quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Mais

Kardec avalia o ano que passou

Não, não se trata de nenhum suposto texto mediúnico. Tampouco era Kardec prevendo o futuro. O que nos chamou a atenção foi o fato de, há 140 anos, o codificador do espiritismo ter feito uma avaliação curiosamente atual sobre o desenvolvimento da doutrina no ano que terminara. Em janeiro de 1868, ele avalia o ano de 1867 no artigo Golpe de Vista Retrospectivo. E revela uma série de acontecimentos e situações que caberiam bem numa avaliação sobre o ano que acaba nas próximas horas. Confira os trechos mais interessantes:

O ano (...) havia sido anunciado como devendo ser particularmente proveitoso ao Espiritismo, e esta previsão realizou-se plenamente. Ele viu aparecer várias obras que, sem levar-lhe o nome, popularizam seus princípios (...) O número das sociedades ou grupos oficialmente conhecidos, é verdade, não aumentou sensivelmente; antes mesmo diminuiu em conseqüência das intrigas com a ajuda das quais procuraram miná-los, neles introduzindo elementos de dissolução; mas em contrapartida, o número das reuniões particulares ou de família cresceu numa proporção muito grande.

Além disso, é notório para todo mundo, e da própria confissão de nossos adversários, que as idéias espíritas ganharam terreno consideravelmente (...) Elas se infiltram por uma multidão de saídas; tudo a isto concorre; as coisas que, à primeira vista, ali parecem as mais estranhas, são meios com a ajuda dos quais essas idéias se fazem luz. É que o Espiritismo toca a um tão grande número de questões que é bem difícil abordar o que quer que seja sem nisso ver surgir um pensamento espírita, de tal sorte que, mesmo nos meios refratários, essas idéias eclodem sob uma forma ou sob uma outra, como essas plantas de cores variadas que brotam através das pedras. E, como nesses meios, geralmente, rejeita-se o Espiritismo por espírito de prevenção, sem saber o que ele diz, não é surpreendente que, quando os pensamentos espíritas ali aparecem, não se os reconhece, e, então, são aclamados por-que são achados bons, sem desconfiar que são do Espiritismo.

A literatura contemporânea, pequena ou grande, séria ou leviana, semeia essas idéias em profusão; ela está delas matizada, e não lhe falta absolutamente senão o nome. Se se reunissem todos os pensamentos espíritas que correm o mundo, se constituiria o Espiritismo completo. Ora, aí está um fato considerável, e um dos mais característicos do ano que acaba de se escoar. Ele prova que todos possuem dele, de si para si, elementos no estado de intuição, e que, entre seus antagonistas e ele, o mais freqüentemente, não há senão uma questão de palavras. Os que o repelem, com perfeito conhecimento de causa são aqueles que têm interesse em combatê-lo.

Mas, então, como chegar a fazê-lo conhecer para triunfar dessas prevenções? Isto é obra do tempo. É preciso que as circunstâncias o conduzam naturalmente, e pode-se contar para isto com os Espíritos que sabem fazê-las nascer em tempo oportuno. Estas circunstâncias são particulares ou gerais; as primeiras agem sobre os indivíduos e as outras sobre as massas. As últimas, pela sua repercussão, fazem o efeito de minas que, a cada explosão, levantam alguns fragmentos do rochedo.


Que cada Espírita trabalhe de seu lado, sem se desencorajar pela pouca importância do resultado obtido individualmente, e pense que à força de acumular grãos de areia forma-se uma montanha!


Gostou
? Se quiser conferir o texto na íntegra, é só clicar aqui:
http://espiritodearte.blogspot.com/2008/07/contedo-extra_02.html

E Feliz Ano Novo para todos nós!!!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Mais

A Moça Espírita de Clarice Lispector

"A moça, com os sapatos apertados, estremeceu com medo de si própria. Tinha medo de se purificar tanto que não pre­cisasse de mais nada. Como imaginar um ser que não precisasse de nada? era monstruoso. 'Não quero progredir', disse tei­mosa (...) Oh Deus, por que me escolheste para ser espírita e para compreender e saber?"

Eis o mote de uma curiosa reflexão espírita feita pela personagem Ermelinda, no livro A Maçã no Escuro, de Clarice Lispector. O romance, que recebeu em 1962 o Prêmio Carmem Dolores Barbosa de melhor trabalho literário do ano, trata do drama pessoal de Martim. Ele vive uma relação conturbada com três mulheres: Vitória, dona da fazenda onde trabalha em troca de hospedagem; a mulata empregada da fazenda, cujo nome não é revelado na trama; e Ermelinda, prima de Vitória, viúva animada com a chegada de um homem ao ambiente antes tomado pela feminilidade...

Quando consegue marcar um encontro com Martim, Ermelinda chega mais cedo ao local combinado e aguarda sozinha por cerca de uma hora. É nesse meio tempo que reflete sobre si, seus medos e incertezas, a incapacidade de ser como gostaria e a falta de tempo para conquistar todos os sonhos... É aí que vem o medo da finitude e de uma certa insustentável leveza do Espírito. Com vocês, a reflexão espírita de Clarice Lispector:

http://espiritodearte.blogspot.com/2008/12/contedo-extra.html

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Idéias

Mensagem de Natal

Dia de festa, paz e busca espiritual para boa parte do mundo. Pelo menos hoje, cai a violência, abranda o ódio e diminui a dor. Quem dera que isso tudo não fosse só hoje. Que a data e todos os outros símbolos do nascimento da Esperança fossem mesmo apenas representações. Da determinação, da força, da coragem e do desejo sincero de se aprimorar mais e mais a cada dia. Quem dera que cada Natal fosse apenas um marco. Para nos reunirmos, sentados à mesa de um banquete espiritual, a compartilhar os frutos de um ano inteiro de luta! Talvez fosse assim que o grande homenageado do dia preferisse. Talvez assim só fizéssemos jus ao legado que ele nos deixou.
Gostaríamos de deixar aqui hoje uma canção fantástica do compositor mineiro James Wulisses Marotta, intitulada Noite Igual. Ela já foi gravada, pelo menos, pelos grupos espíritas Arte Nascente (GO) e Meu Cantar (MG) e pela Marielza Tiscate (RJ). Mas, infelizmente, não conseguimos localizar nenhum vídeo de qualidade da canção. Eis por que optamos por trazer uma bela faixa do CD Chico Xavier em sua casa ...na presença do Natal. Trata-se da mensagem Oração do Natal, atribuída ao Espírito Meimei, psicografada e narrada pelo próprio médium!

domingo, 21 de dezembro de 2008

Elis Regina, cantora espírita?

E não é que a Pimentinha, Elis Regina, também foi espírita? Não só estudava a doutrina sistematizada por Kardec, como freqüentava um centro espírita em Curitiba e psicografava. De quebra, ainda serviu de ponte para a adesão de outros nomes notáveis da MPB ao espiritismo, a exemplo de Clara Nunes. O texto abaixo, que encontramos no Tablóide Digital, dá alguns detalhes pouco conhecidos sobre a vivência espírita da cantora. Ele foi escrito por Aramis Millarch e publicado no jornal Estado do Paraná, em 24 de janeiro de 1982, cinco dias após a morte da Pequena Notável.

