e escreva bem - deixando vazar sentimentos e experiências ligadas à vivência espírita. Com bom humor, maturidade e sensibilidade.
Essas características nós identificamos no blog Perfume Espiritual, uma página cheirosa no nome e na primeira impressão que os frascos floridos do cabeçalho causam ao leitor. O blog é assinado por Bia Molica, ou simplesmente Bia.
São textos reflexivos, boa música, belas imagens e, o que nos chamou especialmente a atenção, crônicas do cotidiano espírita. Como sugestão, deixamos esta aqui: http://perfumeespiritual.blogspot.com/amediumquebatianomarido.html, sobre a curiosa mediunidade de socofonia...
À autora, desejamos que continuem as boas inspirações e que se mantenha a perseverança na tarefa abraçada! Com a certeza da presença de Deus em toda ação nascida do Bem e a Ele direcionada.
PS: Deixamos de lado intencionalmente a poesia feita por espíritas, que recebe um pouco mais de valor que as outras formas literárias. Entre os grandes trabalhadores dessa seara, não poderíamos deixar de destacar o cantador paraibano Merlânio Maia, que mantém blog próprio: http://merlaniomaia.blogspot.com/, o poeta e compositor cearense Tarcísio Lima: http://tarcisiojoselima.blogspot.com e o mineiro Gladston Lage, que, entre outros trabalhos, traduziu em 72 sonetos a obra Paulo e Estevão.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
A curiosa biblioteca espírita de Kardec
Algumas semanas atrás, tivemos oportunidade de retomar o rastro de uma obra há muito esquecida. Por nós e por quase todos os espíritas do mundo. Ou você já ouviu falar do Catálogo racional: obras para se fundar uma Biblioteca Espírita, último livro escrito e publicado por ninguém mais, ninguém menos, que Allan Kardec?
Certamente, não se trata de uma "obra básica" equiparável em importância a O Livro dos Espíritos ou ao Evangelho segundo o Espiritismo. Contudo, em algumas dezenas de páginas, é possível apreender lições valiosas. Nelas, Kardec nos traz exemplos concretos de como entendia a relação a ser estabelecida entre o espiritismo e a cultura geral.
E revela a cada página uma visão incrivelmente aberta, plural e rara de se encontrar hoje em dia entre nós. Dizemos "nós" porque também fomos surpreendidos com a indicação de textos teatrais, partituras musicais, obras materialistas, niilistas, anti-espíritas, espiritólicas e até dos controversos Quatro Evangelhos de J.B. Roustaing...
A primeira seção do Catálogo é curta e sem surpresas. Ela é dedicada às obras fundamentais da doutrina - aquelas escritas por Kardec. Toda a Codificação, mais O que é o espiritismo?, Revista Espírita, O caráter da revelação espírita, Viagem espírita em 1862 e O espiritismo na sua expressão mais simples estão indicadas ali.
A segunda, bem mais extensa, guarda as primeiras indicações inusitadas. Ela reúne obras escritas sob influência do espiritismo, umas mediúnicas, outras não, que Kardec julgava "complementares da doutrina", em suas próprias palavras. Umas das primeiras sugestões é a do livro Revelações de além-túmulo, compilado por Henry Dozon, a partir de evocações que fazia por intermédio da esposa. Na foto abaixo, pode-se ler a descrição que o codificador faz da obra.
É ou não é o que hoje chamaríamos de um texto espiritólico, essa categoria desprezada tão frequentemente hoje por alguns companheiros espíritas?! Mas essa é só pra esquentar... Logo à frente vem Estudos e sessões espíritas, organizado por um "doutor Houat", que traz tão somente instruções sobre homeopatia obtidas mediunicamente. Detalhe: nada de psicografia. O doutor passou um ano realizando sessões de tiptologia, aquele velho toc toc na mesa a indicar letras e números, para compor a obra... Um sujeito paciente, sem dúvida!
A seguir... O próprio, quase inominável para alguns: Roustaing e seus Evangelhos (Os quatro), seguidos dos mandamentos, explicados em espírito e em verdade pelos evangelistas, como se vê abaixo:
A despeito da ressalva e da indicação de leitura do artigo de A Gênese que refuta a teoria do corpo fluídico, Kardec não deixa de indicar a obra. Provavelmente por julgar que ela tem uma contribuição a oferecer, independente do ponto duvidoso que defende. Mais ou menos como o livro Dos Espíritos e de suas Manifestações Fluídicas, de Jules de Mirville, obra que antecedeu O Livro dos Espíritos na defesa da explicação espiritual para as mesas girantes... Só que atribuindo tudo ao Capeta e seus companheiros. A explicação que Kardec dá abaixo resume a postura que o movia, centrada no fundo, mais que na forma, e alheia a preciosismos.
Ainda nesta seção, o codificador dedica capítulos exclusivos à poesia e à música. Encontramos ali a indicação de três precursores do Parnaso de Além-Túmulo, como se vê na foto.
Só que a parte mais interessante fica na seção musical. Ao lado de duas partituras mediúnicas, atribuídas respectivamente aos Espírito de Bach e Mozart, temos duas partituras compostas por espíritas, intituladas Cantata Espírita, com acompanhamento para piano, Herczka e Toussaint, eRecordação Espírita, capricho noturno para piano por C. Constant. Peças que podem ser consideradas genuinamente como as duas primeiras composições musicais espíritas feitas na história! Infelizmente, não nos chegaram as partituras propriamente ditas...
A seguir, vem a terceira sessão, Obras Realizadas Fora do Espiritismo, por meio da qual Kardec mostra um pouco mais de sua abertura para o mundo. São cerca de cem obras históricas, filosóficas e científicas, além de romances e textos teatrais, totalmente independentes do espiritismo, mas que apresentam uma boa possibilidade de diálogo com a doutrina.
Destacamos A Bíblia na Índia, de Louis Jacolliot, que versa sobre as relações entre cristianismo e hinduísmo; Buda e sua religião e Maomé e o Alcorão, ambos de Barthélémy Saint-Hilare, focados respectivamente nos ensinamentos budistas e muçulmanos; O Protestantismo Liberal, do pastor Bost; e Viagens à China, do missionário vicentino Evariste Huc.
E em meio aos infindáveis debates sobre se tal romance é ou não espírita, se é "real" ou "fantasioso" e se merece ou não figurar em livrarias espíritas, vejamos o que disse Kardec antes de indicar obras de George Sand, Charles Dickens, Edgar Allan Poe, Alexandre Dumas e Balzac:
Acho que o recado de tolerância e foco nas contribuições positivas, para além das diferenças aumentadas à base de lupa e microscópio, não poderia ser mais claro...
Por fim, chegamos à última e mais inesperada de todas as seções, intitulada Obras contra o Espiritismo. Já imaginou uma biblioteca espírita moderna, oferecendo ao público Deus, um delírio, de Richard Dawkins ou O mundo assombrado por demônios, de Carl Sagan?!
Pois Kardec não só estimulava a presença de obras desse náipe em sua biblioteca espírita, como explicava em alto e bom tom o porquê:
Proibir um livro é dar mostras de que o tememos. O Espiritismo, longe de temer a divulgação dos escritos publicados contra ele e interditar a sua leitura aos adeptos, chama a atenção destes e do público para tais obras, a fim de que possam julgar por comparação.
É, ainda há um longo caminho pela frente até que consigamos nos equiparar a essa mentalidade aberta, tolerante e cooperativa... De 140 anos atrás! E àquela de quase dois mil anos, então...? Deixa pra lá...
sábado, 16 de janeiro de 2010
Mais
Afinal, onde fica o mundo espiritual?

Num primeiro momento, a tendência é associar os novos nomes às velhas imagens do Paraíso e do Purgatório. À medida que se escuta falar a respeito, a maioria parte para a leitura dos romances mediúnicos. Livros psicografados pelas médiuns Vera Lúcia Marinzeck e Zíbia Gasparetto costumam ser os responsáveis pelas primeiras impressões dos estudiosos da doutrina sobre o mundo espiritual.
Alguns se contentam com essas e outras obras mais simples, a exemplo das assinadas pelo Espírito Luiz Sérgio, enquanto outros partem para romances mais "densos", como os de Chico Xavier, Divaldo Franco e Ivone Pereira. Nos últimos anos, surgiu ainda uma opção alternativa, densa e, segundo alguns, fantasiosa, representada pelas controversas obras de Robson Pinheiro.
O certo é que, apesar das enormes diferenças de narrativa, enredo e profundidade moral/espiritual que há entre os romances mediúnicos, em linhas gerais, existe uma grande semelhança na forma de descrever o funcionamento das coisas do lado de lá.

Espíritos afins tendem naturalmente a se reunir em lugares "construídos" por um processo conhecido como ideoplastia, que permitiria a manipulação de matéria "menos densa" ou "quintessenciada" por parte dos Espíritos. Assim, lemos a descrição de casa, apartamentos, ruas, parques, veículos e uma infinidade de coisas que fazem do mundo espiritual uma versão aperfeiçoada do nosso.
Para a pergunta onde exatamente fica uma cidade espiritual?, há indicações de certa forma precisas, como a de que Nosso Lar ficaria "sobre" a capital carioca. Já para a pergunta e por que ninguém capta a presença dela, os aviões não se chocam, nem ninguém vê com um telescópio?, a coisa começa a complicar. Alguns vão falar que a matéria de que é feita seria "muito sutil", ou que vibraria numa "frequência" diferente ou ainda que seria uma questão de "densidade".
Respostas que tentam ser científicas, mas que passam longe do rigor exigido por esse campo do conhecimento, além de criarem uma série de outros problemas práticos que não vem ao caso discutir agora.
Contudo, tivemos recentemente a oportunidade de assistir a um vídeo muito curioso, que integra o famoso filme What the bleep we know?. E ali sim encontramos uma explicação que parece ao mesmo tempo coerente com a proposta espírita e com o conhecimento científico. Na pior das hipóteses, foi a melhor que já encontramos. Com você, a visita do Dr. Quantum à Planolândia:
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Mais
Um Ano Novo Pai D'Égua!
Ano novo, momento simbólico de recomeçar, repensar e acertar novos rumos para a existência. Começamos essa nova etapa, primeiro dia de uma nova década, com um belo repente de Merlânio Maia, irmão de ideal, poeta e cantador espírita lá da Paraíba. Um texto alegre, descontraído, que fala a linguagem popular do Nordeste e guarda um otimismo contagiante e espiritualizado. Com vocês, Um Ano Novo Pai D'Égua!

