terça-feira, 1 de julho de 2008

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Soneto Excelsa Prática, escrito em 2001 por Romário Fernandes

Quando a desoladora problemática
Da carência, carrasca da alma hermética,
Se nos apresentar penosa e estática
Lembremos da maior lição poética

Guie-nos a caridade, perene ética,
Pregada por Jesus de forma enfática
Como superior à Lei profética
Uma vez que é do amor a excelsa prática

E qual a escuridão sombria e trágica
Feita esplêndida luz, como por mágica,
Perante esse ideal tão magnânimo

As almas corroídas pelos ácidos
Do mal hão de encontrar recantos plácidos
De onde prosseguirão com vívido ânimo!

8 comentários:

Flávio Mussa Tavares disse...

Hummm very impressed!

Zadig disse...

Fica bem claro que a beleza dos versos estão além da rima, seja de qual tipo for, o seu trabalho passa, mas ainda prefiro ficar com a "construção"!

Cristina disse...

Li por pura curiosidade mas Chico Buarque é inigualável; ele cria tão inteligentemente suas músicas que grande parte de sua discografia é uma verdadeira CONSTRUÇÃO! Seu desfio não é pequeno e quanto ao seu poema é uma mensagem espírita de excelente qualidade!! Parabéns!

Jac disse...

Seu poema é digno de aplausos e de impressão pra ser relido e sentido depois.

Porém apresentá-lo como uma oposição/desafio ao grande Chico, isso é tolice, pois ao nos fazer recordar "suas construções" todo o mais fica efêmero e minúsculo.

Patrick Pacheco disse...

Belo soneto de versos decassílabos e rimas proparoxítonas.

Laguna Sunrise disse...

Não me sinto em condições de fazer juízo de valor no sentido de comparar o seu poema à letra da música do Chico Buarque. No entanto, chamou-me a atenção a idéia de que quaisquer palavras proparoxítonas rimam entre si. Sinto que intuía isso quando li BROQUÉIS de Cruz e Sousa. Agora faz mais sentido para mim que haveria deliberação no uso de proparoxítonas por este autor (o Cruz e Sousa). O efeito pode ser muuuuito evidente aos ouvidos e à sensibilidade!
Gostaria também de fazer um comentário sumário ao seu texto (pois, se fosse me aprofundar, levaria horas rs). O uso de um vocabulário que denota mais abstração ("hermética", "ética", "caridade") e uma, em parte, atmosfera sombria ("escuridão sombria e trágica", "desoladora", "carrasca", "corroídas pelos ácidos"), além do tratamento de um assunto mais transcendental, reflexivo, estes dois elementos (vocabulário e tratamento, repetindo) já me lembram algo do que identificava intuitivamente na leitura de Cruz e Sousa que referi. Adorei o seu poema pela dificuldade que ele pode impor ao desejo de atribuição de sentido por parte do leitor. Esta dificuldade, aliada ao encantamento de que me vejo tomado pela maneira como percebo a sonoridade do seu texto, são elementos que produzem em mim a prazeirosa idéia de uma busca pelo sentido de seu texto. Busca prazeirosa, justamente pelo sentimento de mistério que está por trás dela - mistério: o sentido que não se entregou facilmente para mim; o sentido sugerido, apenas pressentido.

Larissa Lussari disse...

Muito chique o seu poema, Romário!
Sempre achei as palavras proparoxítonas muito sonoras. Quando as encontrei neste poema espírita, me realizei: foi uma leitura muito gostosa!

Anônimo disse...

Perfeito!
Ousaria dizer, com sua permissão, que isto parece fruto do seu talento somado a uma ispiração de espíritos superiores!


A qualidade é superior a alguns poemas espíritas que já li.

Pareabéns!