Elis Regina foi durante muitos anos uma das maiores incentivadoras das obras filantrópicas que o espírita Amaury da Cruz desenvolve através do Centro Espírita Dr. Leocádio. Participando das sessões do Centro dedicado à fé kardecista, Elis Regina sempre foi bastante discreta em torno desta sua atividade e pelo fato da doutrina de Alan Kardeck (Leon Hipolyte Denizar Revail [sic] , 1804-1869) condenar totalmente o suicídio, todos que conheciam bem Elis Regina não acreditam, de forma alguma, que ela tenha, voluntariamente, posto fim a sua vida na manhã de segunda-feira.

A ligação de Elis Regina com o Centro Espírita Dr. Leocádio José Correa a levou, algumas vezes, fazer shows em favor de obras sociais auxiliadas pelo professor e médium Amaury Cruz – numa contribuição das mais meritórias e que fazia aumentar ainda mais o respeito e carinho que tantos tinham por sua pessoa. A ligação de Elis Regina com o professor Amaury Cruz e seus companheiros do Centro Espírita Dr. Leocádio José Correa e as graças recebidas, fez com que inúmeros de outros famosos da vida artística brasileira também passassem a freqüentar suas sessões, num trabalho discreto e que nunca teve qualquer exploração publicitária.

Entre outros já freqüentaram o Centro Espírita Dr. Leocádio José Correa, nestes últimos anos, artistas como Roberto Carlos, Clara Nunes e Geraldo Del Rey – este, aliás, por um longo período.

Imagina só, umas das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos fazendo show em prol de instituições espíritas! Pra completar, só faltava Elis Regina cantar música espírita também... Bom, se pensarmos em música espírita como a composição musical escrita sob influência do espiritismo, que expressa um sentimento coerente com a visão de mundo espírita... Então ela cantou! Não só cantou como gravou! E o Espírito de Arte traz aqui a raríssima composição No Céu da Vibração, de Gilberto Gil. Uma homenagem a Chico Xavier, interpretada ao vivo por Elis!



Se quiser conferir a letra, é só clicar aqui:
http://espiritodearte.blogspot.com/2008/07/contedo-extra_01.html

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Novas

Anunciado Disco Duplo de Música Espírita para 2009

A I Mostra Abrarte Nordeste, que reuniu em novembro grupos e artistas espíritas de quatro estados no município de Guaiúba (CE), ainda rende frutos. Riquíssimos, por sinal. A emocionante apresentação de Tarcísio Lima no último dia do evento inspirou a Coordenação de Artes da Federação Espírita do Estado do Ceará a tirar um projeto antigo do baú.

Tarcísio José Lima canta Doutrina Espírita foi um dos primeiros projetos musicais espíritas gravados no Ceará. Foram dois cassetes lançados em 1994 e 1995. Um divisor de águas, que ajudou a disseminar a música espírita no estado e rendeu regravações em vários CDs do Grupo Ame.

De lá para cá, a idéia de transformar as fitas em disco surgiu em várias ocasiões, sem nunca avançar. Agora, a Coordenação já definiu data para o lançamento do disco, possivelmente o primeiro álbum duplo de música espírita já feito no Brasil: 2 de julho de 2009. A pré-venda começa dia 13 de fevereiro, durante seminário de Divaldo Pereira Franco em Fortaleza, com direito a show de lançamento e uma campanha maciça de divulgação. Mais informações em breve!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

As Mães de Chico Xavier

Quatro histórias, um mesmo drama. Mães que perderam filhos. Mulheres em busca de consolo. Caminhos que levam a Chico Xavier. Esse é o ponto de partida para o próximo filme da Estação da Luz, a ONG reponsável pela realização de Bezerra de Menezes, o Diário de um Espírito. O anúnico oficial veio nessa semana, após uma longa negociação com a Federação Espírita Brasileira sobre direitos autorais.

É que, com o sucesso do Bezerra, muita gente correu de garantir os direitos sobre a adaptação de obras importantes de Chico Xavier para o cinema. Praticamente não sobrou nenhuma da série André Luiz, por exemplo. Sexo e Destino, que estava na mira da Estação da Luz, já está cedido para a Legião da Boa Vontade, junto com outras quatro obras...

A opção da ONG foi recorrer à obra mediúnica de Chico apenas como fonte de inspiração. "Assim não tem problema com direitos autorais e a gente pode criar com mais liberdade", explica o diretor de Bezerra e do novo filme, Glauber Filho. Como o projeto ainda está em fase de pesquisa, não há definição sobre quais histórias exatamente servirão de base para a trama. Mas o certo é que parte desse material sairá dentre as inúmeras cartas de "filhos mortos" psicografadas pelo médium.

Além disso, está definido que o enredo será centrado na história de vida das mulheres, e não em fenômenos espirituais. "É uma forma de mostrar um lado mais humano de tudo aquilo que cercava o Chico", justifica Glauber. Data de lançamento: 02 de abril de 2010, no centenário de nascimento do médium!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Idéias

O Espiritismo na Cultura Popular IV

Todo aquele que não vê uma ruptura entre o espiritismo à época de Kardec, francês, e o espiritismo brasileiro, de Bezerra e de Chico, ou é novo por essas bandas, ou se ateve à mera adesão dos princípios sem muita pesquisa do que foi o fenômeno Espiritismo no mundo.

A literatura dos primórdios era de jornal de estudos, o que talvez valesse aos periódicos científicos que temos hoje, com a ressalva de a linguagem ser bem menos seca. Ganhava em divulgação o que perdia em rigorosidade metódica. Kardec tinha sim rigor e critério, mas nada comparado à obsessão dos fabricadores de ciência. Conseguia assim mais alcance às massas, utilizando uma linguagem e um raciocínio menos hermético. Preocupava-se com didática, coisa rara nesses textos técnicos.

Houve uma grande repercussão quando foi lançada uma biografia de Joana D’Arc, pretensamente escrita por ela mesma, em espírito, psicografada pela senhorita Dufaux de catorze anos. Algumas poesias de inspiração espírita, alguns romances com toques de espiritismo, às vezes guiados pela moral que o espiritismo revelava, mas nunca os trabalhos de fôlego que tivemos aqui no Brasil.

Não queremos colocar em questão aqui a qualidade dos romances mediúnicos, mas o fato incontestável de nosso espiritismo ter se firmado mais em narrativas do plano espiritual que na observação criteriosa de fenômenos ou na análise das mensagens dos espíritos.

Ganhamos uma imensa obra literária em detrimento de uma densa obra científica. Se isso foi ruim? Deixemos Kardec falar:

“Para a explicação das coisas espirituais, por vezes me sirvo de comparações muito materiais e, talvez mesmo, um tanto forçadas, que nem sempre devem ser tomadas ao pé da letra. (...) É a tais comparações que a doutrina espírita deve, em grande parte, ter sido facilmente compreendida, mesmo pelas mais vulgares inteligências, ao passo que se eu tivesse ficado nas abstrações da filosofia metafísica, ainda hoje ela não teria sido partilhada senão de algumas inteligências de escol. Ora, desde o princípio, importava que ela fosse aceita pelas massas, porque a opinião das massas exerce uma pressão que acaba fazendo lei e triunfando das oposições mais tenazes. Eis porque me esforcei em simplificá-la e torná-la clara, a fim de pô-la ao alcance de todos, com o risco de fazê-la contestada por certa gente quanto ao título de filosofia, por que não é bastante abstrata e saiu do nevoeiro da metafísica clássica.” (Dezembro de 1864 em discurso proferido na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas por ocasião da Comemoração dos Mortos.)