Deus lhe dê tudo o que quer
Peleja, trabalho, treta,
Os carim duma mulher
Desarrede o negativo
Abufele o positivo
Tenha o horizonte por régua
Num tenha medo da vida
Tenha o céu como medida
E um sucesso pai dégua
Macho véi, felicidade
É pra se pegar de unha
Num aceite a falsidade
Que é onde a maldade acunha
Num se agonie no camim
Nem permita o farnizim
Num esmoreça seje macho
Corra o mundo, ande légua,
E até na baixa da égua
Que o buraco é mais embaixo
Vá anotano os seus querê
Tudo o que você deseje
Dipendure onde se vê
Leia pra que num fraqueje!
Seja um cão chupano manga
Teja de terno ou de tanga
Nunca espere vá buscar
Persistência atrai sucesso
Que vai fazer seu progresso
Quando menos esperar
No amor num se arrelie
Peleja, trabalho, treta,
Os carim duma mulher
Desarrede o negativo
Abufele o positivo
Tenha o horizonte por régua
Num tenha medo da vida
Tenha o céu como medida
E um sucesso pai dégua
Macho véi, felicidade
É pra se pegar de unha
Num aceite a falsidade
Que é onde a maldade acunha
Num se agonie no camim
Nem permita o farnizim
Num esmoreça seje macho
Corra o mundo, ande légua,
E até na baixa da égua
Que o buraco é mais embaixo
Vá anotano os seus querê
Tudo o que você deseje
Dipendure onde se vê
Leia pra que num fraqueje!
Seja um cão chupano manga
Teja de terno ou de tanga
Nunca espere vá buscar
Persistência atrai sucesso
Que vai fazer seu progresso
Quando menos esperar
No amor num se arrelie

Nem só fique arrodiano
Num bata fofo, se avie
Se avexe e faça um bom plano
Mas fique limpo na nota
Num pegue qualquer marmota
Nem viva de fulerage
Cachorro é quem pega peba
Num viva de mistureba
Nas grota da vadiage
Amor é uma corralinda
Mas num seje um farofêro
Num peça pinico ainda
Seja o galo do terrêro
Pastore que a hora chega
Gato gosta é de mantêga
Dê um bote devagar
Mas dêxe as unhas de fora
Que esse seu cabresto tóra
Antes do ovo gorar
Comece o novo ano
Num bata fofo, se avie
Se avexe e faça um bom plano
Mas fique limpo na nota
Num pegue qualquer marmota
Nem viva de fulerage
Cachorro é quem pega peba
Num viva de mistureba
Nas grota da vadiage
Amor é uma corralinda
Mas num seje um farofêro
Num peça pinico ainda
Seja o galo do terrêro
Pastore que a hora chega
Gato gosta é de mantêga
Dê um bote devagar
Mas dêxe as unhas de fora
Que esse seu cabresto tóra
Antes do ovo gorar
Comece o novo ano
Sem os erros do passado
Chô mundiça! É o novo plano
Chô mundiça! É o novo plano

Chame a sorte pro seu lado
Muche as orêia e rebole
No mato tudo que é mole
Grite do alto do nordeste
Muche as orêia e rebole
No mato tudo que é mole
Grite do alto do nordeste
- Eu sou herdeiro de Deus
Os mundos também são meus
Oxente, cabra da peste!
Agora sim, tás mais forte
Os mundos também são meus
Oxente, cabra da peste!
Agora sim, tás mais forte
Seje feliz dicum força
Nosso Sinhô sendo o norte
Brinque, dance, grite e torça
Nada há de lhe derrubar
Comece logo a sonhar
Com a Paz que nunca dá trégua
O poeta ainda lhe diz
CABRA VÉI, SEJE FELIZ,
E UM ANO NOVO PAI DÉGUA!
Nosso Sinhô sendo o norte
Brinque, dance, grite e torça
Nada há de lhe derrubar
Comece logo a sonhar
Com a Paz que nunca dá trégua
O poeta ainda lhe diz
CABRA VÉI, SEJE FELIZ,
E UM ANO NOVO PAI DÉGUA!
segunda-feira, 4 de maio de 2009
De relance
CD de Tarcísio Lima
Quem comprou, comprou. Agora, só quando sair o CD. As vendas antecipadas do álbum duplo Tarcísio José de Lima canta Doutrina Espírita terminaram. Segundo a produção, não há mais unidades disponíveis. A boa notícia é que o disco já deve estar nos pontos de venda na última semana de maio. A venda dos ingressos individuais para o show de lançamento (09/07) só começa em junho. E, cá entre nós, é bom comprar logo nos primeiros dias. Senão...
Livro do Grupo Fantasia
E o Grupo Fantasia, de Maracanaú (CE), virou tema de pesquisa acadêmica. Coisa rara, senão inédita, até agora, entre grupos ligados à arte espírita. O trabalho de pós-doutorado da professora Ercília Braga, da UFC, mergulha no universo de Esperança, Responsabilidade e Alegria desses trabalhadores do bem. E desenvolve um trabalho autobiográfico em que pesquisador e objeto se confundem de forma supreendente! O lançamento oficial aconteceu no último dia 19, na cidade natal do grupo. Agora, há um segundo evento, dessa vez em Fortaleza, previsto para o fim do mês. Mais detalhes em breve.
Arte no Lar Fabiano de Cristo
E o blog do Cantar É Viver informa que 31 de maio será um Dia da Arte Espírita, em Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza. O evento acontece no Lar Fabiano de Cristo da Jurema, a partir das 15h30. Estão confirmados os grupos Cativar, Cantar É Viver, Lema, Riso de Deus, Fantasia e Ame, além das participações de Tarcísio Lima e Jorge Anastácio. O ingresso sai a simbólicos R$3,00.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Mais
Renato Russo de Além-Túmulo?
A bondade é o que desperta, somos anjos na floresta
Tentando achar a luz;
Quero todos, quero o mundo, quero você e tudo mais;
O inseto tem armas, mas não fere a flor que o alimenta,
Assim serei contigo e com todos que me saciam,
A sede incontida de amar.
Esse é um trecho do poema O amor, você e algo mais, atribuído pelo médium cearense Sérgio Luís ao Espírito Ruggeri Rubens. O texto faz parte da obra Sempre Há uma Luz, lançada em 2001 pela editora DPL. O romance trata da experiência post-mortem de um grande roqueiro do Brasil. Desligamento do corpo antes da cremação, passagem pelos palcos do umbral, redenção, participação em ações de apoio aos encarnados...
A intenção do autor é muito clara: associar o protagonista da trama ao compositor Renato Russo. Desde o título, baseado num verso da canção A Via Láctea, até os nomes dos capítulos, tudo faz lembrar a obra do líder da Legião Urbana: a morte por complicações decorrentes da AIDS, a cremação, as referências ao gosto pelo cinema, à cultura italiana, à homossexualidade...
Mas, afinal, quem é mesmo o autor do romance? Deixamos ao leitor a tarefa de formar a própria opinião. Aos interessados, eis onde adquirir a obra a preços módicos:
http://www.dpl.com.br/edicoes-dpl/446-sempre-ha-uma-luz
E pra quem ficou curioso, basta clicar no link abaixo para ter acesso ao poema na íntegra.
http://espiritodearte.blogspot.com/2008/07/conteudo-extra_03.html
Que acharam?
A bondade é o que desperta, somos anjos na floresta
Tentando achar a luz;
Quero todos, quero o mundo, quero você e tudo mais;
O inseto tem armas, mas não fere a flor que o alimenta,
Assim serei contigo e com todos que me saciam,
A sede incontida de amar.
Esse é um trecho do poema O amor, você e algo mais, atribuído pelo médium cearense Sérgio Luís ao Espírito Ruggeri Rubens. O texto faz parte da obra Sempre Há uma Luz, lançada em 2001 pela editora DPL. O romance trata da experiência post-mortem de um grande roqueiro do Brasil. Desligamento do corpo antes da cremação, passagem pelos palcos do umbral, redenção, participação em ações de apoio aos encarnados...A intenção do autor é muito clara: associar o protagonista da trama ao compositor Renato Russo. Desde o título, baseado num verso da canção A Via Láctea, até os nomes dos capítulos, tudo faz lembrar a obra do líder da Legião Urbana: a morte por complicações decorrentes da AIDS, a cremação, as referências ao gosto pelo cinema, à cultura italiana, à homossexualidade...
Mas, afinal, quem é mesmo o autor do romance? Deixamos ao leitor a tarefa de formar a própria opinião. Aos interessados, eis onde adquirir a obra a preços módicos:
http://www.dpl.com.br/edicoes-dpl/446-sempre-ha-uma-luz
E pra quem ficou curioso, basta clicar no link abaixo para ter acesso ao poema na íntegra.
http://espiritodearte.blogspot.com/2008/07/conteudo-extra_03.html
Que acharam?
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Mais
O Desafio do Soneto Espírita
Imagine o que pode brotar de uma jovem mente espírita empolgada com Parnaso e disposta a desbancar ninguém menos que Chico Buarque em técnica poética! Era eu, aos 17 anos. Com aquele jeitão erudito de escrever já incorporado, cismei de fazer um soneto todo em rimas proparoxítonas de verdade! Se o Chico (o Buarque!) era louvado por Construção, que se baseia na premissa de que quaisquer palavras proparoxítonas rimam entre si, qual não seria o resultado de um texto em que mágica rimasse com trágica, e não com sólido, nem com lógico. Ainda mais com rimas ricas e temática espírita... O produto final dessa ousadia juvenil foi batizado de Excelsa Prática. Levou uns dois meses pra ficar pronto, chegou a ganhar até uns concursos de poesia na época e fica agora à disposição para a crítica no link abaixo!
http://espiritodearte.blogspot.com/2008/07/conteudo-extra.html
Romário
Imagine o que pode brotar de uma jovem mente espírita empolgada com Parnaso e disposta a desbancar ninguém menos que Chico Buarque em técnica poética! Era eu, aos 17 anos. Com aquele jeitão erudito de escrever já incorporado, cismei de fazer um soneto todo em rimas proparoxítonas de verdade! Se o Chico (o Buarque!) era louvado por Construção, que se baseia na premissa de que quaisquer palavras proparoxítonas rimam entre si, qual não seria o resultado de um texto em que mágica rimasse com trágica, e não com sólido, nem com lógico. Ainda mais com rimas ricas e temática espírita... O produto final dessa ousadia juvenil foi batizado de Excelsa Prática. Levou uns dois meses pra ficar pronto, chegou a ganhar até uns concursos de poesia na época e fica agora à disposição para a crítica no link abaixo!http://espiritodearte.blogspot.com/2008/07/conteudo-extra.html
Romário
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Mais
Kardec avalia o ano que passou
Não, não se trata de nenhum suposto texto mediúnico. Tampouco era Kardec prevendo o futuro. O que nos chamou a atenção foi o fato de, há 140 anos, o codificador do espiritismo ter feito uma avaliação curiosamente atual sobre o desenvolvimento da doutrina no ano que terminara. Em janeiro de 1868, ele avalia o ano de 1867 no artigo Golpe de Vista Retrospectivo. E revela uma série de acontecimentos e situações que caberiam bem numa avaliação sobre o ano que acaba nas próximas horas. Confira os trechos mais interessantes:
O ano (...) havia sido anunciado como devendo ser particularmente proveitoso ao Espiritismo, e esta previsão realizou-se plenamente. Ele viu aparecer várias obras que, sem levar-lhe o nome, popularizam seus princípios (...) O número das sociedades ou grupos oficialmente conhecidos, é verdade, não aumentou sensivelmente; antes mesmo diminuiu em conseqüência das intrigas com a ajuda das quais procuraram miná-los, neles introduzindo elementos de dissolução; mas em contrapartida, o número das reuniões particulares ou de família cresceu numa proporção muito grande.
