sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Idéias

O Grande Dilema da Arte Espírita

O maior dilema que os espíritas têm de enfrentar é o da liberdade individual. E, ainda mais que os espíritas, os espíritas artistas. Se eu considero essa doutrina tão santa e verdadeira, como produzir uma obra que venha do meu coração, imperfeito e cheio de mentira, que não venha a macular o que é espírita?

Não foi a toa que Clarice Lispector indagou: “Oh Deus, por que me escolheste para ser espírita e para compreender e saber?"

Depois de se ser salvo por qualquer doutrina - e isso vale para qualquer uma! - torna-se pesado carregar as verdades que te salvaram. Carregar e respeitar como quem reza um terço, como quem deixa a Bíblia exposta num mostradouro na sala, como quem paga promessa. É penoso ter de passar pela igreja e fazer o sinal da cruz em agradecimento perpétuo por alguém que me salvou com sangue, ainda que ele tenha dito que tudo seria mais leve se o seguisse.

Porque se é indiscutivelmente bom ser espírita, me faz uma falta danada ser eu. Uma falta que, de tanta saudade, pesa.

É caridade, e caridade é dever absoluto, divulgar as leis morais reveladas pelo mundo. É dever cristão se apagar em trabalho para escrever em todos os cantos as letras de Jesus. É pecado de traição deixar o espiritismo apenas velado nos meus versos por querer me mostrar mais. Pois é pecado ser egoísta e, assim, ser eu.

Mas é estranho que se faça duelo entre mim e Deus, se Dele sou semelhante, se Jesus pediu para acreditar em minhas forças de ser deus também, se o nosso Jesus espírita era tanto mais deus quanto mais Jesus ele era, porque ele e o Pai eram um.

Deixo registrado aqui meu estranhamento por entender ser a revelação de si mesmo uma forma, talvez a melhor que temos atualmente, de revelar Deus ao mundo. Antes eram as escrituras sagradas, depois foi a própria natureza cientificamente explorada, agora o íntimo revelado.

A mediunidade tem essa força simbólica de nos dizer que uma realidade superior em nós mesmos presente se identifica com os grandes Espíritos que correm nos espaços. Pensamos muito que são eles apenas que nos guiam, mas - me crucificarão por esse pensamento egoísta - que seria do Espírito sem a identificação com os fluidos do médium?

Então, por Deus!, nós temos parte na mediunidade? Temos todos, mais ou menos, parte no que sempre nos foi divino e sagrado? Então, temos em nós matéria-prima para gerar toda poesia e toda dança?

É o velho mal do ser humano que o limita na mesma medida que o expande. Não somos livres para escolhermos ser infelizes, nem há caminho que não chegue a Deus. Não vejo porque falar de coisas que venham escavadas da alma seja menos espírita do que as que são coletadas parnasianamente nas obras básicas. Tudo é espírito, enfim!

Allan Denizard

3 comentários:

Dudu disse...

olá, só queria colocar um aobservação sobre oq foi escrito aqui :
É penoso ter de passar pela igreja e fazer o sinal da cruz em agradecimento perpétuo por alguém que me salvou com sangue, ainda que ele tenha dito que tudo seria mais leve se o seguisse.
jesus nunca flaou q tudo seria mais leve se nós o seguissemos,muito pelo contrario: "Em Lucas 15:26,27 diz: Se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.
E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo."
agora,quanto há fazer o sinal da cruz não leva nimguém para o céu e muito menos é um sinal d agradecimento,Deus está olhando o seu coração não seu exterior....mas nunca esqueça d uma coisa: JESUS é o caminho a verdade e a vida,nimguém vai ao Pai(DEUS)se não por Ele.não são palavras q te levam para o céu,mas é atravéz de arrependimento atravéz do sangue de Jesus. não pelas nossas obras...

Romário disse...

Acho que as minúcias teológicas e exegéticas não são o foco deste artigo. A discussão é em torno da Arte Espírita e dos dilemas de quem a produz. As referências cristãs utilizadas apenas ilustram a questão.

Allan disse...

"...arrependimento através do sangue de Jesus, não pelas obras". Acho que Dudu foi no meu caminho, não teve preocupação quanto a provocar polêmica. Depois de tantas citações bíblicas, tirar uma citação de seu coração: "não pelas obras". Forte! Ainda mais forte foi nos ver banhados pelo sangue de um inocente para nossa purificação. Estávamos precisamos desse comentário para um equilíbrio do pensamento que esbocei.