- Mas, isso enviesa a verdade! Dirão as inteligências de escol...

“Fora da verdade não há salvação equivaleria ao Fora da Igreja não há salvação e seria igualmente exclusivo, porquanto nenhuma seita existe que não pretenda ter o privilégio da verdade. Que homem se pode vangloriar de possuí-la integral, quando o âmbito dos conhecimentos incessantemente se alarga e todos os dias se retificam as idéias? (...) Se Deus houvera feito da posse da verdade absoluta condição expressa da felicidade futura, teria proferido uma sentença de proscrição geral, ao passo que a caridade, mesmo na sua mais ampla acepção, podem todos praticá-la.” (O Evangelho Segundo o Espiritismo, “Fora da caridade não há salvação”)

- Meu Deus! Que blog profano! Prestam culto ao irracional, traindo a nossa tradição de Luzes... Não citamos aqui como “palavra da salvação”. Resgatamos Kardec para dialogar com ele. E, enquanto os espíritos fortes se estremecem com essa humilhação da razão, mostramos aos artistas brechas na nossa doutrina por onde novas sensibilidades podem surgir.

Allan Denizard

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

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A outra experiência espírita de Machado de Assis

Hão de lembrar-se da minha aventura espírita, e da promessa que fiz, de iniciar-me na nova igreja. Vão ver agora o que me aconteceu.


Assim começa a crônica de Machado de Assis publicada no dia 11 de outubro de 1885, na Gazeta de Notícias. Exatamente uma semana após uma das mais fantásticas crônicas já escritas em língua portuguesa, na qual o Bruxo versava sobre o mesmo tema. Como nem ele era perfeito, este segundo texto não guarda o mesmo brilho do primeiro. É engenhoso, bem escrito, machadianamente irônico, mas, é preciso reconhecer, deixa um pouco a desejar em relação ao primeiro, que foi um dos mais acessados de todos os tempos neste Portal.

Mesmo assim, resolvemos colocá-lo aqui também. Vai propiciar um bom momento de leitura aos apaixonados pela pena de Machado. E vai mostrar aos interessados pela temática espírita, ainda e sempre, mais um exemplo de como essa proposta de compreensão da realidade influenciou a cultura brasileira, ainda em fins do século XIX. É clicar abaixo e aproveitar!

http://espiritodearte.blogspot.com/2008/07/contedo-extra_06.html

domingo, 7 de dezembro de 2008

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Por trás do Parnaso de Além-Túmulo

Versión en Español

Charlatanismo, inconsciente ou mediunidade? Qual das três hipóteses explica melhor o fenômeno Parnaso de Além-Túmulo? Lançada em 1932, a antologia poética entrou para a história como o primeiro de mais de 400 livros atribuídos à psicografia de Chico Xavier. "...em consciência, não posso dizer que são minhas, porque não despendi nenhum esforço intelectual ao grafá-las no papel", escreveria o médium um ano antes, afastando de si qualquer mérito pela autoria dos textos.

Originalmente eram 60 poemas, que traziam assinatura de 14 autores lusófonos. Ao longo das edições seguintes foram-se incorporando mais e mais textos, até que na sexta (1955) o livro chegou à formatação final: 259 poemas e 56 autores. De Castro Alves a D. Pedro II, há versos de todo tipo, freqüentemente tratando de temas espirituais, morais ou religiosos. Que repercussão teve a obra? Vejamos alguns exemplos, extraídos do mais completo trabalho sobre o tema feito até hoje, A poesia transcendente de Parnaso de além-túmulo, de Alexandre Caroli.

Humberto de Campos, à época já ocupante da cadeira de Joaquim Manuel de Macedo na Academia Brasileira de Letras, "resume o tipo de comentário feito pelos intelectuais da época que se pronunciaram sobre o tema", nos dizeres de Caroli:

Eu faltaria, entretanto, ao dever que me é imposto pela consciência, se não confessasse que, fazendo versos pela pena do sr. Francisco Cândido Xavier, os poetas de que ele é intérprete apresentam as mesmas características de inspiração e de expressão que os identificavam neste planeta. Os temas abordados são os que os preocuparam em vida. O gosto é o mesmo e o verso obedece, ordinariamente, à mesma pauta musical. Frouxo e ingênuo em Casimiro, largo e sonoro em Castro Alves, sarcástico e variado em Junqueiro, fúnebre e grave em Antero, filosófico e profundo em Augusto dos Anjos.

Monteiro Lobato, por sua vez, afirmou: Se o homem realmente produziu por conta própria tudo o que vem do ‘Parnaso’ então ele pode estar em qualquer Academia, ocupando quantas cadeiras quiser...

Enquanto isso, o fundador da Academia Rio-Grandense de Letras, Zeferino Brasil, sentenciava: ou as poesias em apreço são de fato dos autores citados e foram realmente transmitidas do Além ao médium que as psicografou, ou o Sr. Francisco Xavier é um poeta extraordinário, genial mesmo, capaz de produzir e imitar assombrosamente os maiores gênios da poesia universal.

Apesar de todos as avaliações positivas, é claro que a obra passa longe de qualquer unanimidade. Outros analistas apontam a ocorrência de versos pobres, construções simplórias e sonetos mal-formulados. Uma das críticas mais corriqueiras foi sintetizada em 1971, na Revista Realidade, pelo crítico literário Léo Gilson Ribeiro: Uma coisa é clara: Quando o 'espírito' sobe, sua qualidade desce. É inconcebível que grandes criadores de nossa língua, depois da morte fiquem por aí gargarejando o tatibitate espírita.

Exagero ou não, o fato é que muitos textos atribuídos a escritores mortos parecem meio passados mesmo. Se em alguns a semelhança é gritante, a exemplo de Augusto dos Anjos e Guerra Junqueiro, noutros a diferença não deixa de falar tão alto quanto... Vide os sonetos do Alberto de Oliveira mediúnico, bem distantes da perfeição técnica que notabilizou o parnasiano. Ou mesmo os atribuídos a Antero de Quental, com construções bem mais simplórias do que aquelas que marcaram o estilo do poeta português.

Sem a pretensão de encerrar o debate, deixamos aqui apenas um dos sonetos do Parnaso para análise. Chama-se Jesus ou Barrabás?, e traz a assinatura do Príncipe dos Poetas, Olavo Bilac. Se é dele mesmo, não podemos dizer. Mas que se trata de uma das mais belas peças já atribuídas a Espíritos, ah, se trata! É só clicar aqui!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Idéias

O Espiritismo na Cultura Popular III

Lembra do último artigo, quando prometemos tratar dos significados de um dogma cientificamente impossível, mas facilmente assimilado pela cultura popular? Eis que abordamos agora a famosa Virgindade de Maria. Não queremos defender a veracidade do fenômeno, mas sim captar o que os ecos desse discurso têm a nos oferecer.