Além disso, é notório para todo mundo, e da própria confissão de nossos adversários, que as idéias espíritas ganharam terreno consideravelmente (...) Elas se infiltram por uma multidão de saídas; tudo a isto concorre; as coisas que, à primeira vista, ali parecem as mais estranhas, são meios com a ajuda dos quais essas idéias se fazem luz. É que o Espiritismo toca a um tão grande número de questões que é bem difícil abordar o que quer que seja sem nisso ver surgir um pensamento espírita, de tal sorte que, mesmo nos meios refratários, essas idéias eclodem sob uma forma ou sob uma outra, como essas plantas de cores variadas que brotam através das pedras. E, como nesses meios, geralmente, rejeita-se o Espiritismo por espírito de prevenção, sem saber o que ele diz, não é surpreendente que, quando os pensamentos espíritas ali aparecem, não se os reconhece, e, então, são aclamados por-que são achados bons, sem desconfiar que são do Espiritismo.
A literatura contemporânea, pequena ou grande, séria ou leviana, semeia essas idéias em profusão; ela está delas matizada, e não lhe falta absolutamente senão o nome. Se se reunissem todos os pensamentos espíritas que correm o mundo, se constituiria o Espiritismo completo. Ora, aí está um fato considerável, e um dos mais característicos do ano que acaba de se escoar. Ele prova que todos possuem dele, de si para si, elementos no estado de intuição, e que, entre seus antagonistas e ele, o mais freqüentemente, não há senão uma questão de palavras. Os que o repelem, com perfeito conhecimento de causa são aqueles que têm interesse em combatê-lo.
Mas, então, como chegar a fazê-lo conhecer para triunfar dessas prevenções? Isto é obra do tempo. É preciso que as circunstâncias o conduzam naturalmente, e pode-se contar para isto com os Espíritos que sabem fazê-las nascer em tempo oportuno. Estas circunstâncias são particulares ou gerais; as primeiras agem sobre os indivíduos e as outras sobre as massas. As últimas, pela sua repercussão, fazem o efeito de minas que, a cada explosão, levantam alguns fragmentos do rochedo.
Que cada Espírita trabalhe de seu lado, sem se desencorajar pela pouca importância do resultado obtido individualmente, e pense que à força de acumular grãos de areia forma-se uma montanha!
Gostou? Se quiser conferir o texto na íntegra, é só clicar aqui:
http://espiritodearte.blogspot.com/2008/07/contedo-extra_02.html
E Feliz Ano Novo para todos nós!!!
Não, não se trata de nenhum suposto texto mediúnico. Tampouco era Kardec prevendo o futuro. O que nos chamou a atenção foi o fato de, há 140 anos, o codificador do espiritismo ter feito uma avaliação curiosamente atual sobre o desenvolvimento da doutrina no ano que terminara. Em janeiro de 1868, ele avalia o ano de 1867 no artigo Golpe de Vista Retrospectivo. E revela uma série de acontecimentos e situações que caberiam bem numa avaliação sobre o ano que acaba nas próximas horas. Confira os trechos mais interessantes:
O ano (...) havia sido anunciado como devendo ser particularmente proveitoso ao Espiritismo, e esta previsão realizou-se plenamente. Ele viu aparecer várias obras que, sem levar-lhe o nome, popularizam seus princípios (...) O número das sociedades ou grupos oficialmente conhecidos, é verdade, não aumentou sensivelmente; antes mesmo diminuiu em conseqüência das intrigas com a ajuda das quais procuraram miná-los, neles introduzindo elementos de dissolução; mas em contrapartida, o número das reuniões particulares ou de família cresceu numa proporção muito grande.Além disso, é notório para todo mundo, e da própria confissão de nossos adversários, que as idéias espíritas ganharam terreno consideravelmente (...) Elas se infiltram por uma multidão de saídas; tudo a isto concorre; as coisas que, à primeira vista, ali parecem as mais estranhas, são meios com a ajuda dos quais essas idéias se fazem luz. É que o Espiritismo toca a um tão grande número de questões que é bem difícil abordar o que quer que seja sem nisso ver surgir um pensamento espírita, de tal sorte que, mesmo nos meios refratários, essas idéias eclodem sob uma forma ou sob uma outra, como essas plantas de cores variadas que brotam através das pedras. E, como nesses meios, geralmente, rejeita-se o Espiritismo por espírito de prevenção, sem saber o que ele diz, não é surpreendente que, quando os pensamentos espíritas ali aparecem, não se os reconhece, e, então, são aclamados por-que são achados bons, sem desconfiar que são do Espiritismo.
A literatura contemporânea, pequena ou grande, séria ou leviana, semeia essas idéias em profusão; ela está delas matizada, e não lhe falta absolutamente senão o nome. Se se reunissem todos os pensamentos espíritas que correm o mundo, se constituiria o Espiritismo completo. Ora, aí está um fato considerável, e um dos mais característicos do ano que acaba de se escoar. Ele prova que todos possuem dele, de si para si, elementos no estado de intuição, e que, entre seus antagonistas e ele, o mais freqüentemente, não há senão uma questão de palavras. Os que o repelem, com perfeito conhecimento de causa são aqueles que têm interesse em combatê-lo.
Mas, então, como chegar a fazê-lo conhecer para triunfar dessas prevenções? Isto é obra do tempo. É preciso que as circunstâncias o conduzam naturalmente, e pode-se contar para isto com os Espíritos que sabem fazê-las nascer em tempo oportuno. Estas circunstâncias são particulares ou gerais; as primeiras agem sobre os indivíduos e as outras sobre as massas. As últimas, pela sua repercussão, fazem o efeito de minas que, a cada explosão, levantam alguns fragmentos do rochedo.
Que cada Espírita trabalhe de seu lado, sem se desencorajar pela pouca importância do resultado obtido individualmente, e pense que à força de acumular grãos de areia forma-se uma montanha!
Gostou? Se quiser conferir o texto na íntegra, é só clicar aqui:
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E Feliz Ano Novo para todos nós!!!
domingo, 7 de dezembro de 2008
Mais
Por trás do Parnaso de Além-Túmulo
Versión en Español
Charlatanismo, inconsciente ou mediunidade? Qual das três hipóteses
explica melhor o fenômeno Parnaso de Além-Túmulo? Lançada em 1932, a antologia poética entrou para a história como o primeiro de mais de 400 livros atribuídos à psicografia de Chico Xavier. "...em consciência, não posso dizer que são minhas, porque não despendi nenhum esforço intelectual ao grafá-las no papel", escreveria o médium um ano antes, afastando de si qualquer mérito pela autoria dos textos.
Originalmente eram 60 poemas, que traziam assinatura de 14 autores lusófonos. Ao longo das edições seguintes foram-se incorporando mais e mais textos, até que na sexta (1955) o livro chegou à formatação final: 259 poemas e 56 autores. De Castro Alves a D. Pedro II, há versos de todo tipo, freqüentemente tratando de temas espirituais, morais ou religiosos. Que repercussão teve a obra? Vejamos alguns exemplos, extraídos do mais completo trabalho sobre o tema feito até hoje, A poesia transcendente de Parnaso de além-túmulo, de Alexandre Caroli.
Humberto de Campos, à época já ocupante da cadeira de Joaquim Manuel de Macedo na Academia Brasileira de Letras, "resume o tipo de comentário feito pelos intelectuais da época que se pronunciaram sobre o tema", nos dizeres de Caroli:
Eu faltaria, entretanto, ao dever que me é imposto pela consciência, se não confessasse que, fazendo versos pela pena do sr. Francisco Cândido Xavier, os poetas de que ele é intérprete apresentam as mesmas características de inspiração e de expressão que os identificavam neste planeta. Os temas abordados são os que os preocuparam em vida. O gosto é o mesmo e o verso obedece, ordinariamente, à mesma pauta musical. Frouxo e ingênuo em Casimiro, largo e sonoro em Castro Alves, sarcástico e variado em Junqueiro, fúnebre e grave em Antero, filosófico e profundo em Augusto dos Anjos.
Monteiro Lobato, por sua vez, afirmou: Se o homem realmente produziu por conta própria tudo o que vem do ‘Parnaso’ então ele pode estar em qualquer Academia, ocupando quantas cadeiras quiser...
Enquanto isso, o fundador da Academia Rio-Grandense de Letras, Zeferino Brasil, sentenciava: ou as poesias em apreço são de fato dos autores citados e foram realmente transmitidas do Além ao médium que as psicografou, ou o Sr. Francisco Xavier é um poeta extraordinário, genial mesmo, capaz de produzir e imitar assombrosamente os maiores gênios da poesia universal.
Apesar de todos as avaliações positivas, é claro que a obra passa longe de qualquer unanimidade. Outros analistas apontam a ocorrência de versos pobres, construções simplórias e sonetos mal-formulados. Uma das críticas mais corriqueiras foi sintetizada em 1971, na Revista Realidade, pelo crítico literário Léo Gilson Ribeiro: Uma coisa é clara: Quando o 'espírito' sobe, sua qualidade desce. É inconcebível que grandes criadores de nossa língua, depois da morte fiquem por aí gargarejando o tatibitate espírita.
Exagero ou não, o fato é que muitos textos atribuídos a escritores mortos parecem meio
passados mesmo. Se em alguns a semelhança é gritante, a exemplo de Augusto dos Anjos e Guerra Junqueiro, noutros a diferença não deixa de falar tão alto quanto... Vide os sonetos do Alberto de Oliveira mediúnico, bem distantes da perfeição técnica que notabilizou o parnasiano. Ou mesmo os atribuídos a Antero de Quental, com construções bem mais simplórias do que aquelas que marcaram o estilo do poeta português.
