quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Idéias

O Universal e o Eterno na Arte Espírita

Fizemos algumas semanas atrás uma observação filosófica em defesa de um certo “humanismo transcendental". Defendíamos a possibilidade do grandioso na arte que é criada pelo próprio Espírito do espírita ou de quem quer que seja. Isto é, defendíamos que uma arte divina não necessariamente deve ser mediúnica. Ou ainda, que o animismo do médium na obra de arte não é, necessariamente, ruído de comunicação.

Nossa! Quanto palavreado confuso! Mas a coisa é simples... se não simples, fabulosa:

Ficamos encantados com as obras mediúnicas e conferimos beleza e verdade a elas pelo simples fato de serem mediúnicas. É uma tendência quase natural para os devotos do espiritismo esse posicionamento. Aliás, o devotamento tem esse quê de gratuito. O sagrado (é sagrado tudo aquilo que na Terra se reveste de Além) sempre mereceu de nós uma postura acrítica e cegamente respeitosa.

Entretanto, quando Allan Kardec surgiu, duvidando do maravilhoso numa pilhéria que ficou sagrada, desafiando as mesas girantes, ele começou uma jornada que culminou numaaproximação do humano com o divino e do divino com o humano numa conclusão muito simples: todos os Espíritos que habitam o espaço invisível são da mesma natureza que os que estão enredados na carne. Por isso nem todos são puros, mas todos poderão vir a ser. Todos são todos! São as potencialidades, então, que tornam todos os seres iguais em direito, em beleza e em verdade.

Com essa simples conclusão, Kardec encontra a chave que une a Terra ao Céu! Um processo tão fecundo que o deixou admirado com as possibilidades de uma proposta artística baseada na idéia, que deixasse se conduzir por ela.

A arte que prima por ser espiritual e catequética, isto é, doutrinária, é uma arte medieval, onde a única importância reside na revelação da palavra de Deus, sempre para além do que é material. A arte que se restringe sempre ao material, ao presente, ao mortal, é uma arte secular que passa na medida em que passam seus autores. A arte espírita, Kardec havia previsto que ela ultrapassaria todas as outras, porque síntese dialética delas. O elemento mediúnico, ou ainda, o reencarnacionista, ou numa palavra, aquele elemento que costura repetidamente as muitas vidas do universo, a arte que se utilizasse dele ganharia o que toda boa arte quer: o universal e o eterno.

Como fazer isso? Como a mediunidade ou mesmo a reencarnação contribuem para essa questão?

Elas são os modelos melhores para a fabricação dessa arte – da forma como o Espiritismo as encara.

Não basta o Espírito imaterial, deve haver o Espírito intermediário na carne para haver a obra transcrita, pintada, falada, o que for. Não basta a vida na carne, é preciso a vida fora dela, numa comunicação constante entre as vidas para que ambas possam se enriquecer em um progressão infinita.

A mediunidade nunca é um monólogo transcendental, ela é um diálogo entre o que é transcendente e o que é contingente, o que sempre foi com aquilo que ainda é. A reencarnação, por sua vez, promove a solidariedade, dentro de um mesmo indivíduo, entre o passado, o presente, e as possibilidades de futuro. Somos, assim, médiuns e reecarnantes, uma obra de arte criada por Deus, que dialoga, caminha, vive e constrói coletivamente seus próprios caminhos, sua própria Arte.

A Arte Espírita, portanto, vai além do que costumamos pensar que ela é!

Allan Denizard

3 comentários:

Janio Alcantara disse...

Caro blogueiro-confrade,

Saindo da Arte (macro) e indo pro micro, gostaria de saber porque a imensa maioria das músicas espíritas compostas são melancólicas?
Nada contra músicas de ritmo e melodias introspectivas, mas tenho que concordar com Nelson Motta (opinando sobre a música pseudo-sertaneja) e trazer pro universo dos compositores espíritas. Eis:
"Os critérios para avaliar uma música popular são melodia, letra, ritmo e harmonia. O sertanejo é praticamente zero em todos os quesitos. Reconheço até que o gênero tem alguns intérpretes de grande talento, que sabem cantar, mas as melodias são pobres e as letras são paupérrimas. O ritmo é praticamente inexistente, são baladas melancólicas. Em termos de harmonia, o ritmo (sertanejo) é indigente. Sobra muito pouco para o meu gosto, mas não quero convencer ninguém, só falo o que acho."
Paz e Bem!

Romário disse...

Grande Jânio! Saiba que nós do Espírito de Arte compartilhamos dessa mesmíssima impressão! E, por isso mesmo, optamos por uma linha de trabalho diferente. Já há algum tempo temos rock e country no repertório e, em muito breve, xote, samba, moda de viola, além de outros ritmos mais animados e envolventes. Até hip-hop pode entrar na jogada... Mas, apenas a título de curiosidade, sugiro desde já que você conheça o trabalho de grupos como GAN e Alma Sonora... Vou lhe mandar o link por e-mail! Abraço!

Janio Alcantara disse...

Valeu, Romário!
Há também um grupo CANTAR É VIVER (salvo engano do Álvaro Weyne) que tem umas composições e forma de apresentar a mensagem espírita bem prá cima e que gostei muito no Paz e Bem!
Espero os links.
Soube deste blog pelo Nonato Albuquerque quando lhe disse que o Paz e Bem também já tem o seu e lá nós colocamos o Espírito de Arte, como um dos indicados.
Se quiser conhecer é gepazebem.blogspot.com