O primeiro fato que devemos tomar consciência é que para os judeus a virgindade perpétua era motivo de escândalo, motivo de desprezo. A mulher, no pensamento agrário e totalizador desse povo, tinha de ser como uma boa terra: fértil. Ora, a descendência de Abraão deveria povoar o mundo.

Não era um valor de virtude de autocontrole a manutenção da virgindade, como o era para os estóicos. Tão pouco era um relacionamento sacro-carnal entre as virgens da terra e os deuses do céu, algo como as vestais. A virgindade era um valor a ser ultrapassado por um ritual bem específico daquela sociedade. A infertilidade era mal vista. Vide o pesar de Sara por não gerar filhos ao pai Abraão, vide a reclusão que era imposta a mulher em seu período menstrual nessa cultura por ser este um período infértil.

A virgindade de Maria, portanto, antes de ter representado um repúdio ao sexo, representou uma condição humilhante de Maria. Jesus nasceu pobre e de uma mulher virgem.

Mas, a virgindade dela não tinha um valor em si. Era uma virgindade a serviço constante de Deus. Uma condição humilhante a serviço de Deus, bem conforme um discurso de resignação. Sendo que, do seio da humilhação, Deus trazia o salvador daquele mundo. Não tirou o messias de uma seita privilegiada, mas dos maltratados da terra.

O segundo fato é o caráter surpreendente que representa a virgindade. Esperava-se que o messias viesse de um casal que tivesse passado pelos ritos sociais. Maria é surpreendida grávida sem nunca ter conhecido varão. Nesse ponto o discurso da virgindade nos fala das manifestações de Deus na vida humana, inesperadas e, porque não dizer, ilegais.

O mais duro obstáculo que encontramos na ciência oficial é a sua impossibilidade de reconhecer o que não pode conceber na sua perspectiva de laboratório, quando Deus se manifesta além de todo condicionamento experimental. A vida pulsa de surpresas.

Um terceiro fato: o louvor à onipotência. Se de uma virgem é impossível nascer criança, derruba Deus as concepções humanas e lança sombra sobre o ventre de Maria, fazendo ser o que não se acreditava que pudesse vir a ser.

Por último, nessa mensagem milenar da virgindade, dorme a mais sublime mensagem de mediunidade. A mediunidade é assim como a virgindade de Maria. Eurípedes Barsanulfo, conhecido vulto do espiritismo, grande médium e divulgador da doutrina no interior de Minas Gerais, se admirou quando viu um sertanejo pobre, virgem(!) de qualquer conhecimento, proferir uma palestra com as mais belas reflexões sobre a doutrina espírita – falava mediunicamente!

Contrariando aqueles que acreditam e lutam por uma sociedade construída apenas pelo esforço humano, o discurso da virgindade vem trazendo uma verdade que há coisas no mundo que vieram direta e gratuitamente de Deus. O amor incondicional, a misericórdia, a piedade, são todos eles palavras do caderno divino que nos dá esse tom virginal.

Mas, afinal de contas, por que falar de Maria num blog sobre arte espírita? Faz parte de nossa promessa de pensar sobre o que poderia ser uma arte espírita nordestina. Faz parte de tentar compreender esse movimento tão singular que é o Espiritismo Brasileiro, com cores tão nossas.

Antes de sermos uma corrupção do que era a nobreza espírita francesa, talvez tenhamos um outro discurso que enriqueça ainda mais o espiritismo pro mundo. Falaremos disso!

Allan Denizard

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Você conhece?

O Transe e a Transa de Roberto e Chico

Esse é o exótico título de uma matéria publicada 35 anos atrás, na extinta Revista Fatos & Fotos. É preciso dizer que encontramos a indicação casualmente no excelente Portal Clube do Rei. Depois, seguimos o rastro até chegar ao original. Bem, o "Fato" foi o primeiro encontro público entre o médium Chico Xavier e o cantor Roberto Carlos, num show promovido pela Comunhão Espírita Cristã de Uberaba, em São Paulo.

A "Foto" é esta aí que se vê ao lado. Chico vestindo um paletó impecável, de óculos escuros e cabelos muito bem penteados. E Roberto... Bem, Roberto com uma típica roupa dos anos 70, meio colada, calça boca de sino e aquela cabeleira que causava frissom entre as mulheres da época...

Na matéria mesmo, que você pode ler no link abaixo, há várias informações curiosas, como a mudança no estilo de Roberto em função desse show, os bastidores do lançamento de um dos livros mais importantes da série André Luiz e as primeiras movimentações para o projeto cinematográfico que hoje bate recordes de bilheteria em todo o país...

http://espiritodearte.blogspot.com/2008/07/contedo-extra_11.html

Depois de ler, compartilhe suas impressões com a gente!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Idéias

O Espiritismo na Cultura Popular II

Que é essa mulher que aparece sempre nos ambientes de reconciliação entre as pessoas sofridas, pecadoras e Deus?

Tida como mãe da Igreja e divina intercessora, Maria é constantemente abordada na arte nordestina como elemento feminino extremamente acolhedor para os aflitos das histórias.

Em Hoje é dia de Maria, seriado apresentado pela Rede Globo, em sua primeira jornada, Maria (nome comum em nosso interior) não só aparece como a personagem pequenina, que logo é submetida a difícil dor diabólica de crescer, mas também como um ente luminoso e coroado que a estimula a seguir seu caminho de dor. Mas, Maria não é só resignação, senão coragem de carregar um sonho que valeria desafiar constantemente o diabo para sua consecução.

Em outra obra de arte, a peça O Auto da Compadecida, a Mãe Santíssima surge ao final intercedendo a favor dos recém-finados que estavam ali em frente a Jesus-juiz, num discurso de compaixão difícil de não dobrar o coração de qualquer justiça. Um convite à misericórdia.

Numa obra clássica de Chico Xavier, Parnaso de Além-Túmulo, encontramos mais de dez poemas atribuídos a diferentes Espíritos de poetas mortos em veneração a Maria, mãe de Jesus.

Colocada em questão por muitos críticos, a obra venceu o tempo como aquela que seria uma doce prova da permanência da poesia após a morte, ou o grande pastiche que, apesar de todo escárnio, poderia ter levado Chico a uma cadeira da Academia de Letras.

Os críticos mais espíritas, e menos afeitos a Maria, poderiam contrapor que as poesias receberam um efeito anímico de Chico. Um efeito anímico que tenha preenchido todo o conteúdo do poema? Imaginemos que sim. A possibilidade de lançar essa hipótese aparece no pescoço do médium, com seu indefectível escapulário.

Onde mais? Pelas mãos de outra grande médium brasileira, Ivone do Amaral Pereira, surgem notícias do além de que há Servos de Maria responsáveis pelo resgate das almas suicidas num vale de sombras.

Trouxemos aqui alguns exemplos da grande presença, para não dizer onipresença, dessa entidade no que se costumou chamar de imaginário popular. A literatura espírita vem trazendo uma possibilidade de ver nessa presença mais do que o produto de um imaginário. Não seriam as manifestações artísticas do povo a representação sensível da intuição de uma realidade?

Ah! Nós espíritas só acreditamos naquilo que pode ser exposto de forma racional, porque a vida é feita de letras de filosofia.