Sem a pretensão de encerrar o debate, deixamos aqui apenas um dos sonetos do Parnaso para análise. Chama-se Jesus ou Barrabás?, e traz a assinatura do Príncipe dos Poetas, Olavo Bilac. Se é dele mesmo, não podemos dizer. Mas que se trata de uma das mais belas peças já atribuídas a Espíritos, ah, se trata! É só clicar aqui!
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Charlatanismo, inconsciente ou mediunidade? Qual das três hipóteses
explica melhor o fenômeno Parnaso de Além-Túmulo? Lançada em 1932, a antologia poética entrou para a história como o primeiro de mais de 400 livros atribuídos à psicografia de Chico Xavier. "...em consciência, não posso dizer que são minhas, porque não despendi nenhum esforço intelectual ao grafá-las no papel", escreveria o médium um ano antes, afastando de si qualquer mérito pela autoria dos textos.Originalmente eram 60 poemas, que traziam assinatura de 14 autores lusófonos. Ao longo das edições seguintes foram-se incorporando mais e mais textos, até que na sexta (1955) o livro chegou à formatação final: 259 poemas e 56 autores. De Castro Alves a D. Pedro II, há versos de todo tipo, freqüentemente tratando de temas espirituais, morais ou religiosos. Que repercussão teve a obra? Vejamos alguns exemplos, extraídos do mais completo trabalho sobre o tema feito até hoje, A poesia transcendente de Parnaso de além-túmulo, de Alexandre Caroli.
Humberto de Campos, à época já ocupante da cadeira de Joaquim Manuel de Macedo na Academia Brasileira de Letras, "resume o tipo de comentário feito pelos intelectuais da época que se pronunciaram sobre o tema", nos dizeres de Caroli:
Eu faltaria, entretanto, ao dever que me é imposto pela consciência, se não confessasse que, fazendo versos pela pena do sr. Francisco Cândido Xavier, os poetas de que ele é intérprete apresentam as mesmas características de inspiração e de expressão que os identificavam neste planeta. Os temas abordados são os que os preocuparam em vida. O gosto é o mesmo e o verso obedece, ordinariamente, à mesma pauta musical. Frouxo e ingênuo em Casimiro, largo e sonoro em Castro Alves, sarcástico e variado em Junqueiro, fúnebre e grave em Antero, filosófico e profundo em Augusto dos Anjos.Monteiro Lobato, por sua vez, afirmou: Se o homem realmente produziu por conta própria tudo o que vem do ‘Parnaso’ então ele pode estar em qualquer Academia, ocupando quantas cadeiras quiser...
Enquanto isso, o fundador da Academia Rio-Grandense de Letras, Zeferino Brasil, sentenciava: ou as poesias em apreço são de fato dos autores citados e foram realmente transmitidas do Além ao médium que as psicografou, ou o Sr. Francisco Xavier é um poeta extraordinário, genial mesmo, capaz de produzir e imitar assombrosamente os maiores gênios da poesia universal.
Apesar de todos as avaliações positivas, é claro que a obra passa longe de qualquer unanimidade. Outros analistas apontam a ocorrência de versos pobres, construções simplórias e sonetos mal-formulados. Uma das críticas mais corriqueiras foi sintetizada em 1971, na Revista Realidade, pelo crítico literário Léo Gilson Ribeiro: Uma coisa é clara: Quando o 'espírito' sobe, sua qualidade desce. É inconcebível que grandes criadores de nossa língua, depois da morte fiquem por aí gargarejando o tatibitate espírita.
Exagero ou não, o fato é que muitos textos atribuídos a escritores mortos parecem meio
passados mesmo. Se em alguns a semelhança é gritante, a exemplo de Augusto dos Anjos e Guerra Junqueiro, noutros a diferença não deixa de falar tão alto quanto... Vide os sonetos do Alberto de Oliveira mediúnico, bem distantes da perfeição técnica que notabilizou o parnasiano. Ou mesmo os atribuídos a Antero de Quental, com construções bem mais simplórias do que aquelas que marcaram o estilo do poeta português.Sem a pretensão de encerrar o debate, deixamos aqui apenas um dos sonetos do Parnaso para análise. Chama-se Jesus ou Barrabás?, e traz a assinatura do Príncipe dos Poetas, Olavo Bilac. Se é dele mesmo, não podemos dizer. Mas que se trata de uma das mais belas peças já atribuídas a Espíritos, ah, se trata! É só clicar aqui!
terça-feira, 28 de outubro de 2008
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A Poesia Espírita de Amor
Amor que queima, arde e inflama... Que inspira, encanta e emociona... Amor que dura, abranda e se aprofunda... Amor... Será que há espaço para falar desse, que é o mais universal dos sentimentos, na Arte Espírita? Não falo, é claro, do "amor pela humanidade" ou do "amor fraterno" dos ensinamentos religiosos. A questão aqui é: como o Amor que une duas pessoas por anos, décadas ou existências ganha espaço na literatura influenciada pelo espiritismo? É o que procuramos responder daqui para a frente. Um dos poemas mais conhecidos entre os espíritas chama-se Alma Gêmea. Atribuído ao Espírito de Emmanuel, psicografia de Chico Xavier, ele veio a público no romance histórico Há 2000 Anos. O texto, mais do que polêmico, é este aqui:
gêmeas e a referência de cunho politeísta, ambas idéias combatidas pelas obras de referência do espiritismo. O poema, obviamente, não é espírita. O autor atribui a autoria do texto a uma personalidade encarnada na época em que Jesus era vivo! Portanto, séculos antes de haver qualquer influência espírita à disposição para inspirar de alguma forma a peça... Mas como se acredita que ela teria sido escrita pelo mentor espiritual de Chico Xavier, enquanto encarnado, como senador romano, a coisa acabou fazendo muito sucesso entre os espíritas. A ponto de ter se tornado um dos grandes clássicos da música espírita, gravado em 1994 pelo Grupo Acorde, da Paraíba. Deu tanto o que falar que suscitou uma resposta por parte de um dos maiores expoentes da música espírita nordestina, o maestro Tarcísio Lima. Sua composição Alma Irmã foi gravada em 2004 pelo Grupo Ame, do Ceará.
Não se pode aprender da noite para o dia
Muito há para vencer: dureza e rebeldia
E no plano inferior a luz a gente adia
Tranformando em grande dor, alma irmã, toda alegria
Por você roguei aos céus, por este lhe fui dado
Meu destino uniu-se ao seu nos passos do passado
Sob as bênçãos do Senhor, com amor acrescentado
Você faz um ser melhor, alma irmã, de um ser malvado
Você me representa a aurora da esperança
Qual anjo, qual criança de todo o mal isenta
Jesus assim me alcança, me ergue e me alimenta
Minha grande pequenês me trai a cada gesto
Mas aumenta, vez e vez, o bem que hoje atesto
Frontes brancas a impor, o tempo anda presto
Seja a paz nosso pendor, alma irmã, no mundo infesto
Nossas almas são afins, pois gêmeas Deus não gera
São idênticas nos fins: vencer na nossa esfera
Dos menores ao maior dos graus da vida vera
Chegaremos ao Amor, o primor da nossa espera
Você, com suavidade, é a luta que eu me imponho
O tom em que componho nossa posteridade
Um avanço no meu sonho de amar a humanidade
Mas para além dos debates doutrinários, há espaço também para expressões de Amor mais livres dentro da Arte Espírita. Formas marcadamente influenciadas pelo espiritismo, sem ter, por isso, que apelar à razão, à argumentação ou à defesa de idéias. Destaco aqui, duas composições gravadas e interpretadas pelo Alma Sonora, do Paraná: O Tempo e a Distância, de 1996, e Ikebana, de 2007. E, de quebra, um poema-bônus, escrito em 2008 por Romário Fernandes, do Ceará, intitulado Constante. Você confere os três textos logo abaixo:
http://espiritodearte.blogspot.com/2008/07/contedo-extra_08.html
Amor que queima, arde e inflama... Que inspira, encanta e emociona... Amor que dura, abranda e se aprofunda... Amor... Será que há espaço para falar desse, que é o mais universal dos sentimentos, na Arte Espírita? Não falo, é claro, do "amor pela humanidade" ou do "amor fraterno" dos ensinamentos religiosos. A questão aqui é: como o Amor que une duas pessoas por anos, décadas ou existências ganha espaço na literatura influenciada pelo espiritismo? É o que procuramos responder daqui para a frente. Um dos poemas mais conhecidos entre os espíritas chama-se Alma Gêmea. Atribuído ao Espírito de Emmanuel, psicografia de Chico Xavier, ele veio a público no romance histórico Há 2000 Anos. O texto, mais do que polêmico, é este aqui:Alma gêmea da minh'alma,
Flor de luz da minha vida,
Sublime estrela caída
Das belezas da amplidão!...
Quando eu errava no mundo
Triste e só, no meu caminho,
Chegaste, devagarinho,
E encheste-me o coração.
Vinhas na bênção dos deuses,
Na divina claridade,
Tecer-me a felicidade,
Em sorrisos de esplendor!...
És meu tesouro infinito,
Juro-te eterna aliança,
Porque eu sou tua esperança,
Como és todo o meu amor!
