sexta-feira, 18 de julho de 2008

Idéias

Arte Espírita

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Por arte espírita entende-se o conjunto de expressões de cunho artístico produzidas sob influência do espiritismo. Atualmente, o Brasil é o país que abriga a maior quantidade de artistas e de produções de arte espíritas. A Associação Brasileira de Artistas Espíritas conta hoje com 87 associados e mantém uma lista de discussão formada por quase trezentos artistas espíritas de todo o país.

Origens

As primeiras expressões artísticas identificadas com a doutrina espírita surgem em 1858, pouco após o lançamento de O Livro dos Espíritos. Observa-se nesse primeiro período uma forte identificação entre arte e mediunidade. Já na Revista Espírita de agosto daquele ano, consta a reprodução de um desenho intitulado A casa do Profeta Elias, em Júpiter[1]. A peça é do teatrólogo espírita Victorien Sardou, que a atribuiu ao espírito do ceramista francês Bernard Palissy. Três meses depois, o periódico publica relatos sobre um médium pintor norte-americano, identificado como E. Rogers. Já a edição de dezembro de 1858 traz o primeiro de uma série de textos que preencheriam ao longo dos anos a seção Poesia Espírita da revista. Trata-se do poema O despertar de um Espírito, atribuído ao espírito Jodelle, numa possível referência ao poeta francês Étienne Jodelle.

No ano seguinte, a arte mediúnica chega ao campo da música. A edição de maio de 1859 da Revista traz uma matéria sobre o fragmento de uma sonata atribuída ao espírito de Mozart, pelo médium Bryon-Dorgeval[2]. Em 1860, Kardec utiliza pela primeira vez a expressão arte espírita, propondo-a como o terceiro elemento de uma tríade formada também pela arte pagã e pela arte cristã[3]. Já nesse enunciado inicial, o sistematizador da doutrina parece mais propenso a uma arte inspirada pelo espiritismo do que a obras atribuídas a espíritos. Mesmo assim, nos anos seguintes só haveria registros esparsos de uma produção artística não-mediúnica entre os espíritas.

A arte dos espíritas

Em 1862, há o primeiro registro de uma obra de arte espírita não atribuída a espíritos. O poema O Vento, apresentado na Revista Espírita de fevereiro daquele ano como uma fábula espírita, é do francês que se identifica como C. Dombre, de Marmande. O texto usa como epígrafe uma frase de Kardec[4] e consiste numa metáfora sobre a difusão do espiritismo. Em setembro, sai o poema Peregrinações da alma de B. Jolly, herborista de Lyon, e, em outubro, nova fábula poética de C. Dombre, intitulada A Abóbora e a Sensitiva.

Em fevereiro de 1864, circula em Paris o romance A Lenda do Homem Eterno, do escritor francês Armand Durantin. O autor, que não era espírita, desenvolveu uma trama na qual um homem conhece o espiritismo após o falecimento da esposa, e acaba por se descobrir médium[5]. Kardec critica a obra por incorreções nas referências espíritas. Apesar disso, destaca o valor da iniciativa, aparentemente pioneira.[6].

Dois meses depois, o francês Jean de la Veuze publica A Guerra ao Diabo e ao Inferno, a imperícia do diabo, o diabo convertido, uma sátira à tese de que o espiritismo seria um instrumento diabólico para encaminhar pessoas ao inferno[7]. Quase simultaneamente, o espírita V. Toumier lança Cartas aos Ignorantes, filosofia do bom senso, uma síntese poética dos princípios contidos em O Livro dos Espíritos[8].

Ainda naquele ano, em outubro, o quadro Cena do interior de camponeses espíritas participa de exposição na cidade francesa de Anvers. Não há registro sobre a autoria da peça, que retrata uma sessão mediúnica numa casa no campo[9].

Notas e Referências

  1. Uma réplica do desenho original, no formato 47 x 60cm, pode ser vista aqui
  2. O trecho foi encontrado em 2004, numa biblioteca londrina, e remetido à Federação Espírita Brasileira. O engenheiro Alexandre Zaghetto reconstituiu a partitura no computador. Ela pode ser acessada aqui
  3. No artigo A arte pagã, a arte cristã, a arte espírita, publicado em dezembro daquele ano, Kardec defende a arte espírita como a sucessora da arte cristã: "(...) o Espiritismo abre à arte um campo novo, imenso, e ainda inexplorado, e quando o artista trabalhar com convicção, como trabalharam os artistas cristãos, haurirá nessa fonte as mais sublimes inspirações"
  4. "Quanto mais a crítica tem ressonância, mais pode fazer de bem, chamando a atenção dos indiferentes"
  5. Revista Espírita, fevereiro de 1864, Notícias bibliográficas, A Lenda do Homem Eterno
  6. Idem, ibidem
  7. Revista Espírita, maio de 1864, Notícias bibliográficas
  8. Idem, ibidem
  9. Revista Espírita, outubro de 1864, Variedades, Um quadro espírita na exposição de Anvers

3 comentários:

Allan disse...

Percebi a inquietação de vocês quando eu dei minha opinião de que a arte espírita não necessariamente seria a arte mediúnica. Pois há médiuns não-espíritas. Como você coloca, Kardec pensava algo assim no começo. Mas, quem sabe com o melhor estudo de estética, possamos formular conceitos mais sãos.

SuzyCriart disse...

Aprendi que antes de fazermos arte, ela já existia dentro de nós, então tudo é somente uma necessidade de expressão com um ideal , e se esse ideal não existir um bem comum ,nada funciona, e ainda mais se for na divugação da Doutrina Espírita. É preciso que haja despreendimento ou tentativa de aprimoramento das nossas inferioridade e não somente fazer a coisa como um trabalho comum.

paulinha disse...

Então ... O que estamos esperando ? Mãos ao trabalho .