Não! A vida não é feita de letras de filosofia. A filosofia é, de fato, um bom instrumento para traduzirmos a vida para a razão. Só que há muito mais vida do que nossa razão abarca. E nosso espírito tem sede desse tudo que falta. Alavancas se desprendem da gente a nos impulsionar mais rápido para essas águas de vida. A arte parece ser uma delas.

Se esse discurso não lhes convence da função da arte como representante da vida, analisaremos em uma próxima postagem o quanto um dogma cientificamente impossível, mas facilmente assimilado pela cultura popular e versado por cordéis, pode ser filosoficamente intrigante e encantadoramente profundo.

Allan Denizard

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

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Expoentes da Arte Espírita

Version in English here

A Arte Espírita cresce! Avança, ganha espaço e leva junto o otimismo e a fé no futuro que marcam a visão de mundo espírita. Institucionalmente, a fundação da Associação Brasileira de Artistas Espíritas (Abrarte), no ano passado, evidencia bem esse movimento. Hoje são 90 associados de todo o país, e mais de 200 participantes no Fórum Virtual da instituição. E individualmente, as conquistas dos grupos saltam cada vez mais aos olhos.

Hoje vamos destacar o trabalho desenvolvido por dois dos maiores expoentes da Arte Espírita no país: o Alma Sonora (PR) e o Grupo Arte Nascente (GO). Não seria exagero dizer que são os dois grupos musicais espíritas mais relevantes em atividade. Vejamos por quê.

O Alma Sonora comemorou 11 anos em 2008, com um currículo raro no meio espírita. Inclui participação em trilha sonora de filme nacional, dois CDs e uma série de premiações em festivais nacionais de música. De quebra, o grupo tem canções executadas regularmente em rádios de Curitiba. Pra não "encumpridar" demais o texto, colocamos numa postagem à parte o currículo completo do grupo:

http://espiritodearte.blogspot.com/2008/07/contedo-extra_15.html

Depois de acessar o link acima, você certamente ficou com vontade de ouvir uma palhinha desse repertório premiado. Selecionamos aqui dois vídeos que podem dar uma idéia do que se trata. O primeiro é de Pensamento Sideral. O segundo, de Canção de Amor ao Planeta. Ambas peças das mais belas já produzidas pela Arte Espírita!






E aí, gostou? Pois vamos falar um pouquinho também do Grupo Arte Nascente, o GAN, de Goiânia. Esse ano, eles comemoraram em grande estilo os 20 anos de bons serviços prestados à espiritualização da Arte.

Gravaram o primeiro DVD ao vivo de um espetáculo musical espírita, num show transmitido em tempo real via internet, como já anunciamos neste Portal, com direito a propaganda na TV e tudo mais. O trabalho desenvolvido pelo GAN abrange visitas a hospitais, intervenções em escolas e palestras musicais sobre valorização da vida. Um conjunto de ações que renderam ao grupo uma declaração de utilidade pública da Assembléia Legislativa de Goiás, como se lê aqui.

E pra matar a curiosidade, eis um vídeo feito na V Mostra Brasileira de Teatro Transcendental, em Fortaleza. É uma música recente, que encerra o último CD do grupo, mas que já chegou com ares de clássico. Conheça Tudo É Amor e saiba por quê:

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Idéias

O Espiritismo na Cultura Popular I

Talvez um dos piores defeitos da arte espírita brasileira seja também o que há de mais sublime nela: a doutrinação.

De fato o Espiritismo traz uma mensagem racional extremamente forte e encantadora que faz com que seus adeptos a queiram ensinar ao mundo. Transferem essa querência para a arte e transformam-na numa aula de doutrinação. Há quem louve esse processo, mas há críticas que podem ser colocadas sobre ele.

O que dizer da arte que nasce do bruto da consciência? O processo mais majestoso da poesia é quando ela começa a sair das mãos como se fossem estrelinhas dos olhos, nos conectando terrenamente com um brilho de não sei onde, transmitindo um não sei o que pras gentes. Ela não precisou vir pela razão, e nem tinha razão para vir assim. Claro que depois podemos até encontrar os motivos da poesia, analisar o contexto histórico em que nasceu, a influência que seu autor recebeu, mas ela nunca vai deixar de ter, mesmo engaiolada pelas explicações dos críticos, um quê de transcendência, superando todas essas suas “genealogias”.

Um dos grandes empecilhos para conseguirmos gerar uma arte espírita popular são esses olhos racionais que nos prendem unicamente às coisas que podem ser captadas pela nossa lógica, taxando todo o resto de superstição e olhando de soslaio para toda manifestação folclórica.

Os lírios do campo a que se referia Jesus não vão longe daqui. Da cultura do nosso povo nascem manifestações líricas cheias de um revestimento do tempo, passageiro, é verdade, mas ricas de movimentos do divino.

Kardec nunca rejeitou essas verdades do povo, como a nossa arrogante ciência faz. Com seu espírito crítico, pelejava para encontrar as luzes de Deus no meio daquele colorido denso. São re-leituras de Kardec que precisam ser feitas.

A teoria do fluido cósmico, tão maltratada pelos cientistas modernos, ainda é forte entre o nosso povo que não consegue deixar de ver a vida como conectada por fios sutis unindo todos os seres – todos! – no seu pensamento mágico. Alguns pensadores contemporâneos voltam a discutir a realidade sistêmica da nossa realidade, tão querida, embora pouco racionalizada, pela religiosidade nordestina.

Acreditava o organizador do Espiritismo que este sairia vencedor pela força do povo. O uníssono de suas vozes seria ensurdecedor para os ditos espíritos fortes que, por sua vez, acreditavam estar nas massas a cretinice do homem. Jesus sempre apostou nos pobres de espírito, abertos às novidades de Deus. Alguns dizem que porque eram fáceis de manipular. Os profetas diziam que eram mais dóceis para ouvir. Mas a facilidade de apreender aquela verdade se devia a não terem se feito surdos para o espírito, mantendo a fé viva em uma realidade que ultrapassava o entendimento humano.

Para concretizar o que falo aqui, voltarei com um exemplo em outra postagem sobre um dogma tão querido dos nossos nordestinos: a virgindade de Maria. Não temos idéia de como o discurso da virgindade pode se identificar perfeitamente com o nosso espírita. Já dizia o poeta: “Amai para entendê-las!”

Allan Denizard

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Novas

Cinema espírita: de Bezerra a Chico Xavier

Novidades no cenário do cinema espírita! Logo mais, à 0h15 desta sexta-feira (07/11), o produtor de Bezerra de Menezes, O Diário de Um Espírito, Luís Eduardo Girão, concede entrevista ao apresentador Amaury Jr, na Rede TV. Ele fala do sucesso do longa, que chegou ao terceiro mês de exibição batendo a marca dos 400 mil espectadores. O número coloca o filme como um dos brasileiros mais vistos do ano. Além disso, Luís Eduardo adianta quase em primeira mão detalhes de sua próxima produção, com início previsto para o primeiro trimestre de 2009: um filme inspirado em obra do médium espírita Chico Xavier. Eu disse "quase em primeira mão" porque você já pode conferir logo abaixo, aqui no Portal Espírito de Arte, algumas informações exclusivas sobre o assunto!