gêmeas e a referência de cunho politeísta, ambas idéias combatidas pelas obras de referência do espiritismo. O poema, obviamente, não é espírita. O autor atribui a autoria do texto a uma personalidade encarnada na época em que Jesus era vivo! Portanto, séculos antes de haver qualquer influência espírita à disposição para inspirar de alguma forma a peça... Mas como se acredita que ela teria sido escrita pelo mentor espiritual de Chico Xavier, enquanto encarnado, como senador romano, a coisa acabou fazendo muito sucesso entre os espíritas. A ponto de ter se tornado um dos grandes clássicos da música espírita, gravado em 1994 pelo Grupo Acorde, da Paraíba. Deu tanto o que falar que suscitou uma resposta por parte de um dos maiores expoentes da música espírita nordestina, o maestro Tarcísio Lima. Sua composição Alma Irmã foi gravada em 2004 pelo Grupo Ame, do Ceará.Não se pode aprender da noite para o dia
Muito há para vencer: dureza e rebeldia
E no plano inferior a luz a gente adia
Tranformando em grande dor, alma irmã, toda alegria
Por você roguei aos céus, por este lhe fui dado
Meu destino uniu-se ao seu nos passos do passado
Sob as bênçãos do Senhor, com amor acrescentado
Você faz um ser melhor, alma irmã, de um ser malvado
Você me representa a aurora da esperança
Qual anjo, qual criança de todo o mal isenta
Jesus assim me alcança, me ergue e me alimenta
Minha grande pequenês me trai a cada gesto
Mas aumenta, vez e vez, o bem que hoje atesto
Frontes brancas a impor, o tempo anda presto
Seja a paz nosso pendor, alma irmã, no mundo infesto
Nossas almas são afins, pois gêmeas Deus não gera
São idênticas nos fins: vencer na nossa esfera
Dos menores ao maior dos graus da vida vera
Chegaremos ao Amor, o primor da nossa espera
Você, com suavidade, é a luta que eu me imponho
O tom em que componho nossa posteridade
Um avanço no meu sonho de amar a humanidade
Mas para além dos debates doutrinários, há espaço também para expressões de Amor mais livres dentro da Arte Espírita. Formas marcadamente influenciadas pelo espiritismo, sem ter, por isso, que apelar à razão, à argumentação ou à defesa de idéias. Destaco aqui, duas composições gravadas e interpretadas pelo Alma Sonora, do Paraná: O Tempo e a Distância, de 1996, e Ikebana, de 2007. E, de quebra, um poema-bônus, escrito em 2008 por Romário Fernandes, do Ceará, intitulado Constante. Você confere os três textos logo abaixo:http://espiritodearte.blogspot.com/2008/07/contedo-extra_08.html
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
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Monteiro Lobato, o Sítio e a Mediunidade
Que Monteiro Lobato foi espírita, quase todo mundo sabe. O maior autor infantil brasileiro começou a se aproximar do espiritismo aos 61 anos, logo após a morte do filho, Edgar Lobato. Demorou algum tempo até que ele resolvesse participar das reuniões mediúnicas informais realizadas pela família. Mas do dia em que sentou à mesa, em 21 de dezembro de 1943, até deixar a Terra, cinco anos mais tarde, não parou mais! Virou secretário das sessões que tinham como médium sua esposa, Purezinha. Transformava, segundo relatos de quem já teve acesso à obra Monteiro Lobato e o Espiritismo, de Maria José Sette Ribas, simples atas de reunião em verdadeiras peças literárias.
Entre os casos mais curiosos descritos por Lobato, há uma manifestação do Espírito de Tia
Nastácia! Sim, a cozinheira de mão cheia do Sítio é baseada numa mulher que cuidou dos filhos dele quando eram crianças. Àquela altura já desencarnada, ela veio falar sobre si e sobre os filhos, também falecidos, de Lobato. Naqueles que foram seus último anos, o criador de Emília e cia. se tornaria um grande divulgador dos princípios espíritas, a exemplo de outros escritores, como o francês Victor Hugo e o alemão Thomas Mann. Olha só o que o Herculano Pires escreveu, na introdução do livro, sobre os textos espíritas do escritor:
Que Monteiro Lobato foi espírita, quase todo mundo sabe. O maior autor infantil brasileiro começou a se aproximar do espiritismo aos 61 anos, logo após a morte do filho, Edgar Lobato. Demorou algum tempo até que ele resolvesse participar das reuniões mediúnicas informais realizadas pela família. Mas do dia em que sentou à mesa, em 21 de dezembro de 1943, até deixar a Terra, cinco anos mais tarde, não parou mais! Virou secretário das sessões que tinham como médium sua esposa, Purezinha. Transformava, segundo relatos de quem já teve acesso à obra Monteiro Lobato e o Espiritismo, de Maria José Sette Ribas, simples atas de reunião em verdadeiras peças literárias.Este é um trecho da sessão realizada em 12 de agosto de 1944:
"Tivemos uma sessãozinha de excepcional valor emotivo. Sem muita demora o copo escreveu": – Adamastor Ferraz. – Português, evidentemente, mas de onde irmão? – Inhambane, Moçambique. – Lembra-se de quando passou, ou faleceu, ou morreu? – Desencarnei em 1868. – Uma coisa: estará, por acaso, vendo outros espíritos nesta sala, aqui junto de nós? – Muitos. – Pode distinguir algum? – Principalmente uma irmã já idosa. "Ficamos todos assanhados, porque podia ser a mãe de algum dos presentes. Eu perguntei:"? – E onde está essa irmã? – Pegada a irmã vestida de preto e branco (Purezinha estava com um vestido de ramagens brancas em fundo preto). "O copo continuou": – Ela parece ter sido muito íntima. Tem olhos azuis. "Dona Brasília, mãe de Purezinha, tinha olhos azuis. Havia, pois, de ser ela. Pedi ao irmão Ferraz que lhe perguntasse o nome e o copo imobilizou-se, sinal de que o espírito atuante está falando com outro. Depois escreveu": – Brasília Natividade."A mãe de Purezinha! Fizemos um barulhão, e eu": – Pergunte-lhe se pode tomar o copo e conversar conosco."O copo imobilizou-se de novo, e depois escreveu": – Ainda não tem permissão. – Que história de permissão é essa, Adamastor? Então há um governo aí, uma tutelagem ou que seja, de modo que até para uma simples conversa conosco é preciso "permissão"? Permissão de quem? – Nem nós o sabemos. – Pergunte à irmã Brasília se não tem desejo de conversar com os seus parentes vivos."
Entre os casos mais curiosos descritos por Lobato, há uma manifestação do Espírito de Tia
Nastácia! Sim, a cozinheira de mão cheia do Sítio é baseada numa mulher que cuidou dos filhos dele quando eram crianças. Àquela altura já desencarnada, ela veio falar sobre si e sobre os filhos, também falecidos, de Lobato. Naqueles que foram seus último anos, o criador de Emília e cia. se tornaria um grande divulgador dos princípios espíritas, a exemplo de outros escritores, como o francês Victor Hugo e o alemão Thomas Mann. Olha só o que o Herculano Pires escreveu, na introdução do livro, sobre os textos espíritas do escritor:Mas o que mais ressalta da sua leitura, como contribuição para o esclarecimento do problema espírita, é a maneira penetrante com que Lobato soube tirar, a cada instante, de pormenores aparentemente insignificantes, ilações conclusivas. Dispondo de recursos mediúnicos precários, de meios deficientíssimos de comunicação, limitando-se a diálogos telegráficos e muitas vezes frustrados, Lobato fez o contrário dos grandes cientistas que se afogaram sob avalanchas de provas sem compreendê-las. De uma palavra, de uma expressão, de um dado mínimo ele soube extrair elementos probatórios da sobrevivência do espírito após a morte corporal e da identidade dos comunicantes.
É o fraco!
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Conteúdo extra
Notícia publicada na Revista Fatos e Fotos de 01/01/1973
O maior ídolo de nossa música popular e o mais famoso médium brasileiro reúnem-se num espetáculo beneficente.
Vestindo roupa branca, Roberto Carlos foi a atração principal do show promovido em São Paulo pela Comunhão Espírita de Uberaba, Minas Gerais, para divulgar o mais recente livro de Chico Xavier e recolher fundos para organizações assistenciais. A apresentação chegou ao clímax quando o cantor e o médium distribuíram centenas de flores a seus admiradores.
Quando o médium Chico Xavier subiu ao palco do Ginásio Pacaembu, em São Paulo, para abraçar Roberto Carlos, os quase quatro mil assistentes do show do cantor entraram em delírio, aplaudindo os dois.
O Rei era o convidado principal do show organizado pela Comunhão Espírita Cristã de Uberaba, que reuniu os seus congregados em São Paulo para a promoção do livro de Chico Xavier, A vida continua, inspirado no qual Roberto Carlos pretende compor uma série de músicas, que futuramente poderão formar a trilha sonora de um filme sobre o médium.
Quebrando a rotina, Roberto Carlos usou roupa branca no show. Até agora, o Rei sempre preferia roupas pretas, de couro, com muitos colares.
No final, enquanto a platéia aplaudia, pedindo a volta de Roberto Carlos ao palco, o cantor, nos bastidores, discutia com o ator Dionísio Cruz a realização de um filme sobre a vida de Chico Xavier. Nada ficou acertado, mas tanto o cantor como o ator consideraram boa a idéia de filmar a vida do médium e contar como ele opera as suas curas, em Uberaba, onde mora.
O maior ídolo de nossa música popular e o mais famoso médium brasileiro reúnem-se num espetáculo beneficente.
Vestindo roupa branca, Roberto Carlos foi a atração principal do show promovido em São Paulo pela Comunhão Espírita de Uberaba, Minas Gerais, para divulgar o mais recente livro de Chico Xavier e recolher fundos para organizações assistenciais. A apresentação chegou ao clímax quando o cantor e o médium distribuíram centenas de flores a seus admiradores.
Quando o médium Chico Xavier subiu ao palco do Ginásio Pacaembu, em São Paulo, para abraçar Roberto Carlos, os quase quatro mil assistentes do show do cantor entraram em delírio, aplaudindo os dois.
O Rei era o convidado principal do show organizado pela Comunhão Espírita Cristã de Uberaba, que reuniu os seus congregados em São Paulo para a promoção do livro de Chico Xavier, A vida continua, inspirado no qual Roberto Carlos pretende compor uma série de músicas, que futuramente poderão formar a trilha sonora de um filme sobre o médium.
Quebrando a rotina, Roberto Carlos usou roupa branca no show. Até agora, o Rei sempre preferia roupas pretas, de couro, com muitos colares.
No final, enquanto a platéia aplaudia, pedindo a volta de Roberto Carlos ao palco, o cantor, nos bastidores, discutia com o ator Dionísio Cruz a realização de um filme sobre a vida de Chico Xavier. Nada ficou acertado, mas tanto o cantor como o ator consideraram boa a idéia de filmar a vida do médium e contar como ele opera as suas curas, em Uberaba, onde mora.
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Conteúdo Extra
Poema Jesus ou Barrabás?, do Parnaso de Além-Túmulo, atribuído ao Espírito de Olavo Bilac
Sobre a fronte da turba há um sussurro abafado.
A multidão inteira, ansiosa se congrega,
Surda à lição do amor, implacável e cega,
Para a consumação dos festins do pecado.
“Crucificai-o!” — exclama... Um lamento lhe chega
Da Terra que soluça e do Céu desprezado.
“Jesus ou Barrabás?” — pergunta, inquire o brado
Da justiça sem Deus, que trêmula se entrega.
Jesus! Jesus!... Jesus!... — e a resposta perpassa
Como um sopro cruel do Aquilão da desgraça,
Sem que o Anjo da Paz amaldiçoe ou gema...
E debaixo do apodo e ensangüentada a face,
Toma da cruz da dor para que a dor ficasse
Como a glória da vida e a vitória suprema.
Sobre a fronte da turba há um sussurro abafado.
A multidão inteira, ansiosa se congrega,
Surda à lição do amor, implacável e cega,
Para a consumação dos festins do pecado.
