quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Idéias

O Espiritismo na Cultura Popular I

Talvez um dos piores defeitos da arte espírita brasileira seja também o que há de mais sublime nela: a doutrinação.

De fato o Espiritismo traz uma mensagem racional extremamente forte e encantadora que faz com que seus adeptos a queiram ensinar ao mundo. Transferem essa querência para a arte e transformam-na numa aula de doutrinação. Há quem louve esse processo, mas há críticas que podem ser colocadas sobre ele.

O que dizer da arte que nasce do bruto da consciência? O processo mais majestoso da poesia é quando ela começa a sair das mãos como se fossem estrelinhas dos olhos, nos conectando terrenamente com um brilho de não sei onde, transmitindo um não sei o que pras gentes. Ela não precisou vir pela razão, e nem tinha razão para vir assim. Claro que depois podemos até encontrar os motivos da poesia, analisar o contexto histórico em que nasceu, a influência que seu autor recebeu, mas ela nunca vai deixar de ter, mesmo engaiolada pelas explicações dos críticos, um quê de transcendência, superando todas essas suas “genealogias”.

Um dos grandes empecilhos para conseguirmos gerar uma arte espírita popular são esses olhos racionais que nos prendem unicamente às coisas que podem ser captadas pela nossa lógica, taxando todo o resto de superstição e olhando de soslaio para toda manifestação folclórica.

Os lírios do campo a que se referia Jesus não vão longe daqui. Da cultura do nosso povo nascem manifestações líricas cheias de um revestimento do tempo, passageiro, é verdade, mas ricas de movimentos do divino.

Kardec nunca rejeitou essas verdades do povo, como a nossa arrogante ciência faz. Com seu espírito crítico, pelejava para encontrar as luzes de Deus no meio daquele colorido denso. São re-leituras de Kardec que precisam ser feitas.

A teoria do fluido cósmico, tão maltratada pelos cientistas modernos, ainda é forte entre o nosso povo que não consegue deixar de ver a vida como conectada por fios sutis unindo todos os seres – todos! – no seu pensamento mágico. Alguns pensadores contemporâneos voltam a discutir a realidade sistêmica da nossa realidade, tão querida, embora pouco racionalizada, pela religiosidade nordestina.

Acreditava o organizador do Espiritismo que este sairia vencedor pela força do povo. O uníssono de suas vozes seria ensurdecedor para os ditos espíritos fortes que, por sua vez, acreditavam estar nas massas a cretinice do homem. Jesus sempre apostou nos pobres de espírito, abertos às novidades de Deus. Alguns dizem que porque eram fáceis de manipular. Os profetas diziam que eram mais dóceis para ouvir. Mas a facilidade de apreender aquela verdade se devia a não terem se feito surdos para o espírito, mantendo a fé viva em uma realidade que ultrapassava o entendimento humano.

Para concretizar o que falo aqui, voltarei com um exemplo em outra postagem sobre um dogma tão querido dos nossos nordestinos: a virgindade de Maria. Não temos idéia de como o discurso da virgindade pode se identificar perfeitamente com o nosso espírita. Já dizia o poeta: “Amai para entendê-las!”

Allan Denizard

Um comentário:

Geraldo Saulo disse...

Encontrei esta postagem em um pagina Espirita,li gostei, e encontrei Esta obra de ARTE chamada de site, que coloca-nos diante de uma esquina onde podemos ver várias saidas, ou entradas, dependendo do ponto de vista a observar.Estou voltando à site.Parabens!!