Girão mantém o nome da obra em sigilo. Ele diz que a negociação ainda está em andamento. Até a assinatura final de alguns contratos, que deve acontecer em três semanas, essa informação fica em aberto. Mas quem cruzar os dados com esses outros, divulgados aqui há algumas semanas, já pode ter uma idéia do que se trata.

A previsão é de que o processo comece pra valer ainda no primeiro trimestre de 2009. A equipe,
garante o produtor, será a mesma que assinou o longa do Bezerra. Aliás, é provável, pelo sucesso do primeiro filme, que este segundo seja também distribuído pela Fox Filmes. E a perspectiva é de lançar a película em 2010, no centenário de nascimento de Chico Xavier!

Quer saber mais? Assista a entrevista completa daqui a pouco, na Rede TV! E acompanhe o Portal Espírito de Arte, é claro, que traz sempre em primeira mão as últimas notícias sobre o universo da Arte Espírita!

terça-feira, 28 de outubro de 2008

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A Poesia Espírita de Amor

Amor que queima, arde e inflama... Que inspira, encanta e emociona... Amor que dura, abranda e se aprofunda... Amor... Será que há espaço para falar desse, que é o mais universal dos sentimentos, na Arte Espírita? Não falo, é claro, do "amor pela humanidade" ou do "amor fraterno" dos ensinamentos religiosos. A questão aqui é: como o Amor que une duas pessoas por anos, décadas ou existências ganha espaço na literatura influenciada pelo espiritismo? É o que procuramos responder daqui para a frente. Um dos poemas mais conhecidos entre os espíritas chama-se Alma Gêmea. Atribuído ao Espírito de Emmanuel, psicografia de Chico Xavier, ele veio a público no romance histórico Há 2000 Anos. O texto, mais do que polêmico, é este aqui:

Alma gêmea da minh'alma,
Flor de luz da minha vida,
Sublime estrela caída
Das belezas da amplidão!...

Quando eu errava no mundo
Triste e só, no meu caminho,
Chegaste, devagarinho,
E encheste-me o coração.

Vinhas na bênção dos deuses,
Na divina claridade,
Tecer-me a felicidade,
Em sorrisos de esplendor!...

És meu tesouro infinito,
Juro-te eterna aliança,
Porque eu sou tua esperança,
Como és todo o meu amor!

Os problemas, "doutrinariamente falando", são a questão das almas gêmeas e a referência de cunho politeísta, ambas idéias combatidas pelas obras de referência do espiritismo. O poema, obviamente, não é espírita. O autor atribui a autoria do texto a uma personalidade encarnada na época em que Jesus era vivo! Portanto, séculos antes de haver qualquer influência espírita à disposição para inspirar de alguma forma a peça... Mas como se acredita que ela teria sido escrita pelo mentor espiritual de Chico Xavier, enquanto encarnado, como senador romano, a coisa acabou fazendo muito sucesso entre os espíritas. A ponto de ter se tornado um dos grandes clássicos da música espírita, gravado em 1994 pelo Grupo Acorde, da Paraíba. Deu tanto o que falar que suscitou uma resposta por parte de um dos maiores expoentes da música espírita nordestina, o maestro Tarcísio Lima. Sua composição Alma Irmã foi gravada em 2004 pelo Grupo Ame, do Ceará.

Não se pode aprender da noite para o dia
Muito há para vencer: dureza e rebeldia

E no plano inferior a luz a gente adia
Tranformando em grande dor, alma irmã, toda alegria

Por você roguei aos céus, por este lhe fui dado
Meu destino uniu-se ao seu nos passos do passado
Sob as bênçãos do Senhor, com amor acrescentado
Você faz um ser melhor, alma irmã, de um ser malvado

Você me representa a aurora da esperança
Qual anjo, qual criança de todo o mal isenta
Jesus assim me alcança, me ergue e me alimenta

Minha grande pequenês me trai a cada gesto
Mas aumenta, vez e vez, o bem que hoje atesto
Frontes brancas a impor, o tempo anda presto
Seja a paz nosso pendor, alma irmã, no mundo infesto

Nossas almas são afins, pois gêmeas Deus não gera
São idênticas nos fins: vencer na nossa esfera
Dos menores ao maior dos graus da vida vera
Chegaremos ao Amor, o primor da nossa espera

Você, com suavidade, é a luta que eu me imponho
O tom em que componho nossa posteridade
Um avanço no meu sonho de amar a humanidade

Mas para além dos debates doutrinários, há espaço também para expressões de Amor mais livres dentro da Arte Espírita. Formas marcadamente influenciadas pelo espiritismo, sem ter, por isso, que apelar à razão, à argumentação ou à defesa de idéias. Destaco aqui, duas composições gravadas e interpretadas pelo Alma Sonora, do Paraná: O Tempo e a Distância, de 1996, e Ikebana, de 2007. E, de quebra, um poema-bônus, escrito em 2008 por Romário Fernandes, do Ceará, intitulado Constante. Você confere os três textos logo abaixo:

http://espiritodearte.blogspot.com/2008/07/contedo-extra_08.html

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Novas

Mostra Nordeste: Programação

A 1ª Mostra Abrarte Nordeste acontece nos dias 14, 15 e 16 de novembro, em Guaiúba, Região Metropolitana de Fortaleza (CE), com a participação de doze atrações, vindas de quatro estados. A Bahia será representada pela Comunidade Arte e Paz, de Salvador, que abre o evento com o espetáculo Quem tem medo da morte?. Já os potiguares chegam com o Grupo Persona, de teatro, que apresenta a peça Flores de Amor, e com o Coral Paco Horo, ambos de Natal. Pernambuco se faz presente na figura do músico Valdemagno Torres, do Grupo Criarte. E o Ceará leva ao palco de Guaiúba os Grupos Lema (Louco É Tu), Riso de Deus (
Viva e Deixe Viver), Espírito de Arte (Causos Contados e Cantados), Fantasia (Mediunidade É Coisa do Bem), Cantar É Viver e o maestro Tarcísio Lima. Além das apresentações, a Mostra conta com debates e oficinas de aprimoramento técnico. Destaque para a exibição fechada do longa O Diário de um Espírito, com a presença do diretor Glauber Filho. Ainda há tempo de se inscrever para o evento! Basta acessar a página oficial da Abrarte e preencher o formulário. O valor de R$20,00 inclui transporte, alimentação e hospedagem no local da Mostra. Eis a programação completa:

- Sexta (14) à noite:
* Abertura com apresentações abertas ao público (Quem tem medo da morte? [BA] e um grupo cearense a confirmar)

- Sábado (15) de manhã:
* Roda de discussão com o tema A Arte Espírita nos Editais Públicos
(como e por quê disputar incentivos públicos para os trabalhos de Arte Espírita)

- Sábado (15) à tarde:
* Exibição fechada do longa Bezerra de Menezes, o Diário de um Espírito, seguida de debate, com a participação do diretor Glauber Filho

- Sábado (15) à noite:
* Apresentações abertas ao público (Flores de Amor [RN], Causos Contados e Cantados [CE],
Show de Magno Torres [PE] e do Grupo Cantar É Viver [CE])

- Domingo (16) de manhã:
* Oficinas de aprimoramento técnico
a) Ritmo e Expressão Corporal (Claúdio Ivo)
b) Harmonia Aplicada ao Violão (Tarcísio Lima)
c) O Teatro de Bonecos (Aristides Barros)
d) A Percepção de Conjunto na Música (Paula Jucá)

- Domingo (16) à tarde:
* Encerramento e apresentações abertas ao público (Louco É Tu [CE], Viva e Deixe Viver [CE],
Mediunidade É Coisa do Bem [CE], apresentação de Tarcísio Lima [CE] e do coral Paco Horo [RN])

domingo, 12 de outubro de 2008

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A inspiração espírita de Cruz e Sousa

O Espírito de Arte tem mostrado a cada semana a diversidade de impressões que o espiritismo causou nos grandes autores da língua portuguesa, ainda vivos. Seja para ironizar, a exemplo de Machado de Assis, alfinetar, como fez Ariano Suassuna, ou exaltar, opção de Monteiro Lobato, não faltaram escritores de peso que achassem no espiritismo os elementos necessários para produzir literatura de qualidade. Às vezes até superior àquela atribuída a seus respectivos Espíritos de Além-Túmulo...