“Crucificai-o!” — exclama... Um lamento lhe chega
Da Terra que soluça e do Céu desprezado.
“Jesus ou Barrabás?” — pergunta, inquire o brado
Da justiça sem Deus, que trêmula se entrega.
Jesus! Jesus!... Jesus!... — e a resposta perpassa
Como um sopro cruel do Aquilão da desgraça,
Sem que o Anjo da Paz amaldiçoe ou gema...
E debaixo do apodo e ensangüentada a face,
Toma da cruz da dor para que a dor ficasse
Como a glória da vida e a vitória suprema.
quarta-feira, 2 de julho de 2008
Conteúdo Extra
Artigo Golpe de Vista Retrospectivo, de Allan Kardec, publicado na primeira página da Revista Espírita de janeiro de 1868.
O ano de 1867 havia sido anunciado como devendo ser particularmente proveitoso ao Espiritismo, e esta previsão realizou-se plenamente. Ele viu aparecer várias obras que, sem levar-lhe o nome, popularizam seus princípios, e entre as quais lembraremos Mirette, do Sr. Sauvage; Lê Roman de l'avenir, do Sr. Bonnemère; Dieu dans Ia nature, pelo Sr. Camille Flammarion. La Raison du Spiritisme, pelo Sr. juiz de instrução Bonnamy, é um acontecimento nos anais da Doutrina, porque sua bandeira é altamente e corajosamente arvorada porum homem cujo nome, justamente estimado e considerado, é uma autoridade, ao mesmo tempo que sua obra é um protesto contra os epítetos dos quais a crítica gratifica geralmente os adeptos da idéia. Os Espíritas têm todos apreciados esse livro como o merece, e lhe compreenderam a importância. É uma resposta peremptória a certos ataques; também pensamos que eles considerarão como um dever propagá-lo no in-teresse da Doutrina.
Não tivesse o ano somente esses resultados, seria preciso felicitá-lo; mas produziu mais de efetivos. O número das sociedades ou grupos oficialmente conhecidos, é verdade, não aumentou sensivelmente; antes mesmo diminuiu em conseqüência das intrigas com a ajuda das quais procuraram miná-los, neles introduzindo elementos de dissolução; mas em contrapartida, o número das reuniões particulares ou de família cresceu numa proporção muito grande.
Além disso, é notório para todo mundo, e da própria confissão de nossos adversários, que as idéias espíritas ganharam terreno consideravelmente, assim como o constata o autor da obra da qual demos conta acima. Eles se infiltram por uma multidão de saídas; tudo a isto concorre; as coisas que, à primeira vista, ali parecem as mais estranhas, são meios com a ajuda dos quais essas idéias se fazem luz. É que o Espiritismo toca a um tão grande número de questões que é bem difícil abordar o que quer que seja sem nisso ver surgir um pensamento Espírita, de tal sorte que, mesmo nos meios refratários, essas idéias eclodem sob uma forma ou sob uma outra, como essas plantas de cores variadas que brotam através das pedras. E, como nesses meios, geralmente, rejeita-se o Espiritismo por espírito de prevenção, sem saber o que ele diz, não é surpreendente que, quando os pensamentos espíritas ali aparecem, não se os reconhece, e, então, são aclamados porque são achados bons, sem desconfiar que são do Espiritismo.
A literatura contemporânea, pequena ou grande, séria ou leviana, semeia essas idéias em profusão; ela está delas matizada, e não lhe falta absolutamente senão o nome. Se se reunissem todos os pensamentos espíritas que correm o mundo, se constituiria o Espiritismo completo. Ora, aí está um fato considerável, e um dos mais característicos do ano que acaba de se escoar. Ele prova que todos possuem dele, de si para si, elementos no estado de intuição, e que, entre seus antagonistas e ele, o mais freqüentemente, não há senão uma questão de palavras. Os que o repelem, com perfeito conhecimento de causa são aqueles que têm interesse em combatê-lo.
Mas, então, como chegar a fazê-lo conhecer para triunfar dessas prevenções? Isto é obra do tempo. É preciso que as circunstâncias o conduzam naturalmente, e pode-se con-tar para isto com os Espíritos que sabem fazê-las nascer em tempo oportuno. Estas circunstâncias são particulares ou gerais; as primeiras agem sobre os indivíduos e as outras sobre as massas. As últimas, pela sua repercussão, fazem o efeito de minas que, a cada explosão, levantam alguns fragmentos do rochedo.
Que cada Espírita trabalhe de seu lado, sem se desencorajar pela pouca importância do resultado obtido individualmente, e pense que à força de acumular grãos de areia forma-se uma montanha.
Entre os fatos materiais que assinalaram esse ano, as curas do zuavo Jacob estão em primeiro lugar; elas fizeram uma ressonância que todo o mundo conhece; e, se bem que o Espiritismo ali não haja figurado senão incidentemente, a atenção geral por isso não foi menos vivamente chamada sobre um fenômeno dos mais sérios e que a ele se liga de maneira direta. Esses fatos, se produzindo em condições vulgares, sem aparelho místico, não por um único indivíduo mas por vários, têm, por isto mesmo, perdido o caráter miraculoso que se lhes atribuía até então; eles reentraram, como tantos outros no domínio dos fenômenos naturais. Entre aqueles que os rejeitam como milagres, muitos se tornaram menos absolutos na negação do fato, e lhe admitiram a possibilidade como resultado de uma lei da Natureza desconhecida; era um primeiro passo num caminho fecundo em conseqüências, e mais de um céptico foi abalado. Certamente, todo o mundo não foi convencido, mas isto fez muito falar; disso resultou, num grande número, uma impressão profunda que fez refletir mais do que se crê; são sementes que, se não dão uma abundante colheita imediata, não estão perdidas para o futuro.
O Sr. Jacob se mantém sempre à parte de maneira absoluta; ignoramos os motivos de sua abstenção e se deve ou não retomar o curso de suas sessões. Se há intermitência em sua faculdade, como ocorre freqüentemente em semelhante caso, isto seria uma prova de que ela não se prende exclusivamente à sua pessoa, e que, fora do indivíduo, há alguma coisa, uma vontade independente.
Mas, dir-se-á, por que essa suspensão, deste o instante em que a produção desses fenômenos era uma vantagem para a Doutrina? Tendo as coisas sendo conduzidas até aqui com uma sabedoria que não se desmentiu, é preciso supor que aqueles que dirigem o movimento julgaram o efeito suficiente para o momento, e que era útil dar um tempo de parada à efervescência; mas a idéia foi lançada, e pode-se estar certo de que ela não permanecerá no estado de letra morta.
Em suma, como se vê, o ano foi bom para o Espiritismo; suas falanges recrutaram homens sérios, cuja opinião é tida por alguma coisa em um certo mundo. Nossa correspondência nos assinala, de quase toda parte, um movimento geral de opinião para essas idéias, e, coisa bizarra neste século positivo, as que ganham mais terreno são as idéias filosóficas, bem mais do que os fatos materiais de manifestação que muitas pessoas se obstinam ainda em rejeitar. De sorte que, diante da maioria, o melhor meio de fazer proselitismo é começar pela filosofia, e isto se compreende. As idéias fundamentais sendo latentes em sua maioria, basta despertá-las; são compreendidas porque possuem seus germes em si, ao passo que os fatos, para serem aceitos e compreendidos, pedem um estudo e observações que muitos não querem se dar ao trabalho de fazer.
Depois o charlatanismo, que se apoderou dos fatos para explorá-los em seu proveito, desacreditou-os na opinião de certas pessoas expondo-os à crítica; isto não podia ser assim com a filosofia que não era tão fácil de arremedar, e que, alias, não é matéria ex-plorável.
O charlatanismo, por sua natureza, é agitador e intrigante, sem isto não seria charlatanismo. A crítica, que se cuida, geralmente, pouco em ir ao fundo do poço procurar a verdade, viu o charlatanismo se exibindo, e esforçou-se para a ele ligar a etiqueta do Espiritismo; daí, contra esta palavra, uma prevenção que se apaga à medida que o Espiri-tismo verdadeiro é melhor conhecido, porque não há ninguém, que tendo-o estudado seriamente, o confunda com o Espiritismo grotesco de fantasia, que a negligência ou a malevolência procuram a aquele substituir. Foi uma reação nesse sentido que se manifestou nestes últimos tempos.
Os princípios que se acreditam com mais facilidade são os da pluralidade dos mundos habitados e da pluralidade das existências, ou reencarnação; o primeiro pode ser considerado como admitido sem contestação pela ciência e pelo assentimento unânime, mesmo no campo materialista; o segundo está no estado de intuição em uma multidão de indivíduos em que é uma crença inata; encontra numerosas simpatias, como princípio racional de filosofia, fora mesmo do Espiritismo. É uma idéia que sorri a muitos incrédulos, porque nela encontram imediatamente a solução das dificuldades que os tinham levado à dúvida. Assim esta crença tende, cada vez mais, a se vulgarizar. Mas para quem reflete, esses dois princípios têm conseqüências forcadas que conduzem em linha direta ao Espiritismo. Pode-se, pois, considerar o progresso dessas idéias como um primeiro passo pa-ra a Doutrina, uma vez que elas lhe são partes integrantes. A imprensa que sofre, sem dúvida, com o seu desconhecimento, a influência da difusão das idéias espíritas, porque estas penetram até em seu seio, se abstém em geral, senão por simpatia, pelo menos por prudência; não é quase mais de bom gosto falar dos Davenport. Dir-se-ia mesmo que ela afeta de evitar a questão do Espiritismo; se, de tempo a outro, lança algumas piadas contra seus adeptos, são como as últimas espoletas de um bosquete de artifício; mas não há mais esse fogo de mosqueteria de invectivas que se ouvia há dois anos apenas. Se bem que ela tenha feito quase tanto barulho do Sr. Jacob quanto dos Davenport, sua linguagem foi toda outra e há a anotar, que, em sua polêmica, o nome do Espiritismo não figurou senão muito acessoriamente.
