terça-feira, 5 de abril de 2011

Chico, as mães e a igualdade para a dor

Deus criou todos os homens iguais para a dor; pequenos ou grandes, ignorantes ou instruídos, sofrem todos pelos mesmos motivos, a fim de que cada um pese judiciosamente o mal que pode fazer.

A mensagem do Espírito de Lázaro, psicografada em 1863 na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, nos faz lembrar dessa característica fundamental que irmana e iguala cada uma das almas encarnadas sobre a Terra. A dor é o recurso sagrado de que se serve a Providência Divina para nos orientar com segurança pelo caminho da Verdade. Cada passo dado fora dele nos conduz mais cedo ou mais tarde à dor e, em nosso estado de apego à ilusão, ao sofrimento e também à culpa.

Na película cearense que estreou nesse fim de semana, encerrando a sequência cinematográfica relacionada ao centenário de nascimento de Chico Xavier, é exatamente a igualdade para a dor que move e dá substância à trama. São três histórias de mães que sofreram perdas dolorosas por natureza e que encontraram no mandato mediúnico de Chico o consolo e o estímulo de que necessitavam para seguir em frente.

Sem pretensões à condição de crítico cinematográfico, que não sou, apesar de já ter estudado cinema, falo como Espírito em experiência terrena que vivenciou 108 minutos de beleza, consolação e transcendência em som e imagem ao sentar na poltrona do cinema para assistir ao longa As Mães de Chico Xavier.

Um início um tanto lento, que me exigiu bastante atenção para não perder o fio da meada. A exigência, talvez um pouco cansativa, acabou surtindo um efeito alternativo: eu me vi pouco a pouco familiarizado e então envolvido pelas histórias retratadas. Ao cativar meu interesse desde o princípio, pela própria temática, e gradualmente mais pelo quebra-cabeças de linhas narrativas, o filme criou a empatia necessária para que eu me emocionasse a cada ponto de virada dos dramas familiares apresentados.

Senti a dor culpada de Elisa, o sofrimento arrependido de Ruth e o vazio não compreendido de Lara. Me vi surpreendido ao descobrir a exatidão cruel da experiência por que passaram os pais de Raul e também ao me deparar com a revelação clara da Providência a envolver Santiago no momento da incompreensão.

E, conectando todos esses contextos aparentemente isolados, vi a figura exemplar, paciente e ativa, de Chico Xavier a esclarecer, trabalhar e consolar, como fez na maior parte de seus 75 anos de mediunato.

Sem buscar o preciosismo técnico, habitualmente embebido na alegria superficial, na violência gratuita ou no pessimismo doente que dominam os Espíritos e, por extensão, o cinema contemporâneo, saí da sala de exibição com a alma sensibilizada, pela dor e pela superação, e com a vontade renovada para prosseguir nas lutas que me comprometi a enfrentar nesta experiência carnal. E é disto, mais do que da opinião "especializada" ou do reconhecimento da Academia, que este Espírito aqui precisa.

3 comentários:

Golbery disse...

Apesar de eu não ter gostado do filme, devo reconhecer que ele foi tocante. Ouvi várias mulheres na sala de cinema fungando. Minha própria mãe que sentou ao meu lado chorou ao assistir algumas cenas. Mas algumas vezes... não sei...as mulheres são mais sensíveis que os homens para o choro.

http://www.youtube.com/watch?v=h_K4mAD8xnc

Tadeu disse...

Chico Xavier a luz do amor.

Allan Denizard disse...

Gostaria muito de ouvir o que vc tem a dizer sobre o filme BIUTIFUL de Alejandro González Iñárritu.