Dessa vez, vamos falar de um dos maiores poetas simbolistas da literatura universal: Cruz e Sousa. A produção mediúnica atribuída a ele é farta. Inclui pelo menos trinta sonetos psicografados pelo Chico Xavier, mais uma série de textos esparsos, produzidos via médiuns variados pelo Brasil afora. O que pouca gente sabe é da proximidade do Cisne Negro com o espiritismo, que já no final do século XIX ganhava espaço na Ilha do Desterro (hoje Floripa!), terra natal do escritor! Vejamos o que diz o filósofo Evaldo Pauli, da Universidade Federal de Santa Catarina, na Enciclopédia Simpózio, sobre o círculo de amizade de Cruz e Sousa:

Manoel dos Santos Lostada (1860-1923). (...) chegará a Oficial de Gabinete do Presidente Dr. Gama Rosa. Promotor público em Itajaí, logo a seguir. Mais tarde deputado estadual. Poeta. Adere ao espiritismo. Relacionado sempre com Cruz e Sousa, ocupar-se-á dos interesses deste em Santa Catarina quando da doença a morte do mesmo em 1898. Juvêncio de Araújo Figueiredo (1864-1927). Também espírita (...) Quando no Rio de Janeiro, hospedou a Cruz e Sousa em 1890, quando este então para ali também se trasladava. (...) No prefácio de Ascetério lemos um particular interessantíssimo: "Araújo Figueiredo foi o companheiro amigo e o irmão predileto do genial Cruz e Sousa, esse rebelde augusto que as ironias da vida despedaçaram sem poder dar-lhe morte" (Monsenhor Manfredo Leite). O testemunho de Manfredo Leite, nascido em 1876, em Desterro, membro da Academia Paulista de Letras, tem a validade de sua antiguidade e pela convivência tida com Araújo Figueiredo, o bom espírita, venerado como santo pelo povo...

Alguém poderia perguntar: certo, mas e daí? Ser amigo de espíritas não quer dizer lá muita coisa... De fato, não. Mas a influência do espiritismo na vida do poeta não pára por aí. É preciso lembrar que o simbolismo é uma escola literária fortemente influenciada pelo espiritualismo francês. As idéias de Espírito, transcendência e imortalidade estão presentes de forma mais ou menos clara em boa parte dos textos simbolistas. E, no caso de Cruz, essas noções parecem ter ganhado uma inspiração bem específica, ainda segundo Pauli:

Por convenção social de origem João da Cruz e Sousa era católico (...) À medida que passou a tomar posições conscientizadas, suas idéias foram sendo transformadas, para uma visão de síntese discorde da Igreja católica, da qual discretamente se afastou, assumindo uma posição similar a do espiritismo, já então em formação na capital de Santa Catarina. Aliás a doutrina do professor Allan Kardec (1804-1869) se enquadra no espiritualismo eclético francês, do qual foi o ramal espírita, e passou a ser muito lido também no Brasil, graças à então influência da literatura francesa.

Certo, certo, ele estava cercado por espíritas, pensava, em certa medida, como eles, e se afiliava a uma escola literária também influenciada por idéias do espiritismo. Mas e o que tem isso com a produção que o imortalizou como poeta? Bom, separamos logo abaixo três textos dele, um mais conhecido, os outros quase ignorados, que podem dar uma boa idéia de como a visão de mundo espírita influenciou a sensibilidade e a Arte de Cruz e Sousa.

http://espiritodearte.blogspot.com/2008/10/poemas-de-cruz-e-sousa-publicados-na.html


quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Novas

Filmes Espíritas: o que vem por aí?

Bezerra de Menezes: o Diário de um Espírito nem tem previsão de deixar os cinemas ainda, e já começam as negociações para os próximos filmes brasileiros de temática espírita. Por enquanto, pelo menos duas produções já estão em andamento.

Uma delas, anunciada em 2006, é a adaptação da biografia As Vidas de Chico Xavier, de Marcel Souto Maior, para o cinema. O diretor é Daniel Filho, que já descartou dois roteiros por falta de qualidade. O terceiro ficou sob a responsabilidade de Marcos Bernstein, que traz no currículo o longa Central do Brasil. A expectativa era de que as gravações começassem até o fim do ano, com estréia em 2009. Mas, pelo menos oficialmente, não há definição de elenco, nem de locações ainda.

A outra produção que parece bem encaminhada se baseia em Nosso Lar, romance mediúnico mais vendido na história, atribuído por Chico Xavier ao Espírito de André Luís. Há algumas semanas, o comunicador espírita Alamar Régis (PA) tem dito que a Fox Filmes estaria em "parceria" com o ator e diretor espírita Renato Prieto para a realização do longa. Pelo sim, pelo não, recorremos a uma das fontes em busca de uma informação mais precisa. E a resposta foi a seguinte, via site oficial do Prieto:

"Está andando sim, acreditam que começam a filmar entre dezembro e janeiro, produção de uma empresa brasileira x americana... Vou fazer como ator e estou aguardando as ordens... Chamou, fui! Por enquanto, é isto. Abraços"

Cruzando as informações do Renato com as do Alamar, parece que podemos contar sim, em breve, com a adaptação cinematográfica desse clássico da literatura espírita. E comandada pela própria Fox Filmes, que já não tem nenhuma dúvida sobre o potencial dessa temática depois da surpresa que foi Bezerra de Menezes...

domingo, 5 de outubro de 2008

Novas

Arte no Instituto de Cultura Espírita

O VIII Mostr'Arte marcou mais um fim de semana movido a Arte no Movimento Espírita Cearense. O evento integrou a programação da IX Semana Kardeciana do Instituto de Cultura Espírita do Ceará e contou com a participação de vários grupos e artistas. A abertura ficou por conta de um coral infantil da própria casa, que cantou Vinha de Luz, clássico da música espírita local, composto por Francisco Cajazeiras. A seguir, o Teatro de Bonecos Riso de Deus apresentou uma versão adaptada de Viva e Deixe Viver, a peça mais apresentada durante a VI Mostra Brasileira de Teatro Transcendental. Apesar de ser um trabalho direcionado para o público infantil, a peça conquistou pessoas de todas as idades com uma bela trama sobre os conflitos íntimos de um casal.