No exame da situação, não é preciso considerar somente os grandes movimentos ostensivos, mas é preciso sobretudo levar em conta o estado íntimo da opinião e das causas que podem influenciá-la. Assim como dissemos em outra parte, observando-se atentamente o que se passa no mundo, se reconhecerá que uma multidão de fatos, em aparências estranhos ao Espiritismo, parecem vir de propósito para lhe abrir os caminhos. É no conjunto das circunstâncias que é preciso procurar os verdadeiros sinais do progres-so. Deste ponto de vista, a situação é, pois, tão satisfatória quanto se pode desejá-la. Disto é preciso concluir que a oposição está desarmada, e que as coisas vão doravante caminhar sem obstáculo? Guardemo-nos de crê-lo e de nos adormecermos numa seguran-ça enganosa. O futuro do Espiritismo está assegurado, sem contradita, e precisar-se-ia ser cego para disto duvidar; mas seus piores dias não passaram; ele não recebeu ainda o batismo que consagra todas as grandes idéias. Os Espíritos são unânimes para nos pressentir contra uma luta inevitável, mas necessária, afim de provar sua invulnerabilidade e sua força; dela sairá maior e mais forte; será então somente que conquistará seu lugar no mundo, porque aqueles que terão querido derrubá-lo terão preparado seu triunfo. Que os Espíritas sinceros e devotados se fortaleçam pela união e se confundam numa santa comunhão de pensamentos. Lembremo-nos da parábola das dez virgens e velemos para não sermos tomados de surpresa.
Aproveitemos esta circunstância para exprimir toda nossa gratidão àqueles de nos-sos irmãos espíritas que, como nos anos precedentes, por ocasião da renovação das as-sinaturas da Revista, nos dão novos testemunhos de sua afetuosa simpatia; estamos feli-zes com os testemunhos que nos dão de seu devotamento à causa sagrada que todos defendemos, e que é a da Humanidade e do progresso. Àqueles que nos dizem: cora-gem! diremos que não recuaremos jamais diante de nenhuma das necessidades de nossa posição, por duras que sejam. Que contem conosco como contamos, no dia da vitória, encontrar neles os soldados da véspera, e não os soldados do dia seguinte.
O ano de 1867 havia sido anunciado como devendo ser particularmente proveitoso ao Espiritismo, e esta previsão realizou-se plenamente. Ele viu aparecer várias obras que, sem levar-lhe o nome, popularizam seus princípios, e entre as quais lembraremos Mirette, do Sr. Sauvage; Lê Roman de l'avenir, do Sr. Bonnemère; Dieu dans Ia nature, pelo Sr. Camille Flammarion. La Raison du Spiritisme, pelo Sr. juiz de instrução Bonnamy, é um acontecimento nos anais da Doutrina, porque sua bandeira é altamente e corajosamente arvorada porum homem cujo nome, justamente estimado e considerado, é uma autoridade, ao mesmo tempo que sua obra é um protesto contra os epítetos dos quais a crítica gratifica geralmente os adeptos da idéia. Os Espíritas têm todos apreciados esse livro como o merece, e lhe compreenderam a importância. É uma resposta peremptória a certos ataques; também pensamos que eles considerarão como um dever propagá-lo no in-teresse da Doutrina.
Não tivesse o ano somente esses resultados, seria preciso felicitá-lo; mas produziu mais de efetivos. O número das sociedades ou grupos oficialmente conhecidos, é verdade, não aumentou sensivelmente; antes mesmo diminuiu em conseqüência das intrigas com a ajuda das quais procuraram miná-los, neles introduzindo elementos de dissolução; mas em contrapartida, o número das reuniões particulares ou de família cresceu numa proporção muito grande.
Além disso, é notório para todo mundo, e da própria confissão de nossos adversários, que as idéias espíritas ganharam terreno consideravelmente, assim como o constata o autor da obra da qual demos conta acima. Eles se infiltram por uma multidão de saídas; tudo a isto concorre; as coisas que, à primeira vista, ali parecem as mais estranhas, são meios com a ajuda dos quais essas idéias se fazem luz. É que o Espiritismo toca a um tão grande número de questões que é bem difícil abordar o que quer que seja sem nisso ver surgir um pensamento Espírita, de tal sorte que, mesmo nos meios refratários, essas idéias eclodem sob uma forma ou sob uma outra, como essas plantas de cores variadas que brotam através das pedras. E, como nesses meios, geralmente, rejeita-se o Espiritismo por espírito de prevenção, sem saber o que ele diz, não é surpreendente que, quando os pensamentos espíritas ali aparecem, não se os reconhece, e, então, são aclamados porque são achados bons, sem desconfiar que são do Espiritismo.
A literatura contemporânea, pequena ou grande, séria ou leviana, semeia essas idéias em profusão; ela está delas matizada, e não lhe falta absolutamente senão o nome. Se se reunissem todos os pensamentos espíritas que correm o mundo, se constituiria o Espiritismo completo. Ora, aí está um fato considerável, e um dos mais característicos do ano que acaba de se escoar. Ele prova que todos possuem dele, de si para si, elementos no estado de intuição, e que, entre seus antagonistas e ele, o mais freqüentemente, não há senão uma questão de palavras. Os que o repelem, com perfeito conhecimento de causa são aqueles que têm interesse em combatê-lo.
Mas, então, como chegar a fazê-lo conhecer para triunfar dessas prevenções? Isto é obra do tempo. É preciso que as circunstâncias o conduzam naturalmente, e pode-se con-tar para isto com os Espíritos que sabem fazê-las nascer em tempo oportuno. Estas circunstâncias são particulares ou gerais; as primeiras agem sobre os indivíduos e as outras sobre as massas. As últimas, pela sua repercussão, fazem o efeito de minas que, a cada explosão, levantam alguns fragmentos do rochedo.
Que cada Espírita trabalhe de seu lado, sem se desencorajar pela pouca importância do resultado obtido individualmente, e pense que à força de acumular grãos de areia forma-se uma montanha.
Entre os fatos materiais que assinalaram esse ano, as curas do zuavo Jacob estão em primeiro lugar; elas fizeram uma ressonância que todo o mundo conhece; e, se bem que o Espiritismo ali não haja figurado senão incidentemente, a atenção geral por isso não foi menos vivamente chamada sobre um fenômeno dos mais sérios e que a ele se liga de maneira direta. Esses fatos, se produzindo em condições vulgares, sem aparelho místico, não por um único indivíduo mas por vários, têm, por isto mesmo, perdido o caráter miraculoso que se lhes atribuía até então; eles reentraram, como tantos outros no domínio dos fenômenos naturais. Entre aqueles que os rejeitam como milagres, muitos se tornaram menos absolutos na negação do fato, e lhe admitiram a possibilidade como resultado de uma lei da Natureza desconhecida; era um primeiro passo num caminho fecundo em conseqüências, e mais de um céptico foi abalado. Certamente, todo o mundo não foi convencido, mas isto fez muito falar; disso resultou, num grande número, uma impressão profunda que fez refletir mais do que se crê; são sementes que, se não dão uma abundante colheita imediata, não estão perdidas para o futuro.
O Sr. Jacob se mantém sempre à parte de maneira absoluta; ignoramos os motivos de sua abstenção e se deve ou não retomar o curso de suas sessões. Se há intermitência em sua faculdade, como ocorre freqüentemente em semelhante caso, isto seria uma prova de que ela não se prende exclusivamente à sua pessoa, e que, fora do indivíduo, há alguma coisa, uma vontade independente.
Mas, dir-se-á, por que essa suspensão, deste o instante em que a produção desses fenômenos era uma vantagem para a Doutrina? Tendo as coisas sendo conduzidas até aqui com uma sabedoria que não se desmentiu, é preciso supor que aqueles que dirigem o movimento julgaram o efeito suficiente para o momento, e que era útil dar um tempo de parada à efervescência; mas a idéia foi lançada, e pode-se estar certo de que ela não permanecerá no estado de letra morta.
Em suma, como se vê, o ano foi bom para o Espiritismo; suas falanges recrutaram homens sérios, cuja opinião é tida por alguma coisa em um certo mundo. Nossa correspondência nos assinala, de quase toda parte, um movimento geral de opinião para essas idéias, e, coisa bizarra neste século positivo, as que ganham mais terreno são as idéias filosóficas, bem mais do que os fatos materiais de manifestação que muitas pessoas se obstinam ainda em rejeitar. De sorte que, diante da maioria, o melhor meio de fazer proselitismo é começar pela filosofia, e isto se compreende. As idéias fundamentais sendo latentes em sua maioria, basta despertá-las; são compreendidas porque possuem seus germes em si, ao passo que os fatos, para serem aceitos e compreendidos, pedem um estudo e observações que muitos não querem se dar ao trabalho de fazer.
Depois o charlatanismo, que se apoderou dos fatos para explorá-los em seu proveito, desacreditou-os na opinião de certas pessoas expondo-os à crítica; isto não podia ser assim com a filosofia que não era tão fácil de arremedar, e que, alias, não é matéria ex-plorável.
O charlatanismo, por sua natureza, é agitador e intrigante, sem isto não seria charlatanismo. A crítica, que se cuida, geralmente, pouco em ir ao fundo do poço procurar a verdade, viu o charlatanismo se exibindo, e esforçou-se para a ele ligar a etiqueta do Espiritismo; daí, contra esta palavra, uma prevenção que se apaga à medida que o Espiri-tismo verdadeiro é melhor conhecido, porque não há ninguém, que tendo-o estudado seriamente, o confunda com o Espiritismo grotesco de fantasia, que a negligência ou a malevolência procuram a aquele substituir. Foi uma reação nesse sentido que se manifestou nestes últimos tempos.
Os princípios que se acreditam com mais facilidade são os da pluralidade dos mundos habitados e da pluralidade das existências, ou reencarnação; o primeiro pode ser considerado como admitido sem contestação pela ciência e pelo assentimento unânime, mesmo no campo materialista; o segundo está no estado de intuição em uma multidão de indivíduos em que é uma crença inata; encontra numerosas simpatias, como princípio racional de filosofia, fora mesmo do Espiritismo. É uma idéia que sorri a muitos incrédulos, porque nela encontram imediatamente a solução das dificuldades que os tinham levado à dúvida. Assim esta crença tende, cada vez mais, a se vulgarizar. Mas para quem reflete, esses dois princípios têm conseqüências forcadas que conduzem em linha direta ao Espiritismo. Pode-se, pois, considerar o progresso dessas idéias como um primeiro passo pa-ra a Doutrina, uma vez que elas lhe são partes integrantes. A imprensa que sofre, sem dúvida, com o seu desconhecimento, a influência da difusão das idéias espíritas, porque estas penetram até em seu seio, se abstém em geral, senão por simpatia, pelo menos por prudência; não é quase mais de bom gosto falar dos Davenport. Dir-se-ia mesmo que ela afeta de evitar a questão do Espiritismo; se, de tempo a outro, lança algumas piadas contra seus adeptos, são como as últimas espoletas de um bosquete de artifício; mas não há mais esse fogo de mosqueteria de invectivas que se ouvia há dois anos apenas. Se bem que ela tenha feito quase tanto barulho do Sr. Jacob quanto dos Davenport, sua linguagem foi toda outra e há a anotar, que, em sua polêmica, o nome do Espiritismo não figurou senão muito acessoriamente.
No exame da situação, não é preciso considerar somente os grandes movimentos ostensivos, mas é preciso sobretudo levar em conta o estado íntimo da opinião e das causas que podem influenciá-la. Assim como dissemos em outra parte, observando-se atentamente o que se passa no mundo, se reconhecerá que uma multidão de fatos, em aparências estranhos ao Espiritismo, parecem vir de propósito para lhe abrir os caminhos. É no conjunto das circunstâncias que é preciso procurar os verdadeiros sinais do progres-so. Deste ponto de vista, a situação é, pois, tão satisfatória quanto se pode desejá-la. Disto é preciso concluir que a oposição está desarmada, e que as coisas vão doravante caminhar sem obstáculo? Guardemo-nos de crê-lo e de nos adormecermos numa seguran-ça enganosa. O futuro do Espiritismo está assegurado, sem contradita, e precisar-se-ia ser cego para disto duvidar; mas seus piores dias não passaram; ele não recebeu ainda o batismo que consagra todas as grandes idéias. Os Espíritos são unânimes para nos pressentir contra uma luta inevitável, mas necessária, afim de provar sua invulnerabilidade e sua força; dela sairá maior e mais forte; será então somente que conquistará seu lugar no mundo, porque aqueles que terão querido derrubá-lo terão preparado seu triunfo. Que os Espíritas sinceros e devotados se fortaleçam pela união e se confundam numa santa comunhão de pensamentos. Lembremo-nos da parábola das dez virgens e velemos para não sermos tomados de surpresa.
Aproveitemos esta circunstância para exprimir toda nossa gratidão àqueles de nos-sos irmãos espíritas que, como nos anos precedentes, por ocasião da renovação das as-sinaturas da Revista, nos dão novos testemunhos de sua afetuosa simpatia; estamos feli-zes com os testemunhos que nos dão de seu devotamento à causa sagrada que todos defendemos, e que é a da Humanidade e do progresso. Àqueles que nos dizem: cora-gem! diremos que não recuaremos jamais diante de nenhuma das necessidades de nossa posição, por duras que sejam. Que contem conosco como contamos, no dia da vitória, encontrar neles os soldados da véspera, e não os soldados do dia seguinte.
terça-feira, 1 de julho de 2008
Conteúdo Extra
Soneto Excelsa Prática, escrito em 2001 por Romário Fernandes
Quando a desoladora problemática
Da carência, carrasca da alma hermética,
Se nos apresentar penosa e estática
Lembremos da maior lição poética
Guie-nos a caridade, perene ética,
Pregada por Jesus de forma enfática
Como superior à Lei profética
Uma vez que é do amor a excelsa prática
E qual a escuridão sombria e trágica
Feita esplêndida luz, como por mágica,
Perante esse ideal tão magnânimo
As almas corroídas pelos ácidos
Do mal hão de encontrar recantos plácidos
De onde prosseguirão com vívido ânimo!
Quando a desoladora problemática
Da carência, carrasca da alma hermética,
Se nos apresentar penosa e estática
Lembremos da maior lição poética
Guie-nos a caridade, perene ética,
Pregada por Jesus de forma enfática
Como superior à Lei profética
Uma vez que é do amor a excelsa prática
E qual a escuridão sombria e trágica
Feita esplêndida luz, como por mágica,
Perante esse ideal tão magnânimo
As almas corroídas pelos ácidos
Do mal hão de encontrar recantos plácidos
De onde prosseguirão com vívido ânimo!
domingo, 1 de junho de 2008
Versión en Español
Por detrás del Parnaso de Além-Túmulo
¿Charlatanería, inconsciente o mediumnidad? ¿Cual de las tres hipótesis explica mejor el fenómeno
Parnaso de Além-Túmulo ("Parnaso del Más Allá", en espanõl)? Lanzada en 1932, la antología poética entró para la historia como el primero de más de 400 libros atribuidos a la psicografia de Chico Xavier. "...en conciencia, no puedo decir que son mías, porque no hice ningún esfuerzo intelectual al graba-las en el papel", escribiría el médium un año antes, rechazando cualquier mérito por la autoría de los textos.
Originalmente eran 60 poemas, que traían firma de 14 autores lusófonos. Al largo de las ediciones siguientes fueron incorporados más textos, hasta que en la sexta (1955) el libro llegó al formato final: 259 poemas y 56 autores. De Castro Alves a D. Pedro II, hay versos de todo tipo, frecuentemente tratando de temas espirituales, morales o religiosos. ¿Que repercusión tuvo la obra? Veamos algunos ejemplos, extraídos del más completo trabajo sobre el tema hecho hasta hoy, A poesia transcendente de Parnaso de além-túmulo, de Alexandre Caroli.
Humberto de Campos, a la época ya ocupante de el sillón de Joaquim Manuel de Macedo enla Academia Brasileña de Letras, "resume el tipo de comentario hecho por los intelectuales de la época que se pronunciaron sobre el tema", según Caroli:
Yo faltaría, sin embargo, al deber que me es impuesto por la conciencia, si no confesara que, haciendo versos por la pena de Francisco Cândido Xavier, los poetas de que él es intérprete presentan las mismas características de inspiración y de expresión que los identificaban en este planeta. Los temas abordados son los que los preocuparon en vida. El gusto es el mismo y el verso obedece, ordinariamente, a la misma pauta musical. Suelto e ingenuo en Casimiro, ancho y sonoro en Castro Alves, sarcástico y variado en Junqueiro, fúnebre y grave en Antero, filosófico y profundo en Augusto de los Ángeles.
Monteiro Lobato, por su parte, afirmó: Si el hombre realmente produjo por cuenta propia todo lo que viene del “Parnaso” entonces él puede estar en cualquier Academia, ocupando cuántos sillones quiera...
Mientras eso, el fundador dela Academia Rio-Grandense de Letras, Zeferino Brasil, sentenciaba: o esas poesías son de hecho de los autores citados y fueron realmente transmitidas del Más Allá al médium que las psicografó, o el Sr. Francisco Xavier es un poeta extraordinario, genial mismo, capaz de producir e imitar asombrosamente los mayores genios de la poesía universal.
A pesar de todas las evaluaciones positivas, la obra está lejos de cualquier unanimidad. Otros analistas apuntan la existencia de versos y construcciones pobres, sonetos mal hechos. Una de las críticas más comunes fue sintetizada en 1971, enla Revista Realidad , por el crítico literario Léo Gilson Ribeiro: Una cosa es clara: Cuando el 'espíritu' sube, su calidad desciende. Es inconcebible que grandes creadores de nuestra lengua, tras la muerte queden por ahí parloteando el argot espirita.
Exagero o no, el hecho es que muchos textos atribuidos a escritores muertos parecen medio
“pasados” aún. Si en algunos la semejanza es notable, a ejemplo de Augusto de los Ángeles y Guerra Junqueiro, en otros la diferencia también llama la atención... Basta ver los sonetos de Alberto de Oliveira mediumnico, bien distantes de la perfección técnica que hizo el parnasiano famoso. O aún los atribuidos la Antero de Quental, con construcciones mucho más simples del que aquellas que marcaron el estilo del poeta portugués.
Sin la pretensión de concluir el debate, dejamos aquí sólo uno de los sonetos del Parnaso para análisis. Se llama Jesus ou Barrabás? ("¿Jesus o Barrabás?", en español), y trae la firma del Príncipe de los Poetas Brasileños, Olavo Bilac. Si es de él mismo, no podemos decir. Pero que se trata de una de las más bellas piezas ya atribuidas a Espíritus, ah, se trata! Pincha aquí para leer!
¿Charlatanería, inconsciente o mediumnidad? ¿Cual de las tres hipótesis explica mejor el fenómeno
Parnaso de Além-Túmulo ("Parnaso del Más Allá", en espanõl)? Lanzada en 1932, la antología poética entró para la historia como el primero de más de 400 libros atribuidos a la psicografia de Chico Xavier. "...en conciencia, no puedo decir que son mías, porque no hice ningún esfuerzo intelectual al graba-las en el papel", escribiría el médium un año antes, rechazando cualquier mérito por la autoría de los textos.Originalmente eran 60 poemas, que traían firma de 14 autores lusófonos. Al largo de las ediciones siguientes fueron incorporados más textos, hasta que en la sexta (1955) el libro llegó al formato final: 259 poemas y 56 autores. De Castro Alves a D. Pedro II, hay versos de todo tipo, frecuentemente tratando de temas espirituales, morales o religiosos. ¿Que repercusión tuvo la obra? Veamos algunos ejemplos, extraídos del más completo trabajo sobre el tema hecho hasta hoy, A poesia transcendente de Parnaso de além-túmulo, de Alexandre Caroli.
Humberto de Campos, a la época ya ocupante de el sillón de Joaquim Manuel de Macedo en
Yo faltaría, sin embargo, al deber que me es impuesto por la conciencia, si no confesara que, haciendo versos por la pena de Francisco Cândido Xavier, los poetas de que él es intérprete presentan las mismas características de inspiración y de expresión que los identificaban en este planeta. Los temas abordados son los que los preocuparon en vida. El gusto es el mismo y el verso obedece, ordinariamente, a la misma pauta musical. Suelto e ingenuo en Casimiro, ancho y sonoro en Castro Alves, sarcástico y variado en Junqueiro, fúnebre y grave en Antero, filosófico y profundo en Augusto de los Ángeles.Monteiro Lobato, por su parte, afirmó: Si el hombre realmente produjo por cuenta propia todo lo que viene del “Parnaso” entonces él puede estar en cualquier Academia, ocupando cuántos sillones quiera...
Mientras eso, el fundador de
A pesar de todas las evaluaciones positivas, la obra está lejos de cualquier unanimidad. Otros analistas apuntan la existencia de versos y construcciones pobres, sonetos mal hechos. Una de las críticas más comunes fue sintetizada en 1971, en
Exagero o no, el hecho es que muchos textos atribuidos a escritores muertos parecen medio
“pasados” aún. Si en algunos la semejanza es notable, a ejemplo de Augusto de los Ángeles y Guerra Junqueiro, en otros la diferencia también llama la atención... Basta ver los sonetos de Alberto de Oliveira mediumnico, bien distantes de la perfección técnica que hizo el parnasiano famoso. O aún los atribuidos Sin la pretensión de concluir el debate, dejamos aquí sólo uno de los sonetos del Parnaso para análisis. Se llama Jesus ou Barrabás? ("¿Jesus o Barrabás?", en español), y trae la firma del Príncipe de los Poetas Brasileños, Olavo Bilac. Si es de él mismo, no podemos decir. Pero que se trata de una de las más bellas piezas ya atribuidas a Espíritus, ah, se trata! Pincha aquí para leer!
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