Logo depois, Expedito Brito e Gleika Veras representaram o Grupo Ame numa apresentação curta, que resgatou Rumo ao Pai, do repertório do grupo. De resto, ficou o anúncio de que o Ame deve voltar à ativa em breve, com uma formação que mescla novatos e veteranos, num total de 12 pessoas... Em breve, você confere aqui mesmo novidades sobre o assunto! Seu Nonato veio em seguida, mostrando com belos poemas qual é que é mesmo a melhor idade!

E como última atração do primeiro bloco, o Espírito de Arte fez uma das melhores apresentações de sua história! No repertório, Rockumbral, mais rock do que nunca; Reparação, canção do GAN com novo arranjo instrumental; Pensamento Sideral, de Douglas Thá, uma das mais belas peças já produzidas pela Arte Espírita; e Hydesville, clássico recente da música espírita brasileira, interpretado assim, com a cara do Espírito de Arte:



Depois, tivemos ainda O Poeta, Tarcísio Lima, que interpretou composições próprias, com a alma de sempre; Francisco Cajazeiras, assumindo a feição poética ao declamar versos doutrinários autorais; e o Grupo AVE, composto por jovens do ICE-CE, com uma bela apresentação teatral que arrematou essa noite espírita de arte no Ceará!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Novas

Arte Espírita na TV!

Nada como contar com a determinação dos pioneiros! Gente que luta, briga, corre, dá o melhor de si para abrir caminhos onde não havia. Na Arte Espírita, é impossível não falar do pioneirismo do Grupo Arte Nascente, de Goiânia! Estiveram entre os primeiros a gravar um CD de música espírita, em 1995, pouco após o Grupo Acorde, da Paraíba. Nos anos seguintes, inauguraram uma tradição que se tornaria marca do grupo: os musicais espíritas! Espetáculos que envolvem música, teatro e dança, sempre a partir das faixas dos discos.

Já esse ano, o GAN se consagrou como um dos raríssimos grupo de Arte Espírita a completar 20 anos em plena vitalidade! Comemorou antecipadamente com o CD e o show Arte Nascente, em 2007, transmitido ao vivo pela internet, no dia 21 de outubro passado (pela primeira vez na história desse país, vale ressaltar, independente da estrutura de eventos ou similares...). E agora, no próximo dia 17 de outubro, o grupo trabalha para dar mais um passo pioneiro no universo da Arte Espírita. Confira o comercial abaixo para saber como está chegando à população de Goiás a notícia sobre a gravação do primeiro DVD ao vivo de um espetáculo musical espírita!



É isso mesmo! Como se não bastasse avançar ainda mais com esse espírito empreendedor que tanta falta faz à Arte Espírita nacional, eles ainda conseguiram espaço midiático pra divulgar a empreitada! É claro que quem acompanha de perto sabe que vez por outra alguns grupos ou artistas conseguem chegar lá. Em comum, todos têm a preocupação com a qualidade técnica do trabalho. Além disso, de modo geral, têm menos foco em doutrinar do que em compartilhar a vivência espírita com o público. Alguns até dispensam esse quesito, mas aí tem que ter um bom "peixe" na mídia, pra fazer propaganda religiosa na TV... Enfim, não é o caso do GAN e nem do Lema, aqui do Ceará, que recebeu um bom espaço na mídia graças ao espetáculo Chico Xavier, a Mão dos Imortais. Você confere logo abaixo uma das reportagens que foram ao ar!

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

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Monteiro Lobato, o Sítio e a Mediunidade

Que Monteiro Lobato foi espírita, quase todo mundo sabe. O maior autor infantil brasileiro começou a se aproximar do espiritismo aos 61 anos, logo após a morte do filho, Edgar Lobato. Demorou algum tempo até que ele resolvesse participar das reuniões mediúnicas informais realizadas pela família. Mas do dia em que sentou à mesa, em 21 de dezembro de 1943, até deixar a Terra, cinco anos mais tarde, não parou mais! Virou secretário das sessões que tinham como médium sua esposa, Purezinha. Transformava, segundo relatos de quem já teve acesso à obra Monteiro Lobato e o Espiritismo, de Maria José Sette Ribas, simples atas de reunião em verdadeiras peças literárias.

Este é um trecho da sessão realizada em 12 de agosto de 1944:

"Tivemos uma sessãozinha de excepcional valor emotivo. Sem muita demora o copo escreveu": – Adamastor Ferraz. – Português, evidentemente, mas de onde irmão? – Inhambane, Moçambique. – Lembra-se de quando passou, ou faleceu, ou morreu? – Desencarnei em 1868. – Uma coisa: estará, por acaso, vendo outros espíritos nesta sala, aqui junto de nós? – Muitos. – Pode distinguir algum? – Principalmente uma irmã já idosa. "Ficamos todos assanhados, porque podia ser a mãe de algum dos presentes. Eu perguntei:"? – E onde está essa irmã? – Pegada a irmã vestida de preto e branco (Purezinha estava com um vestido de ramagens brancas em fundo preto). "O copo continuou": – Ela parece ter sido muito íntima. Tem olhos azuis. "Dona Brasília, mãe de Purezinha, tinha olhos azuis. Havia, pois, de ser ela. Pedi ao irmão Ferraz que lhe perguntasse o nome e o copo imobilizou-se, sinal de que o espírito atuante está falando com outro. Depois escreveu": – Brasília Natividade."A mãe de Purezinha! Fizemos um barulhão, e eu": – Pergunte-lhe se pode tomar o copo e conversar conosco."O copo imobilizou-se de novo, e depois escreveu": – Ainda não tem permissão. – Que história de permissão é essa, Adamastor? Então há um governo aí, uma tutelagem ou que seja, de modo que até para uma simples conversa conosco é preciso "permissão"? Permissão de quem? – Nem nós o sabemos. – Pergunte à irmã Brasília se não tem desejo de conversar com os seus parentes vivos."

Entre os casos mais curiosos descritos por Lobato, há uma manifestação do Espírito de Tia Nastácia! Sim, a cozinheira de mão cheia do Sítio é baseada numa mulher que cuidou dos filhos dele quando eram crianças. Àquela altura já desencarnada, ela veio falar sobre si e sobre os filhos, também falecidos, de Lobato. Naqueles que foram seus último anos, o criador de Emília e cia. se tornaria um grande divulgador dos princípios espíritas, a exemplo de outros escritores, como o francês Victor Hugo e o alemão Thomas Mann. Olha só o que o Herculano Pires escreveu, na introdução do livro, sobre os textos espíritas do escritor:

Mas o que mais ressalta da sua leitura, como contribuição para o esclarecimento do problema espírita, é a maneira penetrante com que Lobato soube tirar, a cada instante, de pormenores aparentemente insignificantes, ilações conclusivas. Dispondo de recursos mediúnicos precários, de meios deficientíssimos de comunicação, limitando-se a diálogos telegráficos e muitas vezes frustrados, Lobato fez o contrário dos grandes cientistas que se afogaram sob avalanchas de provas sem compreendê-las. De uma palavra, de uma expressão, de um dado mínimo ele soube extrair elementos probatórios da sobrevivência do espírito após a morte corporal e da identidade dos comunicantes.